Competência emocional e comunicação
Utilizar a sabedoria das emoções com a lógica
abre possibilidades ilimitadas

Por Eduardo Shinyashiki *

O ser humano é um ser emocional, e não há nada de errado com isso. Ouvir o nosso corpo e as emoções que ele manifesta quer dizer ouvir um conselheiro com uma experiência muito maior do que a razão e a lógica. Ouvir e abrir o coração – sede simbólica das nossas emoções – quer dizer usar a nossa Inteligência Emocional.

Aprender a utilizar a sabedoria das nossas emoções em harmonia com a mente lógica significa abrir-se para possibilidades ilimitadas, pois quanto mais a ciência aprofunda as pesquisas sobre o cérebro, mais se evidencia a capacidade humana de mudar estados de consciência, hábitos e atitudes indesejáveis.

Podemos identificar a Competência Emocional com algumas habilidades principais:

  • Autoconsciência: o conhecimento das próprias emoções, percebendo como e quando elas acontecem em nossa vida.
  • Gestão das emoções: capacidade de lidar com as emoções de maneira apropriada, sem deixar-nos dominar por elas.
  • Auto-motivação: capacidade de ativar as nossas emoções positivas como impulso à ação.
  • Empatia (vem do grego “empátheia”, que significa “entrar no sentimento”): o reconhecimento das emoções nos outros.
  • Gestão eficaz das relações interpessoais: capacidade de flexibilizar os próprios comportamentos e atitudes em relação à percepção de nós mesmos e dos outros.

Com enfoque nessas habilidades da Competência Emocional, podemos transformar e melhorar todos os aspectos da nossa vida, como, por exemplo, a comunicação, que tanto faz parte da nossa existência. A palavra comunicação tem sua raiz etimológica no latim eclesiástico communicatio, que significa participação da mesa eucarística, e no termo latim communicare, da communis, bem comum.

O significado real e o objetivo da comunicação indicam algo a ser compartilhado, a ser tornado comum. Comunicação, então, são todas as formas expressivas, verbais e não-verbais, que permitem colocarmo-nos em contato com nós mesmos, com os outros, construir relacionamentos, criar respostas, construir uma ponte entre nós e os outros.

Por isso, o primeiro conceito de fundamental importância no sucesso da comunicação, ligado ao conceito de "Competência Emocional", é a flexibilidade comunicativa. Com isso se entende a capacidade e a intenção do comunicador de entender e se adaptar ao contexto situacional e ao próprio interlocutor.

Por exemplo, um ato de flexibilidade comunicativa é usar uma linguagem que o interlocutor possa compreender e decodificar corretamente. Um outro é ter disponibilidade emotiva interna, que inclui a capacidade de reconhecer e respeitar a diversidade do interlocutor, sabendo que ele pode pensar diferente, “movimentar-se” em um mundo diferente e com significados diferentes.

Quando não estamos atentos à flexibilidade comunicativa e à disponibilidade emotiva interna, podemos ser vítimas do uso inapropriado da linguagem, naufragar no mar das palavras, especialmente naquelas que usamos impropriamente, achando que não têm peso e importância. As palavras, porém, têm muito valor e o seu impacto na realidade é bastante concreto.

As palavras que falamos a nós mesmos e aos outros são como sementes, penetram profundamente e fecundam o cérebro, criando pensamentos e convicções e modificando quem somos. Elas constroem a realidade, cristalizam nossas emoções, modelam nossas atitudes, condicionam nossas decisões.

Dessa forma, é muito importante saber e estar consciente daquilo que estamos “tornando comum” e de como estamos fazendo isso através da nossa linguagem verbal e não-verbal. A maneira como comunicamos com nós mesmos e com os outros reflete o que pensamos e condiciona nosso comportamento, expressa a idéia que temos de nós mesmos e do mundo, as nossas dificuldades e as nossas emoções.

* Eduardo Shinyashiki é palestrante, diretor da Sociedade Cre-Ser Brasil e Cre-Ser Itália e autor do livro Viva como você quer viver (Editora Gente).

 

Receba informações quinzenais sobre o mercado de RH no seu e-mail gratuitamente.