
Fórum Líder 2008: ser, sentir e fazer
Evento reuniu notáveis palestrantes e representantes
de várias organizações
Em sua 7ª edição, o Fórum Líder RH foi realizado recentemente, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo , e apresentou o tema “Organizações que inovam pela aprendizagem: ser, sentir e fazer”. O encontro reuniu notáveis palestrantes e representantes de várias organizações. Confira abaixo o que foi discutido nesse importante evento da área de Recursos Humanos.
Competência versus carreira
A psicóloga e consultora Benne Catanante ministrou a palestra “Competências e desafios das lideranças nas organizações”. Na ocasião, levantou alguns fundamentos para a reflexão dos participantes em relação ao alinhamento de suas expectativas pessoais e profissionais e mostrou os principais desafios para esse equilíbrio. “Em nossa vida, precisamos criar paradigmas de sucesso e sempre nos desafiarmos para algo melhor”, enfatizou. Benne também fez uma comparação entre executivos e surfistas. “Assim com os surfistas, os executivos atualmente não encontram calmarias. O surfista sempre volta para a água para pegar novas ondas, ou seja, novos desafios. Ambos precisam ter saúde plena, precisam estar centrados e ter atitude para vencer.”
A consultora apresentou, ainda, um novo modelo de liderança, baseado em competências compartilhadas, e afirmou que a nova geração de líderes, chamada “geração Y”, será a principal protagonista de mudanças nas organizações. Segundo Benne, os líderes precisam ajudar seus colaboradores no autoconhecimento e nunca acumular conhecimentos apenas para eles próprios. “É como abraçar uma causa”.
Carreira versus felicidade
O professor e antropólogo Luiz Almeida Marins Filho ministrou a palestra “Como a motivação alavanca a felicidade na vida e no trabalho”, ressaltando que a área de Recursos Humanos é a responsável por mostrar as estatísticas da motivação em seus colaboradores. “A motivação não pode ser confundida com a emoção. Os dados concretos são aqueles que impressionam e motivam as empresas. Para compilar e provar os dados necessários, o RH tem de estar pronto para essa missão”.
No final da palestra, o professor Marins distribuiu um cartão com dez dicas para se viver com entusiasmo. “As mulheres precisam ficar bem atentas aos itens 3 e 9” , brincou.
Medo versus confiança
Com o tema “Confortos, desconfortos e a construção do auto-desenvolvimento nas organizações”, a palestrante motivacional e colunista do Empregos.com.br , Leila Navarro, conduziu uma hora e meia de conferência com bom humor. O objetivo foi mostrar a importância de uma gestão fundamentada na confiança. “A coragem é não ter medo do ridículo. Todos têm medo de errar e de serem vistos como loucos. Porém, eu afirmo que quanto mais loucos ficamos, mais dinheiro ganhamos”, declarou.
Paralelamente, o consultor e professor espanhol José Maria Gasalla abordou a temática da ousadia como forma de quebrar paradigmas, ressaltando que os esquemas mentais são os mais difíceis de se mudar nas organizações. “É impressionante como, diante das mudanças, a primeira reação da pessoa é dizer que não sabe, não gosta e não pode. Assim como em todas as empresas sempre há colaboradores que se queixam. É claro que nunca fazem isso sozinhos, e tudo vira um círculo vicioso de pessoas que se sentem mal com elas mesmas”, disse.
Os palestrantes mostraram que a área de Recursos Humanos, os gestores e líderes necessitam de confiança para ajudar seus colaboradores com motivação. “No Brasil, se convive em um ambiente de desconfiança. É uma questão cultural também que precisa ser modificada dentro das empresas. Se não há confiança, naturalmente as pessoas se travam, não fazem e se fecham”, afirmou Leila.
Para ajudar os líderes nessa missão, Leila e Gasalla criaram uma gestão por confiança, baseada em sete pilares: consciência, clareza, cumprimento da palavra, coerência, consistência, compromisso e correspondência.
Carreira versus networking
O consultor e presidente da Lens & Minarelli, José Augusto Minarelli, realizou um descontraído almoço-palestra sobre networking . Com a ajuda de um teste de 15 perguntas, o autor do livro Networking – Como utilizar a rede de relacionamentos na vida e na carreira ajudou os participantes a analisarem seus relacionamentos profissionais. “ Fazer networking dá trabalho, consome tempo e exige disciplina, mas relacionamentos são úteis para a vida, carreira e negócios”, ressaltou.
Entre as principais dicas de Minarelli, estão:
Liderança versus felicidade
O médico e presidente da Moksha 8 Pharmaceutical para o Brasil e América Latina, Mário Grieco, decidiu que a melhor forma de ministrar a palestra “Construindo uma vida profissional: a realização profissional e no trabalho – lições da carreira executiva” era contanto sua trajetória de vida. Após deixar a medicina e optar pela carreira de executivo, Grieco recebeu proposta de trabalhar nos Estados Unidos, para onde se mudou com sua mulher e as duas filhas pequenas. “A carga de trabalho era muito grande e eu tinha pouca qualidade de vida. Enfrentei muitas dificuldades e preconceitos. Os norte-americanos não aceitam um líder brasileiro. Perdi as contas de quanto tempo deixei de conviver com minha família em função do trabalho”.
Esse cenário mudou quando sua mulher sofreu um acidente, no feriado de Ações de Graças, e acabou falecendo. Mário Grieco teve de cuidar das filhas, à época com 9 e 12 anos, sem a ajuda da família, que morava no Brasil. “Eu tive de ser o pai e a mãe de duas meninas que tinham personalidades completamente diferentes. Durante muito tempo, pensei que deveria ter ido no lugar de minha mulher, porque ela era mais importante na vida das minhas filhas. Eu trabalhava bastante e quase não tinha tempo para elas. Mas aprendi, de maneira muito especial, conciliar minha vida pessoal e profissional. Esse sucesso é um grande desafio”, contou emocionado.
Mário Grieco casou-se novamente e tem dois filhos: Enzo, de 6 anos, e Nina, de 3. Suas filhas mais velhas moram nos Estados Unidos e fazem faculdade. “O sucesso é trabalhar duro e se dedicar bastante. Sou o que eu queria ser profissionalmente, mas não trabalho em fins de semana. Hoje, tenho a oportunidade de dedicar mais tempo à família. Não é fácil falar dos erros, mas abrir o coração é a melhor solução. A tendência da vida é um rio abaixo. Nunca se tem controle de tudo, e precisamos estar preparados”.
Talento versus realização pessoal
O headhunter e sócio da P&L – PartnerShip and Learning, Robert Wong, realizou a palestra “Fatores positivos e negativos na realização pessoal – indivíduo versus organização e geração de valor para si e para os outros”. Autor do livro O sucesso está no equilíbrio , Wong ressaltou que o novo papel do RH é captar na essência as necessidades, expectativas e desejos do cliente para ajudar a preparar os seus executivos, a fim de atender de forma diferenciada. Além disso, é preciso que o executivo se transforme em um estrategista de mudanças e que saiba colocar os colaboradores certos no lugar certo e pela razão certa. “O RH ajuda a descobrir o talento que a pessoa quer ser. Nós não sabemos mais quem somos, pois temos muitas regras e costumes, mas todos nós nascemos com dons, talentos e habilidades. É preciso desenvolvê-los”, destacou.
Wong citou os cinco obstáculos que impedem o desenvolvimento e a mudança dos colaboradores: ego, inércia, desânimo ou negatividade, medo ou insegurança e a própria atitude diante dos problemas. “Para mudar esse cenário, é preciso que a pessoa reconheça que pode melhorar, e que ela assuma a responsabilidade por meio de sua atitude. Além disso, é fundamental alimentar a determinação de mudar. O importante é que todos tenham consciência de que a mudança acontece na sua essência, e não no seu comportamento”, considerou.
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