Gestão do capital humano - o desafio da transformação
Caminhos para utilização do capital humano como recurso estratégico na sociedade
Por Clarissa Janini
Dando início ao primeiro dia do Conarh 2006, Ralph Arcanjo Chelotti, presidente da ABRH Nacional, prestou uma homenagem aos presidentes das 19 seccionais da ABRH, convidando-os ao palco. “Somos todos voluntários para tentar fazer o melhor possível pela gestão de pessoas em cada Estado brasileiro”, afirmou. Em seguida, Walter Sigollo, presidente da ABRH-SP, introduziu e explicou aos participantes o tema do congresso deste ano, “Transformar para competir”. “Vemos a palavra competição com olhos meramente mercadológicos, de marketing e vendas, mas quem realmente torna as empresas competitivas são as pessoas”. Emendando o pensamento, Luiz Edmundo Rosa, diretor geral do Conarh, afirmou que essa transformação começa com cada um de nós. “Competir é, antes de tudo, fazer hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje”.
Após as solenidades de abertura, o público pôde conferir a primeira palestra magna do Conarh. Para discutir o tema “Gestão de capital humano – o desafio da transformação”, a organização do evento escalou o ex-ministro da fazenda, embaixador e professor Rubens Ricupero (foto). Passando por temas como corrupção, educação e progresso, ele abordou o termo RH de forma mais ampla, ultrapassando as fronteiras das organizações. “A qualidade em Recursos Humanos é condição fundamental para uma sociedade complexa como a nossa se desenvolver”. Ele comparou países apontados como os menos corruptos do mundo (como Islândia e outras nações nórdicas) à realidade brasileira. “O que os dez países menos corruptos têm em comum? São desenvolvidos, homogêneos, competitivos e em que a educação ocupa papel central”. O Brasil, por sua vez, possui uma sociedade culturalmente heterogênea – o que já torna maior o desafio do desenvolvimento – e, somando-se a isso, há o agravante da falta de investimento na educação. Como conseqüência, os Recursos Humanos do País, em geral, tornam-se pouco efetivos e de qualidade inferior.
Educação e economia: parceiras
Apesar de especialistas apontarem com unanimidade a educação como o principal vetor de desenvolvimento de uma nação, Ricupero lembrou que ela deve sempre estar acompanhada de uma economia sustentável. “Só a educação não faz milagre. O desenvolvimento deve unir tanto valores humanos quanto econômicos”. Ele também abordou a instrução dos trabalhadores dentro das corporações e o quão eficazes são os programas de treinamento interno. Segundo o ex-ministro, a empresa pode até treinar e preencher gaps na educação de seus colaboradores – mas só até certo ponto. “O material humano deve estar pré-educado, senão o custo das empresas aumentaria consideravelmente. Até porque não é papel das organizações fazer o que é função do sistema escolar”.
Ricupero também comentou sobre as novas relações de trabalho no mundo e quais as vantagens que podemos obter dessas mudanças. “Enquanto alguns setores desaparecem, novos surgem e devem ser aproveitados”. Como exemplo, ele destaca os serviços do tipo “ care ”, que nada mais são do que tarefas anteriormente delegadas às donas-de-casa: cuidar das crianças, cozinhar, limpar, etc. A saída das mulheres para o mercado possibilitou o surgimento desse novo nicho de oportunidades. “Hoje há dois extremos no mercado: de um lado, profissionais cada vez mais especialistas e altamente gabaritados. De outro, trabalhos de serviços que anteriormente não eram remunerados”. Ricupero concluiu afirmando que nos dias de hoje não existe mais emprego para a vida toda e quem quiser estar ativo no mercado deve aprender a ser flexível com as novas relações de trabalho.
Excelência na comunicação
Outra atração do primeiro dia de evento foi a consultora norte-americana Dianna Booher, que apresentou a palestra “Ações e soluções para feedbacks excepcionais: estratégias de comunicação pessoal e organizacional eficazes”. Ela mostrou ao público que nem sempre a comunicação interna nas empresas é feita de modo claro e preciso. “Porque é tão difícil se comunicar bem? Porque às vezes as pessoas só escutam o que querem”, afirmou. Além de fatores básicos como dizer sempre a verdade e usar a pronúncia correta, ela elaborou um sistema capaz de tornar as explicações mais eficazes: o formato SEER®. Em uma conversa, siga os passos apontados por Dianna para que seu discurso e idéias sejam totalmente captados pelo ouvinte:
S: Faça um Sumário
E: Elabore o discurso
E: Dê um Exemplo
R: Reforce a idéia