Gestão de pessoas adota programas que visam aproximar os colaboradores; até que ponto, porém, o vínculo entre eles é sadio para as empresas?
Por Rômulo Martins
Clima organizacional é um dos quesitos mais valorizados hoje pelas empresas. Não é à toa que os recursos humanos não poupam em investir mais e mais em programas de qualidade de vida, comunicação interpessoal, integração entre equipes. Práticas que favorecem a produtividade nas companhias e aproximam os colaboradores. Cria-se um vínculo maior entre profissionais que muitas vezes se estende para fora do ambiente corporativo.
Colegas de trabalho que se tornaram grandes amigos ou que se apaixonaram, iniciaram um namoro, culminando na união matrimonial são casos bastante comuns. Sim, ao aplicar projetos que visam auxiliar na comunicação e aproximar os colaboradores, involuntariamente as organizações podem estar agindo como cupidos, contribuindo para o surgimento de relações amorosas ou de amizades em seu ambiente. Como devem agir as empresas quando as relações entre colegas de trabalho fogem do convívio profissional?
“É fundamental que as regras sejam claras”, recomenda o consultor organizacional Enoir Santos. Especialista em gestão de pessoas, Santos afirma que as relações de amizade ou amorosas no ambiente corporativo podem colaborar para os resultados no trabalho, mas ressalta que como a maioria das empresas não está preparada para enfrentar essa questão cria-se uma atmosfera tensa nas organizações. “Muitas empresas agem como se isso nunca fosse acontecer e, quando acontece, não sabem como lidar com o assunto”.
Na visão de Marcelo Gonçalves, diretor de operação e recursos humanos da Terco Grant Thornton, criar vínculos de ordem pessoal em empresas cuja cultura não é sensível a questões desse porte pode gerar inconveniências e constrangimentos. Para Gonçalves, a amizade entre colegas de trabalho é benéfica para o desenvolvimento e crescimento profissionais e empresariais, todavia o diretor de recursos humanos destaca que o receio das empresas reside em não saber administrar o assunto caso as relações venham a extrapolar os limites organizacionais.
Segundo Nelson Ferreira, diretor de recursos humanos da Vitopel, este é um dos grandes desafios atuais da área de gestão de pessoas. “É preciso maturidade principalmente por parte dos gestores no momento de avaliar a performance dos colaboradores antes de tomar decisões. A isenção é importante”, destaca.
Além do Limite
A amizade ou o namoro no trabalho deixa de ser saudável, sobretudo quando as relações de hierarquia deixam de funcionar como manda a política empresarial ou quando as cobranças por resultados são atenuadas, gerando favoritismo no ambiente corporativo. “Intimidade excessiva mal dirigida, pode gerar, se a equipe não for madura, os perigosos complôs. A questão não parece estar focada na amizade, e sim na escala de valores da equipe. Investir numa sólida cultura cooperativa e nos valores da empresa, contudo, parece ser mais lucrativo a longo prazo do que exercer modelos rigorosos e supressivos”, observa o consultor de empresas Enoir Santos.
Matérias
Recursos humanos precisa da tecnologia para sobreviver
Matérias
O mercado também é Y
Pesquisa Salarial
Uma boa ferramenta para o RH