(19.10.09)

Internet no expediente

Diminui o tempo de acesso a sites não corporativos durante o horário de trabalho, revela pesquisa da Websense.

Por Rômulo Martins

A web 2.0 avança e os computadores tornam-se mais acessíveis. O tempo gasto no uso de sites não corporativos durante o expediente, por sua vez, cai pela metade no Brasil em comparação com 2008, revela a pesquisa Work@Work da Websense, realizada com gerentes de TI e funcionários do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e América Central. A pergunta a se fazer é: as empresas estão ampliando cada vez mais seus “filtros de segurança” para se proteger dos hackers e garantir a produtividade ou os profissionais estão mais “maduros” na utilização da web durante o trabalho?

“Hoje em dia, os departamentos de Recursos Humanos estão dando mais importância para a questão do bem-estar do que necessariamente para o controle rígido de horário. À medida que as ferramentas da informática expandem, a questão de bloquear um conteúdo ou não passa a ser uma decisão corporativa”, explica Fernando Fontão, gerente de engenharia de vendas para a América Latina da Websense.

Outro fato inegável é que os computadores estão mais baratos e presentes na casa dos brasileiros. A familiaridade com a internet também dinamiza o seu uso para fins pessoais no trabalho, o que diminui o tempo gasto em sites não corporativos durante o expediente. “A quantidade de ataques na web aumenta muito e existem certos tipos de conteúdo que os usuários sabem que ao acessar seus computadores serão contaminados e eles terão dor de cabeça. Então as pessoas estão começando a se preocupar e a compartilhar do cuidado com a segurança”, acrescenta Fontão.

Ferramenta útil
No Brasil, os sites financeiros e de internet banking que encabeçavam a lista dos mais acessados em 2008 perderam o posto para os sites de notícias. Este ano, 96% dos funcionários entrevistados disseram acessar sites de notícias e 66% sites financeiros e de internet banking durante o horário de trabalho. O segundo lugar ficou com os sites governamentais, que atingiram os mesmos 74% do ano anterior. Considerando todos os países pesquisados, merecem destaque os acessos aos sites de meteorologia (56%) e serviços de mensagens instantâneas (36%). Ambos aparecem entre os primeiros da lista.

Para Fontão, serviços de internet banking que estão disponibilizados 24 horas por dia estão sendo utilizados pós-expediente. Já o acesso a serviços públicos que possuem restrição de horário tende a aumentar, diz ele.

Fontão revela ainda que o uso das redes sociais pode ser saudável no ambiente corporativo. Segundo ele, as empresas começam a perceber a necessidade de os colaboradores ficarem atualizados sobre os acontecimentos pessoais e algumas corporações estabelecem “cotas de tempo” para este fim. Ferramentas utilizadas para recrutar – como orkut, linkedin, facebook – também ajudam a aliviar a ansiedade, afirma o gerente da área de engenharia de vendas.

“Não importa se é para o bem ou para o mal, a internet e os hábitos dos funcionários na rede mudam constantemente, porque os tipos de informação mudam, os serviços disponíveis também mudam. O importante é que os gestores de segurança da rede saibam que não podem arriscar. A única forma de saber o que está acontecendo é com o uso da tecnologia, ou seja, de uma ferramenta que possa mensurar resultados”, conclui.

Percepção dos gestores
Enquanto os funcionários brasileiros dizem passar 1,91 horas por semana (23 minutos por dia) em páginas não corporativas durante o expediente, os gestores de TI acreditam que eles ficam 5,3 horas por semana em sites não relacionados ao trabalho.

Para o analista de suporte da GXS Brasil, Bruno Basaglia, a liberação ou o bloqueio de conteúdos deve ser feito com base na área de atuação do profissional a fim de que os acessos à web venham favorecer a produtividade no trabalho. “O resultado da pesquisa Websense revela que as empresas brasileiras utilizam com mais força ferramentas de ‘filtros de segurança’, já que a maioria dos funcionários ainda não sabe fazer o bom uso de sites não corporativos durante o expediente”, explica Basaglia.
Receba informações no seu e-mail sobre RH e o mundo corporativo