15 / 03 / 2013

Que maravilha! Aumento de salário!

Será que o valor a mais vai fazer mesmo diferença no final do mês?
por
http://www.empregos.com.br

Por Gustavo Cerbasi*

Não caia na bobagem de se iludir com pequenos aumentos de salário e se dar
ao luxo de consumir por impulso. Todos nós tendemos a fazer isso, entrar em novos financiamentos porque cabem no novo salário.

Imagino a felicidade do trabalhador quando se depara com a surpresa do aumento do salário mínimo. Quarenta reais a mais depois do aumento nos transportes, na energia, nos alimentos. Enfim, tudo aumentou, e agora o trabalhador que ganha um salário tem quarenta reais a mais para melhorar sua vida. Dá para melhorar? Obviamente não, e qualquer pessoa sensata sabe que o salário mínimo é uma piada de mau gosto, ainda maior quando um aumento irreal como esse é proposto.

O governo justifica que a inflação foi muito baixa, mas esquece que quem mais sofre com a inflação é o trabalhador. Realmente, a inflação foi baixa para vestuário, bens de consumo duráveis, lazer, itens que o trabalhador há tempos não consegue consumir. Mas os itens de consumo básico sofreram sim com uma inflação bem maior do que o aumento proposto para o salário, o que quer dizer que, infelizmente, o trabalhador está e continuará experimentando uma queda no seu poder de consumo – termo muito bonito, mas que incomoda a quem sabe que não tem poder nenhum.

Nessas horas, sugiro ao trabalhador muito cuidado com a atitude em relação ao seu salário. Há tempos que o poder de consumo de toda a classe média da população brasileira vem caindo, o que abre caminho para uma verdadeira situação de risco. Se o trabalhador não perceber que seu padrão de vida vem sendo espremido e não tomar providências para ajustar sua vida a essa realidade, em breve será surpreendido com dívidas impagáveis.

Todos nós brasileiros estamos tendo que colocar toda nossa criatividade à prova para conseguir pagar nossas contas. Não caia na bobagem (na verdade, na tentação) de se iludir com pequenos aumentos de salário, agora e sempre, e se dar ao luxo de consumir por impulso. Todos nós tendemos a fazer isso entrar em novos financiamentos porque cabem no novo salário. Com o tempo, outros itens de consumo aumentam de preço e o salário deixa de ser suficiente, criando problemas financeiros para as famílias.

Fuja das financeiras – empresas que aprovam crédito a juros abusivos – e das promessas de dinheiro fácil, são verdadeiras armadilhas. Procure deixar sempre uma folga para o inesperado, por mais sofrida que seja essa folga. Por menor que seja sua renda, faça o possível e o impossível para que seu padrão de vida não seja maior do que sua renda, corte itens menos urgentes.

Nossa sociedade vive um desequilíbrio de renda que só tende a aumentar, porque os ricos investem enquanto os pobres consomem. Todos somos incentivados a consumir, por varejistas que vendem seus produtos parcelando os preços em um número enorme de pagamentos, o que nos faz pagar muito mais do que os produtos realmente valem. Reeduque-se, fuja também dos financiamentos, poupe antes de comprar. Se cada um de nós adotar essa postura inteligente, certamente teremos melhores condições de barganhar na hora da compra. Além disso, evitaremos o risco de estarmos presos aos compromissos de pagamentos indesejáveis quando os preços aumentarem, e o salário não.

*Gustavo Cerbasi é autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, que está entre os 10 mais vendidos da Revista Você S/A, mestre em Administração pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e graduado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas. Tem especializações em Finanças pela Stern School Business (New York University) e pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com experiência prática e acadêmica em finanças dos negócios, planejamento familiar e economia doméstica, desenvolve treinamentos, palestras e consultorias.

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