05 / 09 / 2019

A desigualdade de gênero no trabalho ainda é um problema?

Apesar de podermos ver o progresso da presença feminina no mercado de trabalho, a desigualdade de gênero ainda é questionada
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Sabemos que, além de enfrentar a competitividade do mercado para conquistar uma vaga de emprego, as mulheres ainda precisam encarar a desigualdade de gênero no ambiente profissional.

A boa notícia é que elas seguem avançando. De acordo com dados do Ministério do Trabalho, existe um crescimento da ocupação feminina em postos formais no Brasil (ou seja, com carteira assinada). Esse crescimento, porém, ainda está abaixo do potencial de mão de obra do mercado brasileiro.

Pensando nisso, neste post vamos entender melhor essa desigualdade de gênero no mercado de trabalho e mostrar por que isso ainda é um problema enfrentado pelas mulheres. Acompanhe e confira!

A herança cultural dita a desigualdade de gênero

Culturalmente, por séculos, a mulher foi vista como a pessoa responsável pelo lar, pelo cuidado com os filhos e outras pessoas da casa. Por isso, a sua inserção no mercado de trabalho foi lenta e gradual.

Segundo uma pesquisa com dados demográficos do IBGE, somente 13,6% das mulheres trabalhavam fora de casa na década de 50, por exemplo. Nesse mesmo período, o índice dos homens chegava a 80,8%. Mais de meio século depois, dados de 2010 evidenciaram que as mulheres aumentaram em três vezes a sua participação no mercado de trabalho, passando para 49,9%. Entre os homens, por outro lado, o dado caiu para 67,1%.

Apesar de podermos ver esse progresso da presença feminina ao longo das décadas, a desigualdade de gênero ainda existe. Isso é evidenciado, principalmente, com relação à remuneração, como veremos mais adiante.

As mulheres têm conquistado avanços quando o assunto é cargos de liderança, mas ainda persiste um preconceito contra a própria entrada feminina no mercado e em posições de destaque nas organizações. Como argumento para isso, muitos apontam o fato de as mulheres terem de se ausentar do trabalho na licença maternidade — o que também mostra a herança cultural do papel que a mulher exercia na sociedade antigamente.

As desigualdades de gênero mais evidentes no mercado de trabalho

Um estudo chamado “Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, realizado pelo IBGE, revelou que as desigualdades de gênero mais evidentes atualmente são:

  • rendimento;
  • formalização;
  • disponibilidade de horas para trabalhar.

De acordo com o mesmo estudo, as mulheres continuam trabalhando mais que os homens — em média, três horas a mais. Isso engloba atividades domésticas, trabalho remunerado e cuidado com outras pessoas.

A seguir, vejamos com mais detalhes alguns desses fatores que elevam a desigualdade entre homens e mulheres no ambiente profissional no país.

Diferença salarial

Como dissemos, mesmo tendo frequentando por mais tempo as escolas — e, consequentemente, tendo uma formação maior — as mulheres ganham 76,5%, em média, do rendimento dos homens.

Estudos nessa área têm evidenciado que tal diferença vem se reduzindo ao longo dos anos, mas ainda existe de maneira evidente nas empresas. Por exemplo, somente 37,8% dos cargos gerenciais no Brasil são ocupados por mulheres, dado que é menor ainda quando se aumenta a idade das profissionais ativas.

Demora para a mulher crescer no mercado

Outra pesquisa, agora da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mostrou que a desigualdade das demandas domésticas continua sendo o principal entrave para a inserção da mulher no mercado de trabalho. Isso acontece porque a dedicação à família reduz as horas disponíveis para o trabalho remunerado, tornando mais demorada a conquista de um emprego.

Segundo o estudo, 48,5% das mulheres com mais de 15 anos participam do mercado de trabalho no mundo, enquanto essa taxa é de 75% para os homens.

Dificuldade para conseguir emprego grávida

Cerca de três em cada sete mulheres sentem medo de engravidar e serem demitidas, como mostram especialistas nessa área. Grosso modo, a falta de flexibilidade das empresas e a inexistência de compreensão por parte dos empregadores nesse momento faz com que muitas portas sejam fechadas, apesar dos últimos avanços.

Diante disso, as mulheres se sentem obrigadas a adiar a maternidade, ou a conseguir uma outra fonte de renda para conciliar o trabalho e a maternidade. Além disso, a falta de acolhimento e empatia é outro obstáculo a ser vencido, junto ao medo da demissão e do retrocesso de suas conquistas profissionais ao voltarem da licença-maternidade.

Os setores em que a disparidade é mais visível

De fato, existem alguns setores em que essa desigualdade de gênero é maior, como no caso das ciências, da tecnologia e da engenharia.

Podemos citar, por exemplo, um estudo recente direcionado para a participação da mulher na área da Tecnologia da Informação (TI), que revelou duas situações altamente problemáticas para as mulheres nesse segmento. A primeira é a baixa representatividade do gênero feminino em carreiras de tecnologia, seguida da diferença de remuneração com relação aos homens.

O estudo concluiu que as mulheres permanecem mal aproveitadas em todos os níveis do mercado de trabalho, apesar de terem uma formação superior à dos homens, em geral, sobretudo nas carreiras desses setores.

A importância da mulher no mercado de trabalho atual

Como dissemos, mesmo diante de um cenário desafiador e desigual as mulheres seguem lutando para conquistar o seu espaço. E as possibilidades de crescimento do trabalho feminino são enormes.

Segundo o estudo “Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo – Tendências para Mulheres 2017”, elaborado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), o aumento dos postos de trabalho para mulheres poderia injetar R$ 382 bilhões na economia brasileira.

A pesquisa também estima que cerca de R$ 131 bilhões poderiam entrar nos cofres brasileiros em formato de tributos, ajudando o desenvolvimento da economia do país. Para chegar a esses resultados, contudo, o Brasil precisa diminuir a taxa de desigualdade da presença feminina no trabalho em, pelo menos 25%, até 2025.

Os países que integram o G-20, incluindo o Brasil, já se comprometeram a diminuir essa desigualdade. Agora, vasta saber quais ações serão tomadas nos próximos anos para o alcance dessa meta.

Enfim, como vimos aqui, apesar do avanço feminino no mercado de trabalho a desigualdade de gênero ainda é um problema que precisa ser levado em consideração. E tanto as empresas quanto os profissionais precisam trabalhar em prol da diminuição dessa desigualdade.

Agora, se você gostou desta leitura e quer saber mais sobre o mercado de trabalho, entre em contato conosco!

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