
Competência emocional e comunicação
Utilizar a sabedoria das emoções com a lógica
abre possibilidades ilimitadas
Por Eduardo Shinyashiki *
O ser humano é um ser emocional, e não há nada de errado com isso. Ouvir o nosso corpo e as emoções que ele manifesta quer dizer ouvir um conselheiro com uma experiência muito maior do que a razão e a lógica. Ouvir e abrir o coração – sede simbólica das nossas emoções – quer dizer usar a nossa Inteligência Emocional.
Aprender a utilizar a sabedoria das nossas emoções em harmonia com a mente lógica significa abrir-se para possibilidades ilimitadas, pois quanto mais a ciência aprofunda as pesquisas sobre o cérebro, mais se evidencia a capacidade humana de mudar estados de consciência, hábitos e atitudes indesejáveis.
Podemos identificar a Competência Emocional com algumas habilidades principais:
Com enfoque nessas habilidades da Competência Emocional, podemos transformar e melhorar todos os aspectos da nossa vida, como, por exemplo, a comunicação, que tanto faz parte da nossa existência. A palavra comunicação tem sua raiz etimológica no latim eclesiástico communicatio, que significa participação da mesa eucarística, e no termo latim communicare, da communis, bem comum.
O significado real e o objetivo da comunicação indicam algo a ser compartilhado, a ser tornado comum. Comunicação, então, são todas as formas expressivas, verbais e não-verbais, que permitem colocarmo-nos em contato com nós mesmos, com os outros, construir relacionamentos, criar respostas, construir uma ponte entre nós e os outros.
Por isso, o primeiro conceito de fundamental importância no sucesso da comunicação, ligado ao conceito de "Competência Emocional", é a flexibilidade comunicativa. Com isso se entende a capacidade e a intenção do comunicador de entender e se adaptar ao contexto situacional e ao próprio interlocutor.
Por exemplo, um ato de flexibilidade comunicativa é usar uma linguagem que o interlocutor possa compreender e decodificar corretamente. Um outro é ter disponibilidade emotiva interna, que inclui a capacidade de reconhecer e respeitar a diversidade do interlocutor, sabendo que ele pode pensar diferente, “movimentar-se” em um mundo diferente e com significados diferentes.
Quando não estamos atentos à flexibilidade comunicativa e à disponibilidade emotiva interna, podemos ser vítimas do uso inapropriado da linguagem, naufragar no mar das palavras, especialmente naquelas que usamos impropriamente, achando que não têm peso e importância. As palavras, porém, têm muito valor e o seu impacto na realidade é bastante concreto.
As palavras que falamos a nós mesmos e aos outros são como sementes, penetram profundamente e fecundam o cérebro, criando pensamentos e convicções e modificando quem somos. Elas constroem a realidade, cristalizam nossas emoções, modelam nossas atitudes, condicionam nossas decisões.
Dessa forma, é muito importante saber e estar consciente daquilo que estamos “tornando comum” e de como estamos fazendo isso através da nossa linguagem verbal e não-verbal. A maneira como comunicamos com nós mesmos e com os outros reflete o que pensamos e condiciona nosso comportamento, expressa a idéia que temos de nós mesmos e do mundo, as nossas dificuldades e as nossas emoções.
* Eduardo Shinyashiki é palestrante, diretor da Sociedade Cre-Ser Brasil e Cre-Ser Itália e autor do livro Viva como você quer viver (Editora Gente).
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