O desafio no aprendizado do RH
É preciso preparar o aluno para o mercado de trabalho
Por José R. Veloso Júnior*
A cada dia o mercado de trabalho transforma cordeiros em leões na busca do almejado posto de trabalho, quer no setor público quer no setor privado. Esta realidade faz parte do dia-a-dia de qualquer profissional, porém, de forma especial, o profissional da área de Recursos Humanos depara-se com o pior dos dilemas, haja vista que ele deve especializar-se em fazer seleções e realizar a melhor escolha diante da realidade do mercado e da sua empresa. Mas, para tanto, antes de chegar a este momento de realização profissional, ele mesmo deve enfrentar (na própria pele) as agruras de um mercado extremamente concorrido que vivemos atualmente.
A evolução do estudo da Administração de Recursos Humanos favoreceu o surgimento de diversas linhas de pesquisa que proporcionaram, entre outras modificações, a melhoria nas condições de trabalho necessárias para um melhor desempenho do empregado dentro das empresas. Fez também com que o conhecimento na área de seleção, recrutamento e manutenção dos funcionários dentro dos quadros da empresa se desenvolvesse, tornando necessário que o profissional militante nessa área esteja em constante especialização e em sintonia com o que ocorre no mercado como um todo.
A situação ilustrada, do desafio vivido pelos profissionais da área, pode ser percebida de forma cristalina dentro do ambiente acadêmico, mais especificamente nos cursos de graduação que formam bacharéis na arte de administrar, na maioria das vezes sem qualquer formação profissional específica para atuar no mercado. Diante dos questionamentos efetuados em sala de aula, na qual o aluno visa ampliar seus conhecimentos no preparo para a arte de recrutar, é perceptível o modo automático como vem às suas mentes a pergunta: “Será que eu também serei selecionado pelo mercado?”.
Nesse momento de indagação do aluno (que amanhã será um profissional e também deverá estar preparado para enfrentar o mercado) é necessário bastante cuidado, porque não se pode perder o foco da realidade vivida por cada um deles e até por isso mesmo o principal antídoto a ser ministrado para este mal sem provocar qualquer constrangimento desnecessário é mostrar onde se encontram os seus verdadeiros pontos fortes.
O trabalho realizado em sala quando diz respeito a exemplos reais de seleções feitas e divulgadas pela imprensa, no qual são abordados os modos como estas foram realizadas e o que beneficiou cada um dos escolhidos para alcançar o resultado final, atrai de forma espantosa a atenção dos alunos e deixa claro que, ao visualizar a situação acontecendo de fato, eles se colocam no lugar daqueles que ali eram apenas candidatos a um emprego. Tal fato acontece porque é uma realidade das universidades brasileiras que grande parte de seus alunos é “apenas aluno” e já – de forma direta (por estarem procurando emprego) ou indireta (por estudarem como selecionar um empregado) – sente as pressões do mercado.
Não se pode esquecer que as seleções realizadas para ingresso no setor público, atualmente, atraem a atenção de muitos profissionais que vêem a estabilidade no emprego como maior atrativo na construção de uma carreira no Estado. Esta opção de carreira também leva os alunos a refletirem sobre uma fatia do mercado de trabalho cada vez mais concorrida e disputada. Haja vista que hoje o setor público, diante da moralização exigida pela realização do concurso público para o preenchimento de cargos efetivos, revela-se com vagas tão ou mais disputadas que aquelas existentes na iniciativa privada. O setor privado, apesar de oferecer, em alguns casos, melhores salários, fazendo-se um breve comparativo, não tem condições estruturais de oferecer em tempos de globalização e modificação nas relações de emprego a tranqüilidade que no serviço público recebe o nome de estabilidade.
Diante destas dissonantes realidades vividas pelo aluno dentro e fora da sala de aula, cabe a nós profissionais que ministramos o conhecimento sobre as disciplinas relacionadas a Recursos Humanos realizar de antemão uma “pré-seleção” para o mercado de trabalho, fortalecendo e ampliando os pontos fortes de cada aluno/profissional que passar pelos bancos das nossas universidades e retirar dos mesmos os temores, tornando-os fortes e desenvolvendo seus talentos naturais. Preparar para o mercado. Preparar para a vida.
*José R. Veloso Júnior é b acharel em Ciências Jurídicas e Econômicas.