RHs discutem ética e demissão nas empresas
Líderes no setor compartilham suas visões com o público em evento promovido pela Amcham

Por Clarissa Janini

O seminário “Gestão de pessoas: nossos acertos, nossos erros”, ocorrido na Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), reuniu grandes nomes do RH nacional para discutir temas vivenciados no dia a dia da profissão e compartilhar experiências com o público. A palestra “Ética na gestão de pessoas” trouxe as opiniões de Vicente Picarelli Filho, sócio da Deloitte Touch Tohmatsu, e Márcia Costa, diretora de RH do McDonald's. Picarelli introduziu o assunto citando as origens do termo “ética” (do grego ethos , que significa costume ou conduta) e diferenciando sua aplicação em determinados tipos de organização. “O que impede o exercício da ética é a estrutura de cada empresa. As mais tradicionais costumam ainda ter a visão de que pessoas não geram lucro”. Quando ações antiéticas já estão sendo propagadas na organização, “os colaboradores precisam ter liberdade de escolha, pois todos são responsáveis pela governança, mas os líderes têm função guiadora e executora”.

O público enviou diversas perguntas à diretora de RH do McDonald's, especialmente envolvendo polêmicas em relação à rede de fast food. “Como a questão do fat food influencia os colaboradores?”, perguntou um dos participantes. “Nós oferecemos opções de refeição, e não refeições únicas”, respondeu Márcia. “Nossos colaboradores também têm a opção de consumir ou não nossos produtos”. Ela ainda afirmou que o maior desafio no RH da empresa é tornar os jovens gerentes das franquias verdadeiros líderes. “Por serem muito novos, às vezes cometem injustiças em demissões ou promoções”. Para tentar contornar a situação, a equipe de RH criou grupos de discussão com os franqueados para debater essas questões. “O papel do RH é o de promotor do que é estabelecido, da ética”.

Demissão em debate
O público participou ativamente do evento como um todo, mas a apresentação que mais motivou perguntas aos palestrantes foi, certamente, “Demissão: erros e acertos”. Elaine Saad, diretora de transição de carreira para América Latina da Right do Brasil, moderou a exposição de Leonardo Bissoli, diretor de gestão de pessoas da Visteon Sistemas Automotivos, e Cibele Castro, diretora de RH corporativo da General Eletric Brasil. Após uma breve introdução ao assunto, inúmeras perguntas já chegavam às mãos da moderadora para serem respondidas pelos palestrantes. Confira, abaixo, as principais dúvidas dos participantes e as respostas sugeridas pelos profissionais.

  • No processo de demissão, dá para falar sempre a verdade ao profissional que está sendo desligado?
    Cibele respondeu que as pessoas devem saber se preservar, mas que a verdade sobre a demissão pode ser, sim, mantida sempre e para todos. “Os colaboradores sabem o que se passa na empresa. Se mandamos uma mensagem dúbia, como fica nossa credibilidade?”.
  • Como desligar o líder quando ele é o responsável pelos problemas da empresa?
    Para os palestrantes, essa decisão deve ser tomada com base em fatos e ter o consentimento de todas as áreas. “Colete dados negativos sobre o líder, reúna todos os departamentos e comunique a decisão a ele”, sugeriu Bissoli. “Presidente também é demitido”, completou Cibele.
  • Como demitir alguém extremamente esforçado, mas que não atinge resultados satisfatórios?
    “A pessoa precisa saber se esse esforço está sendo feito da maneira certa, no lugar certo”, acredita Bissoli. Para Cibele, “investir mais nem sempre é investir melhor. Nesse caso, o feedback constante é uma boa alternativa para dar uma chance a mais para a pessoa ou demiti-la sem cometer injustiça”.
  • Como o RH deve lidar com o medo dos colaboradores em serem demitidos?
    A instabilidade empregatícia da atualidade gera constante medo e dúvida em relação ao futuro da carreira na maioria dos profissionais. “Quando há demissões na empresa, os que ficam podem sentir que são os próximos. Deve existir um programa sobre transição de carreira para preparar a pessoa para o futuro”, afirmou Bissoli. “Devemos passar para os colaboradores a idéia de que deve haver um plano B, sempre, porque hoje em dia não há mais garantia de empregabilidade”.
  • Quais são as atitudes e comportamentos que facilitam a demissão?
    A diretora de RH da General Eletric disse que em uma pesquisa sobre demissão realizada na empresa foram apontadas as características que mais contribuem para o desligamento de um profissional: arrogância, falta de integridade, inflexibilidade e erros políticos.

 


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