Resultados sem estresse: é possível?
Consultor afirma que é possível obter bons resultados sem chegar ao estresse exagerado

Por Patrícia Bispo

Quando se fala na obtenção de resultados no mundo corporativo, muitas pessoas logo imaginam uma situação que envolva uma equipe “eletrizada” e completamente exposta ao estresse. E isso, normalmente é uma constante. No entanto, esse cenário não é uma regra obrigatória para ser cumprida ou vivida por todas as empresas. Para obter os resultados esperados, as organizações e os profissionais podem adotar algumas regras que minimizem o estresse corporativo. Em entrevista, Roberto Vieira Ribeiro – palestrante, coach e consultor – dá algumas dicas que podem ser adotadas por profissionais com os mais variados perfis. Autor do livro Assim é que se faz: Desenvolvimento Pessoal e Profissional , recém-lançado pela editora Qualitymark, Ribeiro afirma que as pessoas precisam encontrar o ponto de equilíbrio e dosar cada momento, seja pessoal ou profissional. Leia a entrevista e aproveite!

RH.com.br - Em determinados momentos, o estresse pode se tornar um aliado das empresas?
Roberto Vieira Ribeiro
- Há momentos em que um certo nível de estresse é desejável, não é mesmo? É o caso dos instantes que precedem apresentações, decisões, competições e intervenções diversas, com um grau maior de importância para os envolvidos. Quase se pode tocar a eletricidade no ar, produzida pelos atletas, artistas, advogados, cirurgiões, professores, vendedores, estudantes, palestrantes, executivos. Isso ocorre quando dá aquele friozinho na barriga, a adrenalina aumenta a freqüência cardíaca, leva mais sangue para a periferia do corpo, ativa a função cognitiva e deixa a pessoa pronta para dar o bote, atacar ou se afastar do perigo. É um estado altamente desejável, porque nos coloca em alerta total, prontos para ter acesso ao que temos de melhor em recursos, para a situação que estamos prestes a enfrentar.

RH - Dessa forma, podemos afirmar que em algumas situações o estresse pode ser benéfico para uma equipe?
Ribeiro -
Nas situações mencionadas acima, sim. Conforme descrevem os especialistas, o problema gerado pelo estresse ocorre quando a situação se prolonga e a reação se intensifica através do hormônio cortisol, que é mais potente que a adrenalina. Em conjunto, os dois hormônios acabam por provocar estados indesejáveis, como o que ocorre na “Companhia Compras & Vendas” que criei para o meu livro. Acompanhe: o Benício chega ao escritório se arrastando já no início do dia e encontra seus colegas em estado lastimável. A Zefina está super irritada, e a culpa não é da TPM. As marcas de insônia da Josvalda nem a maquiagem caprichada esconde. E o Marnildo sofre com dores pelo corpo há dias, sem causa aparente. Em comum, o que todos eles sentem é a disposição de trabalhar: zero. No que são imitados por outros colegas com sintomas semelhantes. Você conhece casos assim?

RH - É possível obter resultados sem estresse?
Ribeiro -
Sim, é possível. E a melhor resposta para isso são algumas das habilidades que podem ser adquiridas pelas pessoas como, por exemplo, aprender a lidar com as adversidades de maneira efetiva, que é a base para quem quer ter e manter sucesso. Quando você tem um modelo para lidar eficazmente com o estresse, evita a vitimização aprendida, é mais ativo e eficiente. E o modelo de pensamento racional criado por Albert Ellis também é de grande utilidade. Ele baseia-se no fato de que o que causa as minhas emoções não são os eventos em si, mas a minha reação aos eventos.

RH - Normalmente, quais os principais fatores que interferem na obtenção de resultados e que estressam os profissionais?
Ribeiro -
As causas para o estresse são variadas e incluem aquelas que eu chamo de excessos, para mais ou para menos, de trabalho, clientes, organização, planejamento, vendas, lazer, sexo, dinheiro, entre outros. Aliás, nesse caso, quando o excesso é para menos, o que falta também é o oxigênio, não é verdade? E como alguém vai produzir quando mal respira? Na situação oposta, há quem afirme que para trabalhar direito, o profissional tem que estar cem por cento. Com o sono em dia, livre de preocupações, exercícios físicos em ordem, relações pessoais normais, alimentação saudável, auto-estima elevada e os compromissos financeiros atualizados, apenas para citar alguns. Estando saudável nessas questões, muito do que poderia ser interpretado como ameaçador é percebido de outra forma. Sem estresse. O que, de fato, é importante e desejável. Mas, exigir a plena satisfação desses quesitos também não seria excesso? Equilíbrio, esta é a solução.

RH - Qual a importância do papel do líder dentro desse contexto?
Ribeiro - No meu livro, por exemplo, tenho um capítulo dedicado à liderança. Já vi barbaridades serem praticadas com a desculpa de pôr ordem na casa, cumprir metas, motivar e liderar. E creio que durante meu aprendizado devo ter sido autor de algumas obras, também. O verdadeiro líder revela-se não por imposição do cargo, mas pela coerência da prática fatalmente. Ele é pai de muitos rebentos, porque assume para si a prazerosa responsabilidade de enxergar qualidades, estimular ajustes, estabelecer limites, perceber possibilidades e apontar caminhos. E faz isso tudo e ainda mais temperado com humor, firmeza e, por que não, amor. Afinal, é pai. Recebe como parte das recompensas, a oportunidade de compartilhar o aprendizado que o crescimento dos seus pupilos proporciona.

RH - Que habilidades a liderança precisa ter para ajudar a equipe alcançar resultados satisfatórios?
Ribeiro -
A liderança está mais relacionada às suas características humanas do que técnicas. E é fruto do equilíbrio do seu foco em pessoas versus o equilíbrio do seu foco em projetos. Em momentos de crise ou de grande euforia, normalmente, as pessoas aceitam um líder mais autoritário. Mas no dia-a-dia é necessário conhecer o que motiva seus liderados, o que eles já estão preparados para produzir e o que falta para que voem mais alto. Sem dúvida, é um dos principais papéis do líder perceber o habitat certo para cada membro da equipe, a posição em que a pessoa se identifica mais e vai render melhor. Por outro lado, é do interesse pessoal de cada um ser líder de si próprio e se aprimorar continuamente, porque auto-liderança é o primeiro passo para alguém ser um grande líder.

RH - Que habilidades precisam ser desenvolvidas junto às equipes para que os colaboradores mantenham-se “imunizados” em relação à pressão?
Ribeiro -
Além dos pontos que já mencionei, acrescento o seguinte:
- aprender a gerar qualidade de vida, independentemente do momento de vida da pessoa;
- desenvolver a inteligência emocional de maneira a utilizar as emoções a seu favor, gerando e acessando as emoções que quer;
- o líder deve conhecer o que motiva cada um de seus liderados e, preferencialmente, utilizar a liderança situacional, conforme o grau de maturidade de cada um deles, em relação às funções que são de sua responsabilidade.

RH - O controle das emoções torna-se necessário para a obtenção de resultados?
Ribeiro -
Sim, pois a ciência ensina que no cérebro há partes diferentes para diferentes funções. E quanto mais você usa determinada função, mais aumenta aquela parte do cérebro, ampliando a eficiência dele nessa função. Imaginemos a seguinte situação: Poliana é uma pessoa que se recusa a ver o problema, otimista é a pessoa que vê o problema e as possibilidades de solução, e o pessimista é aquela que se recusa a ver a solução. Considerando o que expliquei no início, qualquer uma dessas pessoas pode tornar-se mestre em sua maneira de encarar a vida, e isso afeta seus resultados, não é verdade? Outro ponto é que, toda emoção para ser criada teve um pensamento como causa e terá uma ação como efeito. Ou seja, pensamento gera emoção que gera ação. Portanto, dependendo do meu pensamento gero emoções positivas ou negativas, que influenciarão minhas ações, e, por conseqüência, os resultados que advirão delas.

RH - Que atitudes diárias devem ser valorizadas para que os resultados sejam obtidos sem grandes pressões?
Ribeiro - Penso que, entre tantos aspectos que podem ser observados, alguns dos mais importantes são os seguintes:
- levar em conta o tempo que falta para o evento e trabalhar focado em metas de resultados ou metas de performance, conforme for o caso. Quanto mais longe do evento, maior deve ser o foco nas metas de resultados e quanto mais perto do evento, maior é o foco nas metas de performance. Isso tira a ansiedade e alivia a pressão sobre a pessoa;
- aumentar o seu nível de controle da situação, direcionando seu foco de ação para o que vai gerar os resultados que você quer. Porque isso amplia sua eficiência e performance;
- gerar um modelo de pensamento mais otimista, porque quanto mais tempo você se mantém otimista, mais facilmente se motiva. O otimismo é uma habilidade baseada na permanência (tempo de duração), penetração (o que será afetado) e personalização (responsabilidade).

 

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