Indicado para o ‘novo executivo' do século XXI, livro aposta na Gestão por Confiança como pilar das relações interpessoais Por Paulo Vinicius Cerávolo, especial para o Empregos.com.br Logo na nota de apresentação da edição brasileira de A nova gestão de pessoas (Editora Saraiva), o professor, palestrante e autor espanhol José María Gasalla aborda uma das principais questões para o executivo do novo milênio: o gerenciamento de pessoas. Gasalla menciona a importância dos constantes avanços tecnológicos, que prometem remodelar nosso mundo tal como o conhecemos, mas enfatiza a crescente valorização dos recursos humanos, da importância e do diferencial que as pessoas podem trazer para as organizações. A distância entre o discurso e a prática, no entanto, pode ser grande, como ele lembra bem. Gasalla questiona as técnicas de gestão mirabolantes e impossíveis de se aplicar nas empresas reais, assim como a obediência cega a procedimentos que não servem mais para os novos desafios do empreendedor de hoje. Sendo assim, devemos aplicar fórmulas alheias ou buscar nossas próprias soluções? O avanço tecnológico facilitará o desenvolvimento humano? Modelar o futuro significa atirar fora o passado? A inovação tecnológica precede a inovação em relação às pessoas? Essas são as perguntas que o autor se faz e pretende responder em A nova gestão de pessoas. O livro se encontra na oitava edição na Espanha, justamente a que está sendo lançada no Brasil, revista e ampliada pelo autor. O volume é dividido em duas partes. Batizada de “O âmbito paradoxal”, a primeira aponta e comenta os erros na gestão de recursos humanos no ambiente empresarial dos dias atuais. Além disso, propõe as mudanças necessárias para reorganizar e harmonizar as relações de trabalho, que podem ser resumidas da seguinte maneira: O fator humano é primordial e precede o produto, capital e tecnologia; Na segunda parte, intitulada “Novos horizontes internos das organizações”, o autor espanhol, que já colaborou com empresas como Ford, IBM, Telefônica e Crédit Lyonnais, sustenta que o papel do gestor de Recursos Humanos é cada vez mais o de um consultor, que “facilita, catalisa, dá suporte e consegue a re-invenção permanente da organização”. Gasalla enfatiza esta última necessidade, a da adaptação às novas realidades, em oposição à acomodação temerosa ou preguiçosa a estruturas e processos superados que se vêem em muitas organizações. Retomando e aprofundando a questão ética, afirma tratar-se de uma “auto-limitação que cada um se impõe ao participar em uma competição com jogo limpo”, indispensável em uma economia globalizada que envolve diferentes países, empresas e legislações. Ou seja: respeito às regras do jogo. Gasalla diferencia o controle de qualidade, para ele uma especialidade, do que chama de “qualidade integral”, uma responsabilidade compartilhada por todos os membros da organização. Ele recusa o conceito de qualidade total, tão celebrado por autores e consultores, por ver nele a ambição inalcançável de uma solução final e definitiva, impossível e indesejável em um mundo de constantes transformações. Por fim, entra no mérito da GPC – Gestão por Confiança, anunciada com destaque na capa do livro. Depois de apresentar dados que apontam o crescimento da desconfiança, em escala global, em governos e empresas nos últimos quatro anos, Gasalla rebate esse quadro desalentador. Ele afirma que “mais do que nunca, a confiança é necessária para o desenvolvimento organizacional”, justamente por causa da alta competitividade e do ritmo acelerado das mudanças no mundo corporativo. Esse modelo, segundo o autor de A nova gestão de pessoas , facilita a participação e o envolvimento de cada membro da organização – e o leitor provavelmente já leu nos manuais de gestão, e também vivenciou, a exigência do compromisso dos profissionais em uma empresa. Como diz Gasalla, trata-se de incorporar a filosofia do “eu ganho, você ganha”, e envolver as pessoas no que elas têm de mais elementar e mais valioso: seus valores, muito mais do que conhecimentos e habilidades. O livro se insere, assim, em uma tendência que dá mostras de ter vindo para ficar: a valorização do fator humano como principal determinante para o sucesso ou o fracasso das empresas. Afinal de contas, elas nada mais são do que aglomerados de indivíduos, sem os quais ações, sistemas, processos nada significam.
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