Satisfação no trabalho: investimento seguro
Condições saudáveis de trabalho incluem justiça, solidariedade, perspectiva de participação, tratamento ético, reconhecimento e valorização de talentos

Por Gisèle de Oliveira

Há bem pouco tempo, felicidade no trabalho era carteira assinada, estabilidade, especialização no que se fazia. Hoje, esse sentimento pode ser traduzido em crescimento profissional, qualidade de vida, ambiente propício para o desenvolvimento de talentos e reconhecimento, entre outras características. Manter-se feliz diante das crises, turbulências e pressões que acometem o mundo atualmente não é uma tarefa fácil, mas deve ser responsabilidade tanto de empresas quanto dos próprios profissionais.

Difícil achar uma definição para felicidade, já que o que pode deixar uma pessoa feliz pode também gerar uma reação completamente contrária em outra e o ambiente de trabalho é o espaço onde vários sentimentos contraditórios devem ser administrados diariamente. “Não é fácil definir felicidade. O que é ser feliz para um não é o mesmo para outro. Precisamos diferenciar o que é ser feliz no trabalho e ser feliz com o trabalho. Nesse cenário complicado, com alto índice de desemprego, para quem está desempregado arrumar um trabalho já é motivo de felicidade. Para quem está empregado o fato de ter um trabalho por si só muitas vezes não basta para se sentir feliz”, afirma Marcelo Alves dos Santos, vice-presidente de RH do Bank Boston e presidente da Fundação Bank Boston.

A felicidade é um sentimento muito subjetivo e para alcançá-la tanto na vida pessoal quanto profissional é preciso haver, antes de tudo, uma pré-disposição individual. “A realização pessoal não pode ser totalmente depositada no emprego e não convém esperar por empresas que patrocinem felicidade”, diz Edina Bom Sucesso, diretora da Ergon - Consultoria e Educação Continuada e membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Qualidade de Vida Nacional.

O que fazer
Por um lado, as empresas podem adotar políticas que melhorem o ambiente de trabalho e propiciem maior bem-estar a seus funcionários. “Condições saudáveis de trabalho incluem a justiça, a solidariedade, a perspectiva da participação, o tratamento ético, o reconhecimento e a valorização de talentos”, afirma Edina.

De acordo com Santos, o aprendizado e a qualidade de vida estão sendo mais valorizados dentro das companhias e, principalmente, pelos profissionais. “Estamos falando em satisfação no trabalho. Alguns fatores contribuem para isso, como o desenvolvimento profissional, mas não se trata apenas de um salário melhor ou uma promoção. Trata-se de evoluir do ponto de vista de aprendizado dentro de uma empresa. A qualidade de vida também tem um papel relevante. Muitas vezes a pessoa se dedica, cresce profissionalmente, mas a um custo muito alto, que é o pouco contato com a família, não ver o filho crescer, não ter momentos de lazer. E isso está começando a pesar muito na hora de avaliar a satisfação dos profissionais”, conta o presidente da Fundação Bank Boston e vice-presidente de RH do banco.

Para Cláudia Falcão, diretora de RH da Natura, “é preciso que as pessoas se identifiquem com as crenças e valores da empresa, para se sentirem parte de algo maior e perceberem que seu trabalho faz diferença no mundo”. Ela acredita que trabalho e felicidade não estão em lados opostos: “Um trabalho desafiador, com oportunidade de desenvolvimento, um bom clima organizacional, com processos transparentes são formas de estimular a felicidade no trabalho. É preciso que as pessoas tenham vontade de aprender e ensinar e que gostem de se relacionar. Na Natura, estimulamos o relacionamento entre as pessoas de diversas formas. Acreditamos que a vida é um encadeamento de relações”, declara.

Retorno garantido
Pesquisas comprovam que pessoas felizes, satisfeitas, produzem mais e melhor. “Se a empresa der espaço, der oportunidade e se preocupar, o nível de satisfação do profissional no trabalho aumenta e pessoas mais satisfeitas são mais produtivas. Isso reflete nos resultados da companhia e acaba criando um círculo no qual todos saem ganhando”, diz Santos.

“Está aumentando a consciência das pessoas. Hoje, elas estão mais mobilizadas e mais críticas do que no passado e as empresas estão começando a olhar o funcionário com outros olhos”, conta o vice-presidente de RH do Bank Boston.

Texto cedido por: Gestão & RH

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