O futuro do RH no Brasil
Evento contou com a participação de profissionais de diversos setores

Por Clarissa Janini

O CEAP RH (Centro de Estudos Avançados de Profissionais de Recursos Humanos) promoveu recentemente um encontro com profissionais renomados que discutiram a situação do País e qual o papel do RH nesse contexto. O “Debate de RH com Notáveis: Um sindicato chamado Brasil” reuniu, no auditório da FGV-EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), nomes como Ozires Silva, presidente do Conselho Consultivo da Arsel; Walter Sigollo, presidente da ABRH-SP / Aparth; Fernando de Souza Meirelles, diretor e professor Titular da FGV-EAESP; Paulo Nathanael Pereira de Souza, presidente do Conselho do Ciee; Cláudio Vaz, presidente da Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo); e Sara Isabel Behmer, vice-presidente de RH da Avon.

O evento teve por objetivo fazer uma revisão de conceitos ultrapassados e discutir alternativas para mudanças futuras. O atraso brasileiro em relação a outros países e possíveis soluções para tal foi o tema vigente entre os palestrantes. “Há 70 anos escuto essa história. O que falta ao Brasil é pensar à frente, sempre achamos que os outros farão as coisas por nós”, disse Ozires Silva. No contexto empresarial, ele acredita que “as soluções dos problemas passam nas mãos do RH”, daí a importância do profissional dentro de uma organização. Pensar à frente e estar familiarizado com novas tecnologias também é requisito fundamental para o sucesso na visão de Walter Sigollo. “A responsabilidade do RH é colaborar para transformar essas questões em prática dentro da organização”.

Economia e educação em pauta
Quando se fala em problemas do Brasil também se fala em problemas na educação. Essa é a visão de Paulo Nathanael, para quem o déficit no ensino básico da população se reflete em todos os outros aspectos. “O que aconteceu com o País foi um paradoxo: apesar do enorme potencial, fomos ultrapassados por outros países emergentes por causa da nossa mania de imediatismo. Queremos tudo em curto prazo, uma insensatez”. Ele cita a Coréia do Sul como exemplo de país que investiu na educação básica e hoje se destaca no panorama mundial. Ainda explicou que o termo “capital social”, muito utilizado na atualidade, nada mais é do que o conjunto de fatores que sustenta e equilibra uma nação. “E a educação é o fator que condiciona o êxito dos demais elementos do capital social”.

Além de bons índices educacionais, um país necessita possuir um plano econômico auto-sustentável e que não sufoque sua população. Cláudio Vaz citou as características apontadas pelo filósofo escocês Adam Smith (1723-1790) que fazem um país triunfar e que, segundo o economista, ainda são válidas nos dias de hoje: paz; tributação leve; justiça razoável; mercados competitivos; poupança estimulada para o consumo; e espírito de inovação. Para ele, o Brasil não possui muitos desses aspectos – principalmente no quesito estimular a inovação e preparar o futuro. “O Brasil ainda não se integrou à Era do Conhecimento”. Em suma, o País precisa se organizar e se preparar para o que está por vir ao invés de apostar em soluções remediadoras. Isso, segundo ele, também se aplica aos profissionais e às organizações. “Competência não é mais sinônimo único de sucesso: precisa-se, também, de estratégias fortes e visão no ambiente macro”. O presidente da Ciesp apontou os cinco aspectos que devem ser seguidos pelas empresas para que alcancem o êxito e sejam duradouras:

  • Devem possuir uma avaliação estratégica sem que haja desvio do foco;
  • Precisam ser um espelho de valores para a sociedade – e isso se inicia com os próprios funcionários;
  • Devem primar sempre por qualidade e inovação;
  • Necessitam abrir os caminhos com exportação;
  • Precisam possuir uma organização política consolidada.

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