08 / 02 / 2014

Como montar seu projeto de vida

Ao olhar para o californiano Paul Campbell Dinsmore, um dos palestrantes convidados para apresentar-se na Career Fair 2003, a impressão que se tem é a de estar diante de um brasileiro muito bem-humorado, que vive um caso de amor com a própria vida e o próprio trabalho. Radicado no Brasil há mais de 20 anos, ele consegue reunir dentro de si o alto astral do brasileiro e a disciplina americana, características que aplica em tudo o que faz.
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por Juliana Ricci

Ao olhar para o californiano Paul Campbell Dinsmore, um dos palestrantes convidados para apresentar-se na Career Fair 2003, a impressão que se tem é a de estar diante de um brasileiro muito bem-humorado, que vive um caso de amor com a própria vida e o próprio trabalho. Radicado no Brasil há mais de 20 anos, ele consegue reunir dentro de si o alto astral do brasileiro e a disciplina americana, características que aplica em tudo o que faz.

A experiência de prestar consultoria na área de gerência de projetos empresariais por meio de sua empresa, a Dinsmore Associates, fez com que ele percebesse que poderia usar a mesma metodologia para ensinar pessoas a administrar os planos pessoais. Como não é possível cuidar da carreira sem se preocupar com a vida como um todo, passou a ajudar clientes a montar seus projetos de vida. “A vida é um projeto porque também é única, finita e composta por fases. Temos a opção de simplesmente deixar fluir, ou de fazer as coisas acontecerem”, disse ele ao público da feira de carreira organizada em São Paulo pela revista Você S/A.

Segundo Dinsmore, até chegarmos pelo menos à fase da adolescência, outras pessoas gerenciam nossos projetos de vida, mas a partir dessa fase é possível tomar as rédeas e inclusive consertar o que foi gerenciado de maneira indesejável até então. Também como todo projeto corporativo, o projeto pessoal precisa de metodologia, revisão constante e flexibilidade para incorporar as mudanças necessárias com o passar do tempo.

O primeiro aluno de Dinsmore foi Edson Bueno, presidente da Amil, que no final dos anos 80 precisava dar novo fôlego à empresa. Ele conseguiu isso a partir do momento em que elaborou seu projeto de vida e conseguiu organizar seu próprio tempo, crescer como pessoa e também como profissional, realizar sonhos como o de desenvolver outras pessoas e pensar estrategicamente sobre os negócios. “Para a Amil crescer, todos os colaboradores precisariam aprender, como eu aprendi, a sonhar e planejar. Por isso levei o conceito de gerência de projetos para dentro da empresa. As pessoas que pretendem atingir um sonho vivem mais felizes e com mais energia”, disse Edson em depoimento gravado e apresentado durante a palestra de Paul Dinsmore.

A Amil, que vendia 50 milhões de dólares por ano, já atingiu a marca de 1 bilhão de dólares/ano. Um dos maiores prazeres de Edson atualmente é atuar como palestrante diante dos filhos dos funcionários da empresa, disseminando o que aprendeu.

Dinsmore, que também é autor de 10 livros – o próximo, a ser lançado em 2004, contará sobre sua experiência na gestão de projetos pessoais -, sugeriu durante a Career Fair a utilização da metodologia do “Guide to the PMBOK – Project Management Body of Knowledge”, que é o Guia ao universo de conhecimento em gerência de projetos, publicação do Project Management Institute (PMI), organização sediada na Pensilvânia, Estados Unidos. Segundo ele, essa é a bíblia da gestão de projetos das grandes corporações.

Como começar? “Primeiramente, dividindo a vida em pelo menos 5 áreas: saúde e lazer, desenvolvimento, carreira, dinheiro e família. Precisamos estar bem nesses 5 setores, integrando nossas vontades e necessidades”, ensinou Dinsmore. A seguir você confere as etapas da elaboração de um projeto de vida.

Passo 1: descubra quem você é

Esse é o ponto de partida. Você só chegará a algum lugar se souber quem é e o que quer. Veja algumas perguntas que podem ajudá-lo nessa descoberta:

  • Quais são meus valores básicos?
  • Quais são meus pontos fortes?
  • No que preciso melhorar?
  • Quais as oportunidades que poderei aproveitar?
  • O que ameaça meus planos?
  • Quanto de meu tempo vivo no passado, remoendo ou analisando fatos que já ocorreram?
  • Quanto de meu tempo me dedico a pensar no futuro, sonhando, imaginando, esperando e planejando?
  • E quanto ao presente?

Passo 2: coloque sua missão no papel

Seu sonho pessoal, o significado da sua vida, deve estar muito claro para você. O que pretende ser e atingir nesta vida? A quem pretende fazer bem ou mal? Não se trata de objetivos como “estudar inglês” ou “comprar minha casa”, mas sim do que você espera da vida.

Passo 3: Faça parcerias

Você precisa de outras pessoas para cumprir sua missão e realizar seu projeto de vida. Isso significa que outras pessoas farão parte de seu planejamento. Você precisa de pessoas que o apóiem e seu sucesso depende da qualidade de suas interações com seus parceiros. Por isso:

  • Busque um mentor ou mentores, pessoas que sirvam de exemplo e o orientem em suas decisões.
  • Gerencie seus stakeholders (pessoas envolvidas em seu projeto, que podem dar suporte). Faça uma lista de nomes e especifique o tipo de influência que cada um pode exercer em sua vida. Revise sempre as ações que determinar para aproveitar melhor esses contatos.

Passo 4: crie uma visão para sua vida

Estabeleça metas que pretende atingir e defina o período de tempo em que isso deve acontecer. É fundamental quantificar e especificar ao máximo, para depois poder mensurar os resultados. Por exemplo: “pretendo ampliar minha rede de relacionamentos profissionais de 20 para 50 pessoas, em 2 meses”. Assim poderá saber exatamente se atingiu a meta.

Fique atento para o seguinte roteiro:

  • Inicie com visão de curto prazo, fazendo projeções para daqui a 1 ou 2 anos
  • Amplie os horizontes, planejando seus objetivos para daqui a 5 anos
  • A visão de médio prazo deve atingir os próximos 10 anos e por fim, o planejamento de longo prazo, que vai até a sua aposentadoria

É preciso lembrar que nenum desses planos é definitivo. As coisas mudam e os planos precisarão de adaptações diante das mudanças.

Passo 5: gerencie seu tempo

Talvez essa seja a etapa mais difícil, principalmente nos dias de hoje, que o tempo parece voar diante de nós. Apesar disso, Paul Dinsmore garante que é possível e fundamental, já que isso significa gerenciar a própria vida. “Pense na relação trabalho X tempo. Qual é o recurso mais escasso? O tempo. Então é ele que deve ser administrado, e não a quantidade de trabalho em função da falta de tempo”, disse ele durante a palestra na Career Fair.

Veja a matriz do tempo apresentada por Dinsmore como sugestão para definir a ordem de solução das coisas diante do tempo que você tem disponível:

importante
não importante
urgente
1. crises
3. triviais
não urgente
2. planos
4. desperdício

Importantes são os projetos que têm influência direta sobre os resultados que você pretende atingir. Urgentes são as coisas que devem ser resolvidas rapidamente, mas que não têm necessariamente importância.

As crises devem ser resolvidas imediatamente, porque são urgentes e importantes. É como atrasar a entrega do projeto do seu principal cliente, por exemplo. Os planos são importantes, mas não urgentes – é o caso do desenvolvimento profissional e pessoal. Telefonemas e e-mails são coisas triviais, do dia-a-dia, e por isso são urgentes, mas não importantes. Por fim, há aquelas coisas que não são nem importantes nem urgentes: mania de perfeição, por exemplo.

Segundo Paul Dinsmore, as trivialidades roubam o tempo dos planos. É disso que precisamos escapar, concentrando-nos nas coisas importantes. “Livre-se das coisas de pequena importância, mesmo que urgentes, delegando, descobrindo maneiras rápidas de resolver ou simplesmente deixando para fazer depois”, ensinou ele.

Passo 6: administre suas finanças

Sim, é preciso fazer papel de economista para elaborar o projeto de vida. Faça orçamentos detalhados para as suas metas, determinando a quantidade de dinheiro necessária para realizar cada meta, as alternativas para conseguir essa receita e um plano para administrar os gastos (considerando uma porcentagem extra para os imprevistos). A partir daí, é preciso controlar os custos e compará-los às previsões feitas.

Passo 7: conte com os riscos

Paul Dinsmore também acredita que prevenir é melhor do que remediar. Por isso, ele aconselha a tentar imaginar tudo o que pode colocar seu projeto de vida em risco. Doenças, violência e desemprego são algumas das possibilidades.

Passo 8: junte todas as peças

Esses são os 7 fundamentos que orientarão seu projeto de vida. Agora é preciso gerenciar tudo ao mesmo tempo. Difícil? Pois é, mas tanto nos projetos corporativos como na vida pessoal existe uma conexão forte entre as várias áreas.

Ponha tudo no papel e utilize agenda, computador e todas as ferramentas possíveis para ajudá-lo na organização das idéias e ações. Dá trabalho, mas o mais importante é que dá certo!

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