26 / 10 / 2015

Jovens universitários e o voluntariado

Engajados no trabalho voluntário, estudantes adquirem experiência e conseguem ingressar no mercado
por
http://www.empregos.com.br

Por Rômulo Martins

Estudante de Administração de Empresas, Louisie Weber Ara, 22, resolveu se engajar no trabalho voluntário no 2º ano de faculdade.

Gostou tanto que chegou a assumir a direção de um projeto social ligado ao Ibmec São Paulo e prestou serviços em uma organização não-governamental. Aprimorou o conhecimento e acumulou experiência. Hoje trabalha na área administrativo-financeira de uma empresa de hipismo.

O voluntariado é uma forma de adquirir experiência e pode ser a primeira porta dos jovens para o ingresso no mercado de trabalho, acredita Ademar Bueno, coordenador do Centro de Cooperação da GV (CCGV), órgão da Fundação Getúlio Vargas.

voluntariado

Isso porque, se bem orientados, os estudantes têm a chance de colocar em prática suas competências técnicas e, ainda, a lidar com situações que vão contribuir com o desenvolvimento da sua formação humana.

“Aquilo que era diferencial há pouco tempo hoje é básico. Se o jovem não tiver um curso de língua estrangeira, uma boa faculdade e até mesmo um intercâmbio ele nem passa para o processo seguinte. Então como um candidato a estágio ou trainee vai se diferenciar? O senso de responsabilidade e de ir além do que é colocado na frente dele que o trabalho voluntário propõe é algo que as empresas começam a olhar”, diz Bueno.

O aprendizado adquirido por meio do contato com crianças carentes, bem como as situações-problema que surgiram durante a realização da atividade voluntária mudou sua visão de mundo e fez diferença na hora de encontrar emprego, atesta Louisie. “Não é o trabalho voluntário em si que ajuda você a conseguir um emprego, mas a formação humana que ele propicia”, diz.

Segundo a coordenadora do departamento de voluntariado da Ong Liga Solidária, Priscila Rodrigues Souza, os voluntários podem contribuir por meio de sua formação ou habilidades pessoais. A entidade realiza atividades voltadas à educação e cidadania e seleciona pessoas que queiram ajudar de acordo com seus valores e conhecimentos técnicos.

“A questão da troca e do networking são muito importantes no voluntariado, já que a pessoa vai conhecer e entrar em contato com outros profissionais. Por outro lado, pensando nas questões estratégicas é fato que a pessoa que tem contato com o serviço voluntário vai ser um melhor gestor porque a atividade desenvolve nela suas habilidades técnicas e a formação humana”, diz Priscila.

A estudante de Moda Jéssica Bortolassi, 23, conta que encontrou Priscila em uma comunidade sobre terapia na rede social Orkut, do Google. Ela estava à procura de um voluntário. A jovem manifestou interesse em prestar serviço à entidade e foi direcionada para a organização de desfiles e eventos em geral e para a confecção de figurinos.

Jéssica está no último ano de faculdade e tem uma empresa no ramo de decoração. “Contribuiu bastante para a minha formação. Certa vez, organizei um desfile para o público da terceira idade. Eu não tinha experiência nenhuma com este público porque as marcas não trabalham especificadamente com ele”, revela.

Mas é preciso averiguar antes se o trabalho voluntário pode, de fato, contribuir para a formação profissional, orienta Ademar Bueno, da CCGV. Para garantir isso, o núcleo busca universitários que desejam prestar serviços gratuitos à comunidade de acordo com a atividade a ser realizada e a formação técnica de cada um.

O voluntariado é uma oportunidade de o aluno adquirir experiência por meio de uma série de atividades que vai agregar no currículo dele. Na hora de buscar uma vaga no mercado, se ele teve uma experiência de voluntariado onde pôde exercitar o conteúdo aprendido na faculdade o contratante, com certeza, leva em conta”, afirma Bueno.

Foi com esse intuito que a estudante do 3º ano de Enfermagem Silvane Schmeing, 20, resolveu realizar trabalho voluntário. Descobriu uma Ong por meio do site da faculdade e se inscreveu no programa.

Contudo, como a organização tinha outras demandas Silvane acabou desenvolvendo atividades fora de seu campo de estudo. Aprendeu muito com a experiência, diz, mas não atua na área. Atualmente, é operadora de telemarketing.

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