09 / 08 / 2007

A autoliderança

Não será jamais um bom líder aquele que não tiver um eficaz processo de autocontrole, pois, no exercício da liderança há sempre situações que desafiam o líder a perder a paciência e o controle sobre suas emoções
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por Eduardo Botelho*

Não será jamais um bom líder aquele que não tiver um eficaz processo de autocontrole, pois, no exercício da liderança há sempre situações que desafiam o líder a perder a paciência e o controle sobre suas emoções.

A liderança não é algo técnico, ou melhor, não tem uma forma científica, racional e repetitiva de fazer as coisas acontecerem, pelo contrário, ela é uma sucessão permanente de fatos e situações novas e desafiadoras que precisam ser enfrentadas com coragem, talento, perspicácia, sensibilidade e competência.

O autocontrole é absolutamente necessário para que o líder consiga manter, mesmo sob a maior das tensões e das pressões, a capacidade de raciocinar e resolver com sabedoria e assim mantendo as suas emoções sob seu total controle.

Há, no exercício da liderança, um aspecto normalmente esquecido pelos estudiosos deste tema: a solidão. O líder, em muitos momentos da sua vida, é um solitário porque, como está à frente dos demais, não tem, habitualmente, com quem dividir as dúvidas e incertezas que o atacam. Em muitos momentos será preciso tomar decisões sem poder contar com alguém para refletir junto e, elas – decisões – têm que existir naquele momento, porque, caso contrário, a oportunidade terá sido perdida. Esta solidão só será bem administrada se o líder tiver controle total sobre si mesmo.

Um outro importante aspecto da liderança é a administração e a solução de conflitos. A verdadeira liderança é incentivadora dos conflitos porque, para o líder, o importante é que todos contribuam, o tempo todo, com novas idéias, novas soluções, críticas e sugestões; e viver em permanente estado de conflito só é saudável se o responsável maior pelo ambiente se mantiver sob total controle de si mesmo.

O líder eficaz é um incentivador dos conflitos de idéias e é também um competente solucionador de conflitos pessoais. A sua grande habilidade neste aspecto é que ele distingue claramente os fatos das pessoas, e assim pode corrigir aqueles sem magoar ou diminuir a auto-estima dos envolvidos.

A imensa maioria das pessoas que exerce cargos de chefia confunde, lamentavelmente, conflitos de idéias com conflitos pessoais e o resultado desta confusão é que os conflitos precisam ser abafados, porque não há talento para conseguir extrair deles as melhores soluções.

O que é um conflito? É uma oportunidade para fazer surgir uma paz que ainda não existe. Isto só será verdadeiro se houver liderança capaz, mas será uma grande mentira se tal não acontecer. Todo poder tem que ser justificado e exercido com justiça, coragem e ética. A justificativa do poder do líder é ele mesmo, a sua maneira de ser, a sua capacidade de aglutinar pessoas em torno da sua visão, o seu talento para fazer com que todos contribuam para a realização da missão que, a essa altura, já é de todos e não mais apenas dele; enfim, o líder justifica o seu poder através de si mesmo, ou seja, através do seu exemplo.

O líder diz as mesmas coisas que as outras pessoas dizem, mas, na boca do líder nunca são as mesmas coisas porque os resultados são completamente diferentes. O poder hierárquico é justificado pela necessidade de precisar haver um chefe para vários chefiados e quando é exercido com justiça, coragem e ética, assemelha-se muito ao poder exercido pelo líder mas, na maioria das vezes, ele é exercido para impor situações nem sempre ideais para a realização das tarefas e objetivos. O chefe hierárquico justifica o seu poder através do seu cargo e das suas “ligações”; já o líder justifica o seu poder através das suas competências e talentos pessoais para fazer com que todos dêem o melhor de si para o resultado final.

A pessoa que aceita ser chefe jamais será um líder porque estas “posições” são incompatíveis. O líder não é, portanto, um chefe melhorado, mas sim, uma outra dimensão de chefia. Em outras palavras, o chefe se apóia no cargo e o líder em si mesmo. Aí está, mais uma vez, claramente colocada a absoluta necessidade de que, antes de liderar os outros, o líder precisar ter absoluto domínio sobre si mesmo.

* Eduardo Botelho é colunista do Empregos.com.br, consultor e diretor do IPEB – Instituto Profissionalizante Eduardo Botelho.

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