10 / 12 / 2015

Por que é tão difícil falar sobre salário?

A psicóloga Pamela Magalhães explica porque o tema remuneração ainda é visto como tabu e tratado de maneira tão delicada
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http://www.empregos.com.br

Em entrevista à Você S/A, a psicóloga Pamela Magalhães explica o porquê o tema remuneração ainda é algo tão delicado e espinhoso.

1-Por que falar sobre salário é tabu?

Existe uma regra silenciosa de que “ninguém deve falar ou perguntar sobre quanto um ou o outro ganha”.

Em países como o Brasil, em que a desigualdade econômica e, consequentemente, entre os salários é muito grande, abordar essa questão entre colegas ou mesmo com o chefe é por muitas vezes dificultoso.

salariotabu

Em relação à chefia, há frequentemente o receio de desagradar, de não ser o momento certo ou então de tornar sua imagem ambiciosa demais, ou até se jamais questiona o salário pode-se transmitir a ideia de que se é acomodado.

São tantas as dúvidas, mas o que se sente na maior parte das vezes é o receio de colocar o cargo em risco.

Em relação aos colegas de trabalho, falar da remuneração pode ser mais complicado também em razão das competições veladas.

2-Já não é hora desse tabu ser superado? 

Penso que o ideal seria podermos falar abertamente sobre dinheiro, valores, salários. Para então termos a oportunidade de reavaliar nosso desempenho e aquilo que recebemos.

Saber o quanto o colega com o mesmo cargo ganha e se deparar com o fato de talvez ele receber mais do que você, poderia ser um bom incentivo para manter-se mais empenhado e dedicado ao trabalho. Quanto à relação de empregador e empregado, ela seria mais clara, objetiva e profissional.

Porém, não podemos esquecer das peculiaridades humanas, diante de tanta transparência, invariavelmente teríamos reivindicações, insatisfações, discussões em função do contato franco das diferenças, despertando sentimentos comuns do humano, como inveja e competitividade.

3- Como lidar com esse tema espinhoso?

Precisamos ter cuidado e sempre lembrar dos sentimentos existenciais humanos que poderão ser despertados dependendo do modo que dissermos ou mesmo com o que falarmos e para quem.

Encontrar o equilíbrio entre o que falo, para quem digo e quando o faço, pode servir de grande valia para nosso clima organizacional e familiar.

A autopreservação inclui estarmos atentos ao meio e ao que há em nossa volta. Falemos sim sobre insatisfações salariais, conversemos sim com nossos colegas sobre o que sentem e como sentimos quanto ao reconhecimento da empresa sobre nossos afazeres, e até devemos sim observar o melhor momento para abordar a chefia e dividir sensações e possíveis revisões de valores.

Mas, sempre com muito tato, jogo de cintura e ponderação.

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Fonte: Você S/A

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