
O que os animais podem ensinar às empresas
Para consultora em Gestão de Talentos experiências ferinas devem inspirar ações de RH
Rômulo Martins
O mundo animal é inspiração para diversos artistas não é à toa que motivos selvagens são frequentes nas artes plásticas, letras de música ou até mesmo em corpos coreográficos. Nas empresas as experiências animalescas não têm nada a agregar, certo?
Não é o que pensa Juliana Almeida Dutra, diretora da Desenvolvimento e Envolvimento Estratégico de Pessoas (Deep), para quem os animais têm “tudo” a ensinar no ambiente corporativo.
Foi pensando justamente nas experiências ferinas que a Deep desenvolveu jogos baseados na vida dos animais com o intuito de inspirar ações de Recursos Humanos nas instituições.
Mas o que, afinal, os animais têm a nos transmitir? “Tudo”, reforça a diretora da Depp, que também é consultora em Gestão de Talentos e especialista em Marketing e Relacionamento com Clientes. “A formiga, por exemplo, tem processos e responsabilidades definidas. Em seu reino, o líder participa do cotidiano, por isso, compreende melhor as relações de trabalho e está efetivamente inserido no comando de uma operação”.
O treinamento é dirigido aos líderes intermediários (coordenadores, supervisores e gerentes de relacionamento com clientes, dentre outros), e (acredite!) tem como base ciclos biológicos de formigas e baleias. Com a colaboração de atores, o programa une, por exemplo, as linguagens artística e ambiental e é delineado a partir de uma metodologia de ciclo de aprendizagem vivencial e significativa.
Para Juliana, falar em vivência é pensar em um fio condutor ou em um ciclo que produza significado. “O jogo entende o líder como pessoa em posição estratégica. O que esperar dele enquanto estrategista? A metodologia vivencial ensina o líder a transmitir seu aprendizado em forma de feedbacks”.
E emenda: “Gestores não são apenas indicadores, mas profissionais responsáveis por administrar frustrações, visualizar talentos. Isso ocorre efetivamente mais pelas características humanas [feeling, instinto] que pelos conhecimentos técnicos”.
Em detrimento da competição, os jogos estimulam a cooperação entre as lideranças e acabam promovendo a integração entre os setores da empresa. A troca de conhecimento entre os gestores intermediários gera grandes parcerias, diz Juliana, para quem o sucesso se alcança em construções conjuntas.
Essa forma de pensar não prejudica a produtividade no ambiente corporativo? “Pelo contrário. A competição não deve ocorrer entre os colaboradores de uma mesma empresa, mas, de forma natural, deve acontecer entre as instituições no mercado em geral. Por isso, estimulamos a união como forma de vencer desafios propostos pela organização para que ela se destaque. Competição gera desgaste e isso é prejudicial para as empresas”.
Lição A evolução da tecnologia provocada pelo homem imprimiu agilidade na comunicação e revolucionou a maneira de se relacionar com o outro e com o mundo. Entretanto, mesmo agindo apenas por instinto, Juliana acredita que a comunicação dos animais é mais efetiva, pois seus papéis são definidos.
“O ruído é menor entre as formigas, por exemplo. Elas agem como empreendedoras, são atentas aos detalhes do ambiente e entendem o papel de cada uma no grupo porque sabem ouvir e estão dispostas a colocar em prática o que aprenderam”.
Segundo a consultora, as lideranças de hoje encontram-se um pouco confusas porque estão se distanciando da operação e, dessa forma, acabam perdendo diferenciais na empresa. “É estimulante para os jovens executivos trabalhar com o intuito de transpor desafios. Porém, com a distância do líder, a operação passa a não existir mais e o desafio torna-se nulo”, conclui.