Como conseguir resultados extraordinários                 com pessoas normais           
Em evento da HSM, Jeffrey Pfeffer afirma que somente pessoas
bem gerenciadas e valorizadas conseguem surpreender

Por Priscila D'Amora

Por maior que seja a organização e por mais alta tecnologia que ela detenha existe uma máxima da qual não podemos fugir: são as pessoas a principal matéria-prima de uma empresa e, como qualquer matéria-prima, precisam ser bem lapidadas para render o que se espera delas.

Vários mitos cercam a idéia de quais são as verdadeiras habilidades necessárias para ser bem sucedido. Em evento organizado pela HSM, Jeffrey Pfeffer afirmou que as empresas pecam em itens como: copiar modelos de excelência e ter em mente que o funcionário é sinônimo de custo. Com isso, é muito difícil obter ótimos rendimentos.

Em princípio segue uma sugestão em forma de alerta: “Nem pensem em copiar os Estados Unidos!” Quando um empresário pensa em poder, desenvolvimento e grandeza, uma imagem vem à mente: copiar bons exemplos de países desenvolvidos é a chave do sucesso. No decorrer da palestra, Pfeffer apontou dados para justificar essa afirmação.

“Somente 14% dos trabalhadores norte-americanos se dizem satisfeitos com seu trabalho e 25% deles dizem que só comparecem ao serviço por causa do salário”.
Entre janeiro de 2004 e janeiro de 2005, 24% pediram demissão voluntariamente. A desconfiança da gerência atingiu níveis epidêmicos, cerca de 50% da força de trabalho não acredita no que a administração lhes diz. Outro indicador é a intimidação no local de trabalho (ofensas verbais). Promessas quebradas em relação a planos de saúde, benefícios médicos, pensões, distribuição desigual das recompensas organizacionais e gestão excessivamente hierárquica e autoritária, definitivamente não tornam os EUA um dos melhores exemplos a serem seguidos.

Todo gasto com a qualidade de vida dos funcionários não é em vão. Esse conceito vem da idéia de que salários baixos consequentemente geram mão–de-obra mais barata, diminuem os encargos e ainda por cima há uma torcida para a ausência de regulamentação governamental que permita mais flexibilidade para a empresa. Se aparentemente existe algum ganho com essas atitudes, são ganhos a curto prazo.

As causas de sucesso das empresas são investimentos em educação e habilidades. Isso não significa que ela esteja preparando seu funcionário para a concorrência, pelo contrário: você ganha uma força de trabalho dedicada e envolvida.

Na era dos consultores
Em meio à turbulência, um recurso muito utilizado atualmente é a busca por especialistas que possam trazer soluções “mágicas” para resolver todos os problemas.

A ajuda de especialistas é muito importante, mas nada melhor do que as próprias pessoas envolvidas no processo para saberem o que é bom ou ruim para eles.

“Os consultores falam o que os concorrentes fazem, parecem abelhas que vão levando o mel de lá para cá. Esses conselhos servem para você saber o que seu concorrente faz, não trazem elementos inovadores e nem tão pouco prestam atenção no que você precisa. Assim se chegará à média e não ao topo”.

Conseguir resultados através das pessoas
Bom senso é o que as pessoas teriam se não se dedicassem apenas às dificuldades de administração. “Desde 1972 sou professor universitário. Para mim, um educador precisa pensar em coisas que de outra forma não pensaríamos. Desafiar e discordar: se as pessoas concordam com a mesma coisa uma delas é redundante”. Com redundâncias não conseguimos excelentes resultados.

Analisando economicamente, 70% das fusões fracassam porque não conseguem criar valor para as empresas agregadas. “Quando você demite funcionários as redes de relacionamento se quebram e isso não é bom e nem funcional”.

Pode parecer muito complicado, mas se houver estimulo da capacidade intelectual, bem como do componente criativo, não demora muito e o resultado começa a aparecer de maneira eficaz.

Invista no seu pessoal
Ter entendimento dos valores e cultura da empresa é o caminho para uma seleção correta e assim é dado o primeiro passo para ter consigo pessoas eficientes. O segundo passo é investir em treinamento e desenvolvimento.

Vale a pena seguir algumas dicas de como proceder para manter o funcionário estimulado e mais apto à produtividade:

 

  • Descentralização do processo decisório com equipes especializadas: “trate os funcionários como adultos que eles realmente são”;
  • Não remunere por desempenho individual: isso aumenta a concorrência e o trabalho em equipe é prejudicado. Os EUA fazem isso e não é produtivo; Recompensa e sucesso a todos;
  • Recrutar pessoas fora da empresa emite uma mensagem de que os funcionários da companhia não são bons e assim as pessoas se estagnam;
  • Reduza distinções e diferenças de status: Todos são importantes, o chefe não pode ser mais importante que as pessoas que trabalham. Cultura igualitária. A lógica é convincente e atraente;
  • Transformar o conhecimento em ação: ter consciência do que a organização sabe o que fazer e o que ela faz;
  • Investir em treinamento, porque não dá para exigir que o funcionário faça se ele não sabe como fazer;
  • Criar um círculo virtuoso. Retenção de clientes e funcionários que querem trabalhar na empresa;
  • Menor jornada de trabalho. Cometemos erros e não rendemos cansados. Custa mais concertar os erros do que preveni-los.  
  • E, por último, não tenha medo de falar a verdade. As pessoas temem não ser amadas. Insistem na mentalidade de vítima, na excessiva competição interna (os inimigos somos nós mesmos), no compromisso com o passado e esses são exemplos de atitudes que não trazem o progresso e não deixam você passar uma idéia positiva para seus funcionários.

E, como tarefa para casa, Pfeffer deixou uma frase para todos pensarem a respeito: os empresários são geniais, mas precisam permitir que os outros também sejam. Na realidade, grandes líderes são humildes.

 

 

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