Jovem profissional brasileira chegando confiante a uma entrevista de emprego

Antes do apito final da contratação: o que as empresas olham (e o que não podem olhar)

Currículo e referências podem; consulta de crédito para eliminar candidato é falta. Veja o que as empresas podem consultar antes de contratar e o que a lei proíbe.

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Toda contratação tem um apito final, mas o jogo começa muito antes: entre o envio do currículo e a resposta da empresa, rola uma partida invisível de verificações. Saber o que as empresas podem consultar — e o que é falta — ajuda você a entrar em campo com mais segurança.

Aquecimento: a análise começa antes da entrevista

Antes mesmo de chamar o candidato, muitas empresas conferem as informações do currículo. Identidade, escolaridade, experiências anteriores e referências profissionais estão liberadas: é a checagem básica de qualquer processo seletivo. A certidão de antecedentes criminais é outra história. Ela só entra em campo para funções específicas. O Tribunal Superior do Trabalho definiu a regra do jogo: a exigência é legítima quando há previsão em lei ou quando a natureza do trabalho justifica, como vagas de cuidador de crianças e idosos, motorista de carga, vigilância, bancários e funções com acesso a informações sigilosas. Atenção ao detalhe: mesmo nessas funções, a exigência precisa ter ligação direta com o que a pessoa vai fazer. Não vale transformar uma categoria profissional em passe livre para investigar qualquer candidato.

Cartão vermelho: o que é falta

Pesquisar o nome do candidato no SPC ou na Serasa para decidir uma contratação é a falta mais grave do campeonato. Fora de funções ligadas diretamente à análise ou à concessão de crédito, como em bancos e financeiras, a Justiça do Trabalho considera a prática discriminatória. E o cartão vermelho já saiu do bolso algumas vezes. Uma empresa foi condenada pelo TST a pagar R$ 100 mil por dano moral coletivo depois de consultar antecedentes e restrições de crédito de candidatos. Em outro caso, uma multinacional fechou acordo de R$ 1,8 milhão com o Ministério Público do Trabalho por investigar a vida pessoal de trabalhadores. O lance mais duro: quando a empresa exige a certidão sem justificativa, o dano moral é presumido. O candidato pode ser indenizado mesmo sem ter sido contratado — e sem precisar provar que a consulta foi o motivo da eliminação.

Intervalo: um alerta sobre as redes sociais

A espiada do recrutador nos perfis públicos virou parte do aquecimento de muitos processos seletivos. Mas mesmo esse olhar tem limite: vida pessoal, opiniões e características sem relação com a função não podem decidir o placar da contratação. Quando a informação não tem ligação com o cargo, usá-la vira falta.

Regra extra: seus dados têm proteção

A Lei Geral de Proteção de Dados joga na defesa do candidato. Informações pessoais e sensíveis só podem ser usadas para uma finalidade específica e no mínimo necessário. Nada de certidão circulando por aí ou salva em pasta aberta. Até a espiada nas redes sociais, comum nos bastidores, precisa respeitar o bom senso: vida pessoal e opiniões sem relação com a vaga não podem decidir o placar.

Placar final

Empresa pode conferir currículo, experiência e referências. Certidão de antecedentes, só em funções específicas e com motivo real. Consulta de crédito para eliminar candidato é falta — e das caras. Se você entrou em campo em busca de uma nova oportunidade, vale a pena conhecer o Empregos.com.br: são milhares de vagas em todo o Brasil esperando por um reforço como você.

Fontes

Publicado por Jean Costa