O erro de português que você deve parar de estar cometendo

Achou este título um pouco confuso? É porque ele contém uma falha comum no diálogo (e até na escrita) dos brasileiros. Saiba como corrigir!
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Você já tentou escrever um texto exatamente da forma que falamos? Se já, certamente se surpreendeu com a quantidade de erros que reproduzimos sem perceber.

A língua falada possui seus próprios vícios. Você não vai a todos os lugares falando totalmente de acordo com a norma culta da língua – isso seria bastante cansativo, não é?

Mas em alguns casos, você deve tomar cuidado. Em entrevistas de emprego, os recrutadores ficam bem atentos a gírias, palavrões e vícios de linguagem, como “tipo assim” e “né”.

Além desses, há ainda outro erro que os candidatos têm cometido em excesso e que, segundo especialistas em RH, é motivo de desclassificação dependendo da área em que você atua, principalmente vendas, atendimento e telemarketing.

Trata-se do gerundismo, o uso exagerado e desnecessário do gerúndio – forma verbal que indica que uma ação está em andamento e que termina com as letras “ndo”, por exemplo:

“Fazendo, andando, sentindo, levando, entendendo, mentindo”

O problema do gerundismo é que as pessoas criaram o costume de falar (e escrever) usando vários verbos antes do verbo no gerúndio, para reforçar o discurso, ou para fazê-lo parecer rebuscado, inteligente:

“Vou estar entrando em contato; vou ficar aguardando o seu retorno”

Esse vício de linguagem começou nos escritórios de telemarketing, com os scripts (roteiros de atendimento) traduzidos diretamente do inglês dos Estados Unidos, e que não foram corretamente adaptados.

A moda pegou e agora, além de falar assim ao telefone, muitas pessoas têm escrito dessa maneira.

Os casos que você pode usar o gerúndio

Troque o “vou estar fazendo”, “vou estar ficando”, por verbos cuja ação está no futuro, e não precisa de tantas palavras o rodeando para fazer sentido. Diga:

“Farei, andarei, sentirei, levarei, entenderei, mentirei”22

É claro que nem sempre isso irá funcionar; há casos em que o gerúndio é necessário e não é considerado gerundismo. De acordo com o professor de língua portuguesa Diogo Arrais para a Exame, esses são os casos em que você pode usar o gerúndio:

Quando houver o gerúndio modal:

“Silva chegou cantando.”

Quando você percebe a ação expressa pelo verbo principal e o gerúndio:

“Vi Silva passeando.”

Com o gerúndio durativo:

“Ficou correndo pelo parque.”

Com o gerúndio cuja ação é imediatamente anterior à do verbo principal:

“Levantando o peso, deixou-o cair sobre o pé.”

Quando o gerúndio for condicional:

“Tendo sido votada a lei, participe da reunião.”

Quando o gerúndio for causal:

“Conhecendo seus pais, não acreditei como eles me trataram.”

Com o gerúndio concessivo (oposição ideológica):

“Mesmo chovendo, Silva foi à praia.”

Quando o gerúndio for explicativo:

“Vendo que o leme não funcionava, o comandante chamou o mecânico.”

E aí? Você vai estar treinando para a entrevista de emprego ou, realmente, vai treinar? Boa sorte nos processos seletivos!

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