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(14.12.09)
A educação corporativa no Brasil é tímida?

Diante da competitividade do mercado, pesquisa da USP revela que investimento na formação de profissionais está restrito às empresas de grande porte.

Por Rômulo Martins

O cenário globalizado e a competitividade nos negócios fazem as empresas perceberem que a formação contínua dos profissionais são, em parte, de responsabilidade delas próprias. A razão desse entendimento é óbvia: o turbilhão de incertezas e de rápidas mudanças pelo qual passa o mercado dificulta o delineamento claro sobre suas nuances, portanto, quem quiser sobreviver nesse quadro precisa investir na prática coordenada de gestão de pessoas e do conhecimento, tendo como orientação a estratégia de longo prazo.

Mais que treinar ou qualificar, as organizações devem articular coerentemente as competências individuais e organizacionais em seu contexto mais amplo com a implantação de programas de educação corporativa. Apesar de a conjuntura ser esta, um estudo da USP (Universidade de São Paulo) revela a necessidade da ampliação dos projetos voltados à formação dos colaboradores no ambiente corporativo.

Segundo a pesquisa, a educação corporativa no Brasil está restrita às grandes empresas. Das instituições ouvidas pela universidade, 70% das que investem em formação possuem mais de mil colaboradores. “Infelizmente isso ainda é verdade, visto que grande parte das micro e pequenas empresas ainda têm por trás empreendedores que empreendem por ‘necessidade’ e não por ‘oportunidade’”, afirma Cristiane Rebelato, gerente do Sebrae São Paulo. Para Cristiane, o erro está em buscar resultados imediatos para o negócio, deixando a formação dos funcionários em segundo plano. 

O estudo da USP mostra também as tendências atuais da educação corporativa. São elas:
a) uso contínuo das tecnologias de informação;
b) parcerias com outras companhias para formação de universidades setoriais;
c) integração entre ações da educação corporativa e as demais áreas da empresa;
d) consolidação de práticas existentes no mercado.

Diretor de Operações da Human Brasil, o consultor de Recursos Humanos Fernando Montero da Costa, afirma que as companhias precisam analisar cada um desses apontamentos com cautela antes de colocarem suas ideias em prática: “As empresas devem se informar antes de implantar programas de educação corporativa. Devem avaliar o conteúdo e verificar se o mesmo é adequado. Nem sempre aquilo que o mercado adota vem de encontro às necessidades das organizações”.

Segundo o consultor, as empresas passam a adotar plataformas e-learning para disseminar o conhecimento entre os seus colaboradores, já que esse processo de aprendizagem tende a ser mais veloz. Por outro lado, o aprendizado pela internet exige disciplina, por isso o RH deve estar atento ao desempenho dos funcionários, realizando o acompanhamento das atividades de formação com o gestor de cada área, aconselha Costa.

Parcerias
Para Cristiane, do Sebrae São Paulo, realizar parcerias entre empresas do mesmo ramo ou universidades e institutos de pesquisa pode ser uma maneira eficaz de investir na formação dos colaboradores. “Isso demonstra o amadurecimento dos empresários, quanto à questão de associativismo e cooperação, que tem conseguido enxergar em seu concorrente uma possibilidade de atuação conjunta que pode beneficiar a ambos”, diz.

No entanto, para a ação surtir o efeito desejado é preciso alinhar o conteúdo e o formato dos programas ao perfil da organização. “Criar produtos altamente sofisticados em universidades pode ser arriscado. Cabe ao RH ou ao gestor que patrocina o projeto fazer a sintonia entre empresa, instituição de ensino e profissionais de tecnologia da informação”, orienta Fernando Costa, da Human Brasil.

 

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