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Você S.A.: O verdadeiro diferencial competitivo
por Juliana Ricci

Irreverência e bom humor marcaram a apresentação de Wilson Mileris, especialista em comportamento humano e motivação que se apresentou no terceiro dia do 14º Coparh - Congresso Paulista de Recursos Humanos, em Sorocaba, SP.

A partir do tema "Você S.A. - o verdadeiro diferencial competitivo", Mileris mostrou de maneira dinâmica e com a ajuda de recursos visuais e musicais que nós somos formados por um conjunto de áreas e por isso, somente cuidando de todas elas é que estaremos em equilíbrio e prontos para encarar os desafios profissionais.

"Eu não vou fazer uma abordagem puramente profissional, porque nós somos a soma do lado pessoal com o profissional e principalmente porque o pesadelo social em que vivemos hoje está concentrado no conceito de pessoa", avisou ele logo no início da palestra.

Para provar sua teoria, Mileris mostrou as áreas que nos compõem e o motivo pelo qual devemos cuidar de cada uma delas:

  • Financeira: nós trabalhamos basicamente porque precisamos de dinheiro, por isso é preciso cuidar do bolso
  • Mental: nós precisamos de conhecimento, e também adquirir capacidade de lidar com as frustrações, de entender o outro e organizar as idéias
  • Social: não somos uma ilha, vivemos numa aldeia global, portanto precisamos nos adaptar à vida em sociedade e saber lidar com pessoas. "Quantos de nós são capazes de dominar técnicas mas têm dificuldade de administrar pessoas?", questionou o consultor. "Podemos trabalhar as pessoas como recursos ou como pessoas. Eu prefiro a segunda opção e aí está o desafio dos gestores de Recursos Humanos", afirmou.
  • Familiar: fazemos tudo pela família e trabalhamos em função dela, por isso é impossível desassociá-la das outras áreas. Muitas vezes, segundo Mileris, transferimos para o ambiente profissional comportamentos e conceitos gerados no ambiente familiar
  • Espiritual: "não é uma questão de religião, mas de um fundamento que precisa ser resgatado nas empresas para que seus diferenciais se concretizem: a fé". Para o palestrante, a crença incondicional na empresa, nos acionistas, nos funcionários e nos negócios é o caminho da plenitude profissional

Já que a convivência em grupo é fundamental, como então trabalhar as outras pessoas como pessoas e não como recursos? "Com amor, respeito e confiança, a trilogia capaz de nos fazer prosperar com qualidade de vida", garantiu Mileris. Para ele, esse é um trabalho árduo, de conscientização interna, uma vez que o amor e a confiança são conflitantes com o mundo do capital. "Se o presidente da empresa faz algo com o qual você não concorda, ou se o diretor é 'cabeção', tente fortalecê-los, ajudá-los, em vez de colocar barreiras", sugeriu.

A mudança vem de dentro

A origem da dificuldade em colocar o amor, o respeito e a confiança em primeiro plano, e de aceitar as outras pessoas como elas são, agindo e reagindo positivamente aos problemas, está, segundo Wilson Mileris, dentro de nós mesmos. "A personalidade humana é um conjunto de características que se exteriorizam em forma de atitudes. Quando repetidas insistentemente, a satitudes tornam-se hábitos, realizados automaticamente, sem reflexão. Daí se formam nossos valores e nossas crenças. Esse processo acontece de maneira diferente nas pessoas e se não fossem essas diferenças, seríamos apenas robôs trabalhando. Por isso é preciso respeitar e aceitar o outro da maneira como ele é", disse o especialista.

Para que isso seja possível, Mileris propõe uma avaliação desses hábitos arraigados, que muitas vezes podem não estar mais trazendo respostas satisfatórias para nossas necessidades. "Paradigmas, ou padrões, são aquilo que estabelecemos como bom para nós, e que repetimos automaticamente porque estão alojados em nosso subconsciente. Mas quem disse que eles serão bons por toda a vida?" questionou. Para exemplificar, Mileris lembrou dos gerentes que quando são repreendidos pelos superiores, descontam na equipe. Se o grupo estava bem, ficará fragilizado. Esses gerentes são incapazes de amortecer os impactos, porque já têm em si o hábito de atribuir a terceiros a culpa por suas falhas.

Segundo o consultor, uma das responsabilidades área de Recursos Humanos é traduzir positivamente para a diretoria da organização aquilo que capta do mercado. Então, se os profissionais de RH não revisarem seus hábitos negativos, essa tradução também será negativa, e se refletirá em toda a empresa. Outro pensamento que deve permear a mente de quem atua em RH é o de que a própria empresa, que é um conjunto de pessoas, tem vários padrões a serem reavaliados. É preciso saber onde se alojam, ou seja, onde está o subconsciente da empresa, para que sejam melhor trabalhados.

"Nós precisamos preparar nossos gerentes e funcionários para lidar com mudanças, com novos cenários, e isso só se consegue com harmonia e revisão de hábitos arraigados. Mas nós temos um paradigma de que o mais forte vence o mais fraco, porque o capitalismo assim definiu. Não é verdade que crescemos em função da guerra. As maiores evoluções da humanidade se deram com base na cooperação. Por isso a minha proposta é a da humanização", declarou Mileris.

Referência na família

Entender os nossos semelhantes e respeitá-los, em busca de harmonia, é algo que começa em casa. Por isso não há como ter equilíbrio, e consequentemente sucesso profissional, se não olharmos para o que acontece debaixo de nosso teto.

Wilson Mileris lembrou, durante sua palestra no 14º Coparh, da história de um advogado que não entendia as atitudes do filho. Certa vez, ao entrar no quarto, o filho estava ouvindo rock pesado e o advogado tentou convencê-lo de que aquilo não era música. "O que é música então, pai", perguntou o filho. "Você já ouviu Silvio Caldas?", perguntou o pai. Diante de uma sonora gargalhada da platéia, Mileris mostrou que os mais velhos precisam respeitar a nova realidade em que vivemos. "Quer torturar um jovem? Diga a ele que se tirar nota C na prova, terá que ouvir o CD inteiro do Silvio Caldas. Se tirar D, será o CD inteiro. Ele cola e tira B", brincou o palestrante. "Os jovens de hoje vivem diante de outras referências, assim como o advogado também adquiriu as suas durante sua juventude. É uma questão de respeito não querer impor os próprios valores, principalmente diante da velocidade das mudanças que vivemos", disse.

Da mesma maneira, os líderes são responsáveis pela harmonia nas empresas, uma vez que devem confiar em seus colaboradores e respeitar sua visão de mundo. "Assim como pais que não entendem a mudança de padrão da sociedade não confiam nos filhos, líderes que não orientam, mas somente cobram e impõem sua opinião, criam indivíduos dependentes", garantiu Mileris.

Ao encerrar sua palestra, Mileris lembrou que atitude para resultados se consegue por meio de atitudes positivas diante das coisas, planejamento e acompanhamento de metas e auto-motivação. "Tenho observado gerentes ainda equivocados com relação a tudo isso, sendo que o mecanismo é muito simples: amor, respeito e confiança. As faculdades não congregam pessoas em torno de uma causa, incentivando a oxigenação cerebral constante. Isso só depende de nós", concluiu.

 

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