As armadilhas para o RH resolver
Ausência da atuação do setor pode afetar o
direcionamento da equipe

Por Edson Lobo*

Ao longo do tempo, venho escrevendo artigos voltados aos profissionais de Recursos Humanos sempre com o objetivo de lembrá-los ou mesmo alertá-los para certos acontecimentos que ocorrem nas empresas. As intenções são, principalmente, duas: garantir o bem-estar dos funcionários e o alcance do resultado financeiro.

A segunda intenção mencionada é fundamental para que as empresas possam oferecer melhores condições tanto do ponto de vista da qualidade de vida como da melhoria na remuneração e investimentos em cursos, palestras, treinamentos, etc., e para a empresa crescer também! No entanto, prestando consultoria a diversas organizações, seguimos constatando que existem certas situações que fogem ao controle do RH e, em muitos casos, até por culpa dos executivos e empresários.

Vou mencionar alguns exemplos que atrapalham o dia-a-dia das empresas e influem diretamente no bom andamento da equipe:

1) No caso das pequenas e médias empresas, muitas vezes os funcionários têm contato direto com o dono ou principal executivo. Por acaso, esses “primeiros homens” demonstram uma atenção maior a determinadas pessoas, principalmente funcionários da área financeira. Como ninguém é de ferro, essas pessoas “escolhidas” passam a ter uma dupla personalidade, isto é, por trás do patrão fazem de tudo para “exercer” o poder que (na visão delas) lhe foi concedido. Então, o patrão não sabe, mas esses funcionários passam a tratar os outros como “subordinados”, sonegam informações, escondem e dificultam o que for possível, sempre com a ameaça de que têm acesso direto ao patrão.

Certa vez, presenciei uma cena numa empresa que perdeu o prazo para entrega de uma proposta de prestação de serviços (que praticamente “estava no papo”), porque uma funcionária achou que deveria mostrar sua “força” e sonegou informações cruciais para o preenchimento da proposta. Resultado: jogou a culpa em outra pessoa e somente foi advertida por não ter “cobrado mais”.

2) Uma empresa do segmento financeiro desagradou os acionistas por ter dado prejuízo no último ano. Então, aconteceram mudanças desde o presidente até diretores, gerentes etc. Entrou numa fase de recuperação, precisava melhorar os serviços, a infra-estrutura tecnológica, detinha uma boa parcela do mercado, mas estava perdendo terreno.

Um bom trabalho começou a ser feito. A empresa ficou bem mais “enxuta”, até o momento em que um determinado diretor começou a se sentir o “protegido” do presidente, alardeava “façanhas” e, lentamente, foi minando o terreno de outros diretores e gerentes. À medida que ele conseguia fazer com que os diretores ou gerentes fossem demitidos, se oferecia para incorporar a área. Pegava a responsabilidade e começava o mesmo processo: minava o trabalho dos gerentes e supervisores, de forma que não houvesse intermediários entre ele e “a turma do chão” como chamava os funcionários de menor escalão e estagiários.

O presidente não aceitava quando alguém, indiretamente, tentava contar algo, o defendia, achava um “empreendedor”, um profissional com muita garra e conhecimento, mas não enxergava o estrago que estava ocorrendo na empresa. Claro, muitas áreas sob a mesma pessoa é possível camuflar atitudes erradas.

A diretoria de RH foi medrosa e não tomou atitudes mais drásticas, evitando enfrentar a situação e mostrar ao presidente o erro que estava ocorrendo. O resultado do “reinado” do tal diretor apareceu cerca de um ano depois, quando surgiram complicações de mercado e a empresa não tinha profissionais com conhecimento suficiente em vários níveis, já que havia um enorme vácuo entre a diretoria e os funcionários.

Havia poucos mandantes e muitos executores, sem os variados talentos que o tal diretor “puxou o tapete”. Resultado: perderam mercado, ganharam um bom prejuízo e o presidente e parte da diretoria foram “convidados” a sair da empresa.

Você já deve ter ouvido a frase “isto tem que ser feito assim”. Se for procurar, em qualquer manual está definida a ordem, se for tentar descobrir quem criou tal norma, verá que,um dia, alguém de alguma maneira definiu que aquilo seria feito assim e não foi contrariado. Entraram pessoas novas na empresa e já receberam a mesma ordem: “isto tem que ser feito assim”. São as chamadas Normas Não Escritas, isto é, de informais passam a ser definitivas. Não vou alongar os casos porque, com certeza, todos têm histórias para contar.

O que fica destacado nesses episódios é a fraca atuação dos profissionais de RH, a falta de pulso para encarar fatos como esses, sempre com medo de colocar seus cargos em jogo. Um executivo ou empresário não gosta muito de ser contrariado, muitas vezes, diz que não protege ninguém em especial, mas certas atitudes podem ser interpretadas de outra forma perante os olhos da equipe.

Por isso, o RH tem que se destacar pela capacidade de planejamento, visão de negócio, conquistar seu espaço para exercer seu papel fundamental: zelar pelo bem-estar dos funcionários, pelo correto funcionamento da empresa, distinguindo seus níveis, porém, deixando claro que não pode existir apadrinhamento ou preferência. Contratar bons profissionais, promover sempre atividades para conhecer e checar o andamento de cada área em particular e azeitar um tópico chamado relacionamento interpessoal são algumas das atividades que o RH deve proporcionar, visando resolver de vez essas armadilhas que vão se criando no dia-a-dia das empresas.

 

*Edson Lobo é jornalista com especialização em Administração de Marketing e Propaganda.

 

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