Um relatório internacional apontou desaceleração na adoção de inteligência artificial por empresas novas nos Estados Unidos. No Brasil, os dados mais recentes mostram o movimento contrário: o uso de IA nas empresas segue crescendo, e o trabalho continua mudando, independentemente do ritmo de adoção.
O que mostram os dados brasileiros
A PINTEC Semestral, do IBGE, acompanha empresas industriais com 100 ou mais empregados. O uso de IA saltou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024, um crescimento de 25 pontos percentuais, o maior entre as tecnologias pesquisadas.
A TIC Empresas 2025, do Cetic.br, que cobre empresas de todos os portes com 10 ou mais pessoas ocupadas, registrou alta de 13% para 17% entre 2024 e 2025. Nas grandes empresas, o uso passou de 38% para 50%; nas pequenas, de 10% para 15%. Estimam-se 93.475 empresas brasileiras usando algum tipo de IA em 2025.
Por que os retratos parecem diferentes
Pesquisas medem universos e momentos distintos: país, setor, tamanho de empresa e definição de "uso de IA" mudam o resultado. Uma desaceleração em um recorte específico de um país não contradiz o crescimento em outro; são fotos de lugares e recortes diferentes. Vale o mesmo cuidado ao ler qualquer manchete sobre o tema.
O trabalho muda mesmo onde a adoção é lenta
O estudo do IBRE, da FGV, mostra que 29,6% da população ocupada brasileira já estava em ocupações com alguma exposição à IA generativa em 2025. Exposição não significa substituição: significa que tarefas estão sendo reorganizadas. Para o trabalhador, a pergunta prática é quais tarefas da sua função mudam primeiro e como se posicionar nelas.
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Fontes consultadas
FGV IBRE: IA generativa e mercado de trabalho no Brasil (2026)
Publicado por Jean Costa.