O poder feminino na gestão de pessoas
Mônica Waldvogel comanda talk show com executivas de grandes empresas para discutir a presença feminina dentro das organizações

 

Por Clarissa Janini

Para discutir o poder feminino no ambiente de trabalho, a jornalista Mônica Waldvogel (foto) comandou um divertido bate-papo com três executivas que exercem papel de liderança em suas empresas: Vera Marques, diretora de TI da Basf; Maria Marta de Andrade, responsável pelo programa de desenvolvimento gerencial de vendas da Universidade Martins do Varejo; e Regina Simões Lopes, diretora geral da A. Telecom. Ao introduzir o talk show, Mônica afirmou que há pesquisas que indicam que mais da metade dos cargos intermediários nas empresas brasileiras já estão ocupados por mulheres. Esse fato conduziu a muitas questões, abordadas de forma clara e objetiva pela apresentadora. Confira os principais tópicos discutidos durante a apresentação:

Mônica: Vamos começar falando de forma direta: é melhor trabalhar com homem ou com mulher?
Marta:
É imprescindível haver os dois. Essa mistura gera uma salada gostosa, em que de um lado há a praticidade do homem e de outro a intuição feminina. 

Mônica: Mas vocês acham que falta praticidade às mulheres?
Regina:
Acredito que a mulher funcione trabalhando com a cabeça e o coração, ao contrário do homem, que em geral só usa a cabeça.
Vera: Acho que há o mesmo nível de objetividade nos dois, mas a mulher é capaz de mesclar outras habilidades.

Mônica: Vocês misturam objetividade e emoção nas decisões em grupo?
Regina:
Na A. Telefônica, cerca de 40% dos funcionários são mulheres. Noto que existe uma forma meio extrema nas atitudes das mulheres ao dar um feedback – algumas vezes são muito delicadas, outras são bastante duras. Mas em geral se preocupam em não magoar o outro. O homem, por sua vez, dá um feedback ‘torto', não costuma olhar nos olhos da pessoa.
Vera: A Basf é uma empresa de perfil masculino, e trabalho na área de TI, que é tida como masculina, mas já estamos em meio a meio em termos de sexo. Tento sempre olhar a situação pela capacidade técnica e competências humanas, não pelo sexo da pessoa.
Marta: Onde trabalho, há apenas uma mulher na área comercial, além de mim. Noto que os homens acham que pega mal essa coisa de ‘feedback com amor'. Já a mulher tem uma coisa mais materna, tipo ‘quero que você cresça'. Acredito que, onde há mais mulheres, os homens se desenvolvem mais.

Mônica: Como vocês vêem a competitividade feminina?
Regina:
No mercado, há cada vez mais espaço e oportunidades para ambos os sexos. Acredito que a mulher sofre quando quer competir como um homem, fugindo de sua natureza ao ser ‘durona' demais. Não adianta imitar os homens, você deve fazer uma auto-avaliação de onde quer chegar sendo feliz – e não a qualquer custo.
Marta: Já vi mulheres tentando ser homens e é notório que elas não conseguem evoluir, pois cedo ou tarde têm de se deparar com suas emoções. Cuidado com ‘direitos iguais', eles devem ser aplicados em termos de respeito, e não de atitude. Se perdemos nossa essência, não conseguimos evoluir.
Vera: Quando as mulheres entraram no mercado, copiavam o modelo masculino. Depois que encontraram espaço, ficaram mais tranqüilas e puderam ser elas mesmas. Óbvio que ainda passamos por certas situações machistas, do tipo ‘quem essa mulherzinha pensa que é?', mas estamos conquistando cada vez mais espaço.

Mônica: Li em uma pesquisa francesa que as mulheres que chegam ao topo da vida profissional tendem a sentir mais solidão e são mais propensas à auto-sabotagem. Vocês acham que isso também ocorre no Brasil? Como conciliar bem a vida pessoal e profissional?
Regina:
O dilema trabalho/família é uma escolha, mas dá para conciliar tudo. Para as mulheres é mais difícil, até porque não se questiona um homem workaholic , pois sempre há uma mulher por trás para cobrir as faltas dele em relação à vida familiar. Acredito que as coisas materiais passam, mas o tempo que você aproveitou sempre fica.
Marta: A pessoa não deve ficar se lamentando pelo que passou, afinal fez uma escolha. Não pode se colocar no papel de vítima, tem sim é que assumir suas escolhas. O importante é fazer tudo de forma íntegra. A mulher é plena, vai inteira ao trabalho, não leva só o ‘lado profissional', por isso acho que tem condições de equilibrar todas as áreas.
Vera: A vida é uma questão de escolhas – por isso, faça planos. Apesar dos imprevistos, você deve ter sua vida sempre sob controle. Eu tive a sorte de encontrar um homem que se encaixa no meu modelo. Moramos a 600 quilômetros de distância, mas essa foi a forma encontrada por nós para conciliar a vida pessoal e profissional.

Mônica: Como vocês encaram as diferenças de gerações no trabalho? É algo positivo?
Vera:
Os jovens profissionais que estão entrando no mercado já chegam de igual para igual no trabalho. No futuro, creio que o resultado disso será fabuloso.
Marta: Trabalho com muitos homens e geralmente mais velhos, então o que conta é a minha postura. Ainda há um pouco de barreiras a serem quebradas na área comercial em relação a isso, mas aos poucos estamos conseguindo ter mais espaço.

Mônica: Algumas carreiras são tidas como ‘mais femininas' – como RH, por exemplo. Essa é mesmo uma questão de vocação ou algo cultural?

Marta: Acredito que ainda seja cultural, pois a meta é igual para todos. A liberdade está muito mais na sua mente do que na sociedade.
Vera: A mulher tem capacidade para tudo. Em carreiras em que há excesso de homens, digo que é uma grande oportunidade para as mulheres entrarem.

Mônica: Vocês acham que as mulheres são mais resilientes, ‘agüentam mais os trancos'?
Regina:
É fato que temos mais tarefas, e quando erramos há um sofrimento muito grande. Temos que aprender a aceitar mais os próprios erros e valorizar os acertos.
Marta : É verdade, a mulher costuma tolerar menos os próprios erros.
Vera: Acredito que, se chegamos até aqui, é porque somos resilientes, sim. Mas se a pessoa precisar, acho que um trabalho de coach ajuda a suportar melhor as pressões.

Mônica: Para terminar, o que vocês acham que foi o ‘pulo do gato' que vocês deram em suas carreiras para chegar onde estão?
Regina:
No meu caso acho que foi saber tirar o melhor de cada pessoa e estar no lugar certo fazendo a coisa certa.
Vera: Tudo o que eu faço é com paixão. Desde o início sempre dei o melhor de mim.
Marta: Tenho uma grande habilidade em me relacionar, e isso virou paixão por desenvolver as pessoas, entendê-las e ajudá-las a evoluir.

 

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