Virei gestor de pessoas, e agora?
Diretores de RH contam como iniciaram a carreira e como exercem a liderança servidora dentro da empresa

Por Clarissa Janini

Iniciar uma carreira em Recursos Humanos nem sempre é algo planejado. Miguel Angel Bermejo, diretor de RH do Grand Hyatt São Paulo e responsável pelo RH da Hyatt Internacional para a América Latina, tem formação em história e sempre atuou com marketing. Quando surgiu a oportunidade de trabalhar na área de RH, ele titubeou por um instante, mas acabou aceitando o desafio. “Quando comecei o trabalho, não tinha feito planos e fiquei angustiado. Descobri que as pessoas esperam muito do RH”. Ele e João Dornellas, diretor de RH da Nestlé Brasil, contaram suas experiências ao público no seminário “Gestão de Pessoas: nossos acertos, nossos erros”, ocorrido recentemente na Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil). “A gente sempre pensa que trabalhar com pessoas não é complicado, mas depois descobre que não é bem assim”, afirmou Dornellas, em relação ao início de sua carreira. Bermejo também precisou de tempo para se adaptar à profissão, mas hoje está mais do que satisfeito. “Descobri que o gestor de pessoas é aquele que bate a foto, e não quem aparece nela”.

Os palestrantes também deram dicas para quem pensa em iniciar a carreira na área. “O tempo de trabalho será cada vez maior. Por isso, o aprendizado contínuo é vital”, afirmou o diretor de RH da Nestlé Brasil. Bermejo complementou as afirmações do colega dizendo que, hoje em dia, “o conhecimento em si próprio é mais válido que o conhecimento do outro”. Ainda de acordo com ele, os gerentes e diretores de RHs não devem ter receio algum em contratar profissionais de outras áreas para o exercício da função. “Rejeitar um profissional de outra área é um grande erro, especialmente se ele tiver experiência em comunicação”.

Liderança servidora na gestão de pessoas
Método difundido por James Hunter no livro O monge e o executivo (leia entrevista e matéria), a liderança servidora também foi tema de palestra no seminário da Amcham. Lais Passarelli, sócia-diretora da Passarelli Consultores Associados, dividiu o palanque com Marcos Nascimento, diretor de RH da EDS. “O líder servidor inspira os outros com seu comprometimento, não legisla em causa própria e é um exemplo de bom relacionamento”, afirmou a consultora. “Ele provê aos servidos o que precisam para se desenvolver física e emocionalmente”.

Nascimento, por sua vez, afirmou que vivemos uma crise em todos os tipos de liderança – seja no trabalho, na família ou na religião. “Quando alguém lida bem com algo , geralmente é promovido a lidar com gente . E o perigo está justamente aí, quando o profissional não está preparado e passa a ‘coisificar' pessoas. E é mais fácil ‘coisificar' os outros do que mudar seu modelo mental”. Lidar com a situação requer disposição e vontade para se transformar. “É preciso coragem para negociar minhas vaidades e abrir mão do resultado pessoal”. Ele citou como bom exemplo a “gestão oftalmológica”, que preza por foco e nitidez. “O líder não pode ser míope, mas deve ser estrábico, ou seja, ter um olho nas pessoas e outro nos negócios”.

 


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