
As empresas estão de olho em você nas redes sociais
Elas fortaleceram os “laços fracos”, mas se mal usadas podem comprometer imagem profissional
Rômulo Martins
O que você costuma publicar em seus perfis na internet? Quem são seus amigos, de quais comunidades participa e o que as pessoas escrevem neles? Cuidado, tudo pode depor contra. É que as empresas podem ser suas seguidoras nas redes sociais.
Isso porque, em busca de inovação, muitas instituições aliaram-se às redes para encontrar candidatos. Elas divulgam suas vagas nos sites de relacionamento ou blogs e utilizam as mesmas ferramentas para avaliar o perfil dos profissionais.
Tenha certeza, aquela informação omitida em seu currículo ou em seu cadastro em dada empresa pode ser facilmente desvendada por meio das redes e isso pode significar sua eliminação em um processo seletivo. “As redes sociais são uma faca de dois gumes”, diz Alessandro Barbosa Lima, CEO da E.Life, empresa brasileira líder na monitoração e análise da comunicação boca a boca online.
“Ela fortaleceu os laços fracos, mas diminuiu a privacidade. Sendo assim, seu perfil no orkut pode contar contra ou a favor em um processo para determinada vaga”. Os “laços fracos” a que o CEO da E.Life se refere trata-se de pessoas que não têm mais contato com o candidato, porém pertencem a sua rede de relacionamentos. Na maioria dos casos, é por meio deles que se consegue trabalho.
As redes sociais estão sendo bastante utilizadas para a contratação de trainees, principalmente para áreas voltadas à comunicação, informática, marketing e artes em geral. A tendência é forte. Algumas empresas, para se ter uma ideia, exigem que os candidatos tenham blogs.
O intuito é conhecer melhor o profissional, pela forma como ele se expressa ou por meio de suas opiniões sobre assuntos diversos. Ademais, o blog pode ser uma maneira de divulgar um trabalho, ou seja, é encarado também como uma vitrine, um portfolio.
Nesse sentido, as empresas aproveitam o ambiente virtual como meio de integrar-se e interagir com profissionais, em sua maioria jovens, já que consideram a rede um espaço propício ao debate, à troca de ideias e experiências.
“Em uma simples pesquisa, podemos encontrar espaços mantidos por jovens visivelmente criativos e inovadores. Sem dúvida, para muitas áreas do mercado de trabalho, blogs e perfis em redes sociais podem se tornar um bom portfolio e carta de apresentação”, diz Maria Isabel Bergamo Albernaz, especialista de recrutamento e seleção da AmBev.
Segundo o CEO da E.Life, “muitas vezes o entrevistador vai checar o perfil do candidato. Se ele concorre a uma vaga para trabalhar em uma agência ou na área de design, por exemplo, e não tem um perfil conta contra. Como um profissional de design não tem um perfil no orkut, não usa uma rede social?”.
Ao trazer informações de cunho pessoal e profissional, as redes sociais são vistas pelas empresas como um novo formato de currículo e, se bem usadas, são um modo de fazer marketing pessoal, acredita Lima.
“O usuário tem contato com laços fracos que podem ajudá-lo. É uma forma de divulgar a conclusão de um curso de graduação ou pós-graduação, atualizando o perfil. Ou seja: você cria e informa as novidades rapidamente”.
Perigos Já acontecia, mas com a disseminação das redes sociais a ameaça aumentou. Lima menciona casos de profissionais demitidos por conta de publicações nas redes.
Boatos organizacionais propagados pelos corredores das empresas que antes ficavam com os interlocutores e logo “desapareciam no ar” hoje são registrados nas redes. “Se há o uso de rádio peão na internet, logo é gerado um documento e publicado em blogs. Esse documento pode ser motivo de demissão”.
É preciso cautela também por parte dos profissionais que estão em busca de emprego. Criar perfis falsos, distorcer ou agregar dados inverossímeis, emitir opiniões sobre fatos polêmicos de forma extremista ou postar experiências repudiadas pela opinião pública podem comprometer a imagem do candidato.
“Associações a comunidades, comportamentos ou marcas mais polêmicos devem ser evitados. Por exemplo: o candidato adora soltar balão. Essa prática pode ser algo inocente para ele, mas é contra a lei”, assinala o CEO da E.Life.
Segundo ele, quando se fala em redes sociais a mentira tem a perna ainda mais curta. “Nas redes existe a questão das relações. Não adianta o usuário dizer que trabalhou na empresa X, se em seu perfil do orkut ou do linkedIn não há nenhum contato daquela instituição. O mesmo acontece quando não se coloca a cidade no orkut, mas todos os amigos daquele usuário vivem em determinado local”.
Criar perfis específicos, com o intuito de separar o pessoal do profissional pode ser uma boa alternativa. “Há algumas redes mais voltadas para o perfil profissional, como o linkedIn, assim como existem outras de cunho pessoal, é o caso do orkut”.
O ideal é revelar-se em sua pluralidade sem ser piegas, orienta Lima. Ou seja: o bom-senso ainda é o melhor conselheiro.