Investimento em educação dá retorno
Quando o discurso se comprova na prática e o que fazer na educação
Por Gisèle de Oliveira
A educação nos âmbitos pessoal, profissional, corporativo e nacional foi o tema de mais uma palestra simultânea do terceiro dia do Conarh 2006. Para falar sobre um assunto tão importante, o evento contou com Gustavo Ioschpe (foto), articulista, consultor de projeto do Banco Mundial/PNDU para o Ministério da Educação do Brasil e consultor da G7 Investimentos, e com Regina Steinas, diretora de RH da Martin Brower. Ambos convidados deixaram claro que o tema da palestra – “Investimento em educação dá retorno” –, mais do que uma afirmação, é uma certeza absoluta.
“Claro que dá retorno”, disse Ioschpe. “O retorno da educação é muito claro. Quanto mais educado, maior o salário. O retorno é bastante, independentemente do nível de educação e do local onde se estudou. Estamos falando de retorno privado, para o indivíduo. O ensino primário dá um retorno de mais de 20%. Nenhum investimento do mundo dá um retorno tão grande. No Brasil, quem tem um ano de ensino superior ganha de 16% a 20% a mais do que quem não tem”, destacou ele.
Retorno da educação no Brasil
Apesar da notoriedade da importância da educação, o consultor apresentou números e informações lastimáveis do ensino brasileiro.
- 74% da população brasileira não conseguem entender um simples texto (INAF/2005).
- 32% de nossas crianças repetem a 1ª série do ensino fundamental. Na Europa e Estados Unidos o índice é perto de zero. No México é de 9%. Na 2ª série esse número cai, mas ainda é muito alto, 19%.
- Apresentamos alta taxa de defasagem de idade. Aos 14 anos, 64% dos alunos são defasados.
- Temos baixa taxa de escolaridade da população. População adulta: 6,3 anos. Na parcela mais pobre esse número cai para 3,8 anos na escola.
“A diferença do Brasil para outros países é colossal. O número de analfabetos funcionais que possuímos é o mesmo de bacharéis em outros países”, contou Ioschpe. “Esses países se deram conta que precisariam de uma massa competitiva e por isso investiram na educação. Sem educação não há competição. Se o Brasil continuar como está atualmente, não teremos condição de competir no mercado mundial em cinco, dez anos”.
Chega a ser alarmante e incompreensível a falta de estruturação da educação brasileira. Confira mais alguns dados:
Educação e economia
Assim como é de conhecimento geral, Ioschope também aponta a falta de qualidade do ensino fundamental como uma das grandes falhas do sistema educacional brasileiro. “A elite coloca os filhos na escola particular e se despreocupa com a qualidade da escola pública. Normalmente, os pais de filhos que freqüentam a escola pública não conseguem reivindicar a melhoria do ensino. Os professores culpam os alunos e não reconhecem suas falhas”.
Ioschope deixou algumas sugestões para esse quadro começar a ser mudado:
- Cobrar mensalidade dos alunos ricos nas universidades públicas e transferir o recurso para a educação básica.
- Fim do desconto no IR para gastos com educação privada.
- Criação da Lei de Responsabilidade Educacional – vincular repasses dos governos Federal e Estadual à melhoria na qualidade do ensino.
O que deu certo na Martin Brower
Para Regina Steinas, “o RH tem de convencer presidentes e diretores da importância da preocupação com os indivíduos da empresa. Investir no capital humano é o principal investimento das companhias. Seja em forma de treinamento ou educação continuada, valorizando as diferenças e competências”.
Embora Ioschope e Regina acreditem que as empresas privadas não possam assumir a responsabilidade do governo com relação à educação da população, eles compartilham a idéia de que ao investir em educação dentro da companhia é possível ajudar o País a crescer.
Regina destacou alguns fatores que foram importantes na Martin Brower:
Organização competitiva e de qualidade
- Definição de estratégias de mudanças.
- Tecnologia e equipamento de última geração
Capacidade de aprendizagem em equipe
- Necessário no desenvolvimento organizacional.
- Força criadora e o raciocínio sistêmico.
Importância da educação continuada no trabalho
- Qualidade profissional e constante.
- Exigência prioritária no mercado de trabalho.
2 Crenças:
- Toda intervenção tem de ser feita por meio das pessoas. “Nenhum benefício é maior do que o conquistado através das pessoas certas nos lugares certos”, disse a diretora de RH da Martin Brower.
- Educação é a raiz da produtividade e competitividade empresarial.
“Ganhamos três prêmios do grupo, provando que investir em educação continuada dentro da empresa dá resultado”, completou Regina.
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