Mau humor no trabalho
Quando os profissionais não conseguem equilibrar suas expectativas com a realidade, acabam se frustrando
Por Maria Bernadete Pupo*
Percebe-se que a questão do mau-humor no ambiente corporativo, muitas vezes, não está relacionada a um distúrbio de personalidade, e, sim, a um estado temporário causado por um descompasso de interesses. Se de um lado o ambiente empresarial cobra talentos pró-ativos, empreendedores, inovadores, felizes e capazes de se adaptar às mudanças, do outro, os profissionais almejam uma organização repleta de desafios, de espaço para crescer, de reconhecimento e de um plano bem estruturado de cargos e salários.
Quando os profissionais não conseguem equilibrar suas expectativas com a realidade, acabam se frustrando e gerando um comportamento inadequado no seu dia-a-dia como: falta de comprometimento na execução do trabalho, inclinação para ganhar o maior salário com o menor esforço possível; permanente mau-humor no ambiente de trabalho; relacionamentos conflitantes; desrespeito à hierarquia; críticas destrutivas; desinteresse pela aquisição de novos saberes e habilidades; falta de percepção para ver, sentir, compreender e de se adaptar às mudanças do mundo moderno.
Com isso, sem que ao menos o profissional possa perceber, ele acaba se tornando uma pessoa intransigente e indesejada, não só pela organização, como também pelos próprios colegas de trabalho. Em meio a essa via de mão dupla, resta um dilema perverso para o profissional: como conciliar os interesses e transformar as adversidades em oportunidades? Existem duas alternativas:
A primeira delas é definir um foco para a vida, um objetivo e traçar metas. Saber o que queremos de verdade e fazer planos para obter sucesso são partes integrantes do nosso senso de identidade. Trabalhar na conquista de objetivos ajuda na auto-afirmação e dá a incrível sensação de liberdade e de direção de vida. Dessa forma, podemos optar por continuar naquele mesmo ambiente, desenvolvendo novas maneiras de agir e tirando proveito de tudo o que a organização nos oferece de bom.
O início para essa convivência é transformar o humor. A risada libera endorfina, uma substância analgésica que também desacelera o coração e gera uma enorme sensação de bem-estar. Quem ri bastante fica de bom-humor, tornando o difícil, mais fácil.
A segunda alternativa é de tomar decisões mais drásticas. Se não está feliz naquele ambiente e tal infelicidade poderá lhe trazer mais prejuízos, afetando, inclusive, sua saúde, saia da empresa, peça demissão – procure novas oportunidades. Assumir essa responsabilidade é sair do papel de vítima e assumir a direção da própria vida.
Mas antes de tomar a decisão de jogar tudo para o alto, faça uma profunda reflexão – não se esqueça de que a felicidade maior está dentro de nós. Se passamos por algum problema e este não estiver bem resolvido, não haverá o lugar ideal para a felicidade. Entretanto, se essa foi efetivamente sua opção, prepare-se para replanejar sua vida e a carreira.
O primeiro passo é buscar informações de si mesmo:
1. O que eu gosto de fazer?
2. Quais são as atividades em que me destaco por saber fazer bem?
3. Sou capaz de descrever alguns desafios que superei na vida pessoal ou profissional?
4. Que características pessoais utilizei na superação desses desafios?
5. Quais características, habilidades, qualidades eu gostaria de preservar por toda a vida?
6. Quais características e limites eu gostaria de abandonar?
7. O que eu estou fazendo para manter minha empregabilidade?
8. Relacionar suas principais habilidades e competências técnicas.
9. Relacionar suas principais habilidades comportamentais.
Após essa etapa, defina o foco, o seu objetivo, aquele que você colocará em destaque no seu currículo.
O segundo passo é definir uma abordagem ativa do mercado alvo, através da pesquisa detalhada de empresas que possam ter interesse na sua trajetória profissional e de competências. Você precisa ter interesse e vontade de trabalhar na empresa, mas ela também deve necessitar de profissionais com o seu perfil.
Por tudo o que vimos, isso significa dizer que: planejar, discutir, refletir, definir, repensar e decidir são tarefas nada fáceis, porém, prove que você é capaz de transformar todas as adversidades em oportunidades. Lembre-se de que a síndrome do mau humor produz sofrimento e o nosso desafio é o de transformá-lo em alegria.
*Maria Bernadete Pupo é administradora de empresas, pós-graduada em Direito do Trabalho e mestra em Recursos Humanos pela Unifieo.
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