22 / 10 / 2015

Profissão – Mudanças de Rota

Pior do que mudar de curso no meio do caminho é viver a frustração, pelo resto da vida, de fazer algo que não queria.
por
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Por Marcelo Mariaca*

 

Dentro de poucas semanas começa a maratona dos vestibulares, quando milhares de jovens, de 17 ou 18 anos, decidem realmente o que querem fazer na vida. Mas, na realidade, ninguém nessa faixa de idade sabe tanto de medicina, de administração, de engenharia ou de outra profissão a ponto de abraçar, nesse momento, uma carreira para toda a vida. O jovem tem de se dar a chance e o direito de chegar aos 24 anos, no meio do curso, e dizer: “Não quero, não aguento mais, não é isso que quero fazer”. Mesmo que decepcione os pais, que pensam ser possível desenhar o futuro dos filhos.

Essas decisões são de foro íntimo. Além disso, podemos reorientar nossa rota e mudar nossos caminhos, não importa em ponto estejamos. Por outro lado, é preciso pensar muito, refletir e analisar se a mudança é conveniente. Não dá para ser impulsivo, embora essa seja uma das características dos jovens.

Recentemente, meu filho caçula decidiu que moraria no Alasca. Sua namorada iria trabalhar lá e ele quis viver com ela. Não quis me intrometer na sua decisão, não critiquei e fiquei na minha. No íntimo, sabia que a estada dele naquele lugar frio não duraria muito. Apesar de amar a namorada, meu filho odeia frio.

Tempos depois, ele me ligou dizendo que não iria morar mais no Alasca. A relação com a namorada havia terminado e o rebento estava com vontade de trabalhar na mesma empresa, mas na Filadélfia, nos Estados Unidos. Estava tão resoluto que, quando chegou à matriz da empresa, foi aceito na hora. Meu caçula aprendeu que carreira é algo que pode mudar e que é possível alterar a rota. Para nós, pais, deve ficar claro que os filhos não são cópias do que somos nem projeções mais bem-acabadas de nossa essência. Eles precisam fazer suas próprias escolhas e ser estimulados.

Um dos erros de pais e chefes que mais causam estragos nos filhos ou funcionários é a interferência prematura. Essa atitude afeta a autoestima, castra as iniciativas e atrapalha os próximos passos do jovem. É natural que um grande cirurgião ou um advogado de sucesso queira que o filho lhe siga os passos, herde seu consultório ou sua banca e se dê bem na vida. Mas esse pai deve estar preparado para receber a notícia de que o filho prefere ser engenheiro, jornalista, compositor, empreendedor ou bailarino do Municipal.

Segundo o Censo da Educação Superior, divulgado em 2009 pelo Ministério da Educação, 42% dos alunos matriculados em instituições do ensino superior não tinham concluído a graduação no período encerrado em 2008. Para especialistas, a maior parte dessa estatística é formada por jovens que desistiram do curso para o qual foram aprovados no vestibular e optaram por outro. O importante, para o jovem, é abrir os horizontes, conhecer coisas novas e procurar se autoconhecer para encontrar seu caminho e tomar decisões. Pior do que mudar de curso no meio do caminho é viver a frustração, pelo resto da vida, de estar fazendo algo que não queria.

*Marcelo Mariaca é presidente do conselho de sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School. Autor do livro Erre Mais – 65 Conselhos de Um Headhunter Para Alcançar o Sucesso.

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