Se você presta serviços e sente que o dinheiro some antes do fim do mês, o problema pode estar na forma como você precifica. Este guia usa as projeções de mercado para 2027, rotuladas como projeções, e mostra como calcular e comunicar o reajuste sem perder clientes.
Antes de mexer no preço, vale conferir as oportunidades e os conteúdos do empregos.com.br para entender o que o mercado valoriza na sua área.
O que dizem os números para 2027
O IPCA fechou 2025 em 4,26%, segundo o IBGE. Para os próximos anos, os números abaixo são projeções, não resultados. No Boletim Focus do Banco Central de 19 de outubro de 2026, a mediana das expectativas do mercado é de IPCA de 5,22% em 2026 e 4,32% em 2027, e de crescimento do PIB de 1,83% em 2026 e 1,32% em 2027 (Valor Econômico, com base no Focus). A mediana para a Selic é de 13,25% ao fim de 2026 e 12% ao fim de 2027.
Na prática, se o preço do seu serviço ficar parado, ele perde valor real. Com uma inflação de 4,32%, um preço de R$ 1.000 em 2026 teria que ser de cerca de R$ 1.043 em 2027 só para manter o mesmo poder de compra. Isso é uma conta ilustrativa com a projeção do Focus, que pode mudar.
Os custos fixos também pesam. Em 18 de setembro de 2026, a Aneel elevou para 9,4% a projeção do efeito tarifário médio da energia elétrica em 2026 (CNN Brasil, a partir do boletim InfoTarifas). É uma projeção para 2026, e não há número equivalente para 2027 nas fontes consultadas.
Você conhece de verdade os seus custos?
O primeiro passo do repasse é saber quanto custa cada entrega. Muita gente cobra no chute e repete o valor de dois anos atrás, sem revisar ferramentas, internet, energia, transporte e o próprio tempo.
Levante a composição do trabalho: quanto você gasta em cada entrega, quantas horas ela consome e qual é o custo fixo mensal dividido pelo número de projetos. Sem esses números, qualquer reajuste é aposta.
Em pesquisa do Sebrae com o IBGE divulgada em outubro de 2022, só 9% dos donos de pequenos negócios disseram ter repassado integralmente o aumento de custos aos clientes. O dado é antigo e vale como referência do comportamento, não como retrato de 2026.
Como calcular o reajuste
Escolha um índice de referência, como o IPCA ou o INPC, e some a ele os aumentos específicos da sua área, como insumos que subiram acima da média.
Exemplo ilustrativo: um serviço custa R$ 70 para entregar e é vendido por R$ 100, então a margem é de R$ 30, ou 30% do preço. Se o custo sobe 6%, passa para R$ 74,20. Para manter os mesmos R$ 30 de lucro, o preço vai a R$ 104,20, alta de 4,2%. Para manter a margem em 30% do preço, o preço vai a R$ 106 (74,20 dividido por 0,70), alta de 6%. A diferença está no que você quer proteger: o valor do lucro ou o percentual de margem.
Monte uma planilha com os custos por projeto e atualize a cada trimestre. Assim você passa de "preciso aumentar" para "meu preço reflete o mercado".
Repasse total ou parcial?
Repassar tudo pode afastar clientes, e repassar nada pode inviabilizar o negócio. Um caminho comum é o repasse em etapas, principalmente quando o aumento é alto.
Em contratos de longo prazo, uma cláusula de reajuste anual indexada evita conversas difíceis no meio do caminho. Em serviços pontuais, avisar com antecedência ajuda.
Outra opção é absorver parte do aumento e compensar com eficiência: otimizar processos, reduzir desperdícios e negociar com fornecedores.
Como comunicar o reajuste sem perder o cliente
Avise com antecedência, explique o motivo e destaque o que o cliente continua recebendo. Mostre números em vez de culpar a inflação de forma genérica: "os insumos que uso subiram 8% neste semestre, e estou ajustando o meu preço em 5%, mantendo a qualidade que você já conhece".
Use o momento para reforçar seu diferencial: prazos cumpridos, atendimento próximo e entregas de qualidade.
Reajuste é rotina
Revisar preços antes de a margem apertar costuma funcionar melhor do que reagir depois. Se um serviço está saturado, pacotes, assinaturas ou atendimentos em grupo permitem repassar custos e ampliar a base de clientes. Quanto mais especializado e atualizado você é, mais espaço tem para precificar com segurança.
Qual a frequência ideal de revisão?
Para muitos profissionais, revisar a cada seis meses é um ritmo razoável. Se energia, combustível ou insumos subirem de forma forte, antecipe a revisão. Preço baixo demais tende a atrair clientes que não valorizam o trabalho.
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Publicado por Jean Costa
Fontes
- IBGE, IPCA de dezembro de 2025 (4,26% no ano): https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/45612-ipca-vai-a-0-33-em-dezembro-e-fecha-o-ano-em-4-26
- Valor Econômico, Boletim Focus de 19/10/2026 (projeções): https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/10/19/mercado-mantem-projecao-de-alta-do-ipca-de-2026-em-522percent-e-eleva-de-2027-para-432percent-aponta-focus.ghtml
- CNN Brasil, Aneel projeta alta de 9,4% na conta de luz em 2026 (18/09/2026): https://www.cnnbrasil.com.br/infra/aneel-projeta-aumento-medio-de-94-nas-tarifas-de-energia-em-2026/
- Agência Sebrae, pesquisa Sebrae/IBGE sobre repasse de custos (14/10/2022): https://agenciasebrae.com.br/economia-e-politica/donos-de-pequenos-negocios-evitam-repasse-do-aumento-de-custos-para-o-preco-final/