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Aprendizagem Corporativa

Os desafios do e-learning

De acordo com a secretária-executiva da ABED, o e-learning não se propõe a substituir a aprendizagem presencial. "Quem não entrar nessa, vai ver a banda passar", avisa Adylles Castello Branco, secretária-executiva da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), ao falar de e-learning para a Revista T&D. Há seis anos a entidade movimenta a comunidade acadêmica em busca de soluções para a disseminação do uso do e-learning no país. A missão agora é convocar a comunidade empresarial para vencer o desafio de implementação do ensino a distancia em suas organizações.

A ABED foi criada, em 1995, a partir do interesse de alguns professores ligados à Universidade de São Paulo (USP) em discutir e conhecer experiências de e-learning. Seu presidente é o professor Fredric Litto, da Escola de Comunicação e Artes (ECA) e diretor da Escola do Futuro da USP. Durante todos estes anos a ABED cresceu no mesmo ritmo do interesse pela educação a distancia. "Nosso primeiro compromisso foi o de realizar um Congresso Internacional de EAD anual, que servisse de vitrine para as ações brasileiras no exterior. Já realizamos seis congressos. Em 2002, o evento acontece novamente em São Paulo, de 2 a 4 de dezembro", revela Adylles.

T&D - Quando o e-learning pode ser utilizado?
Adylles Castelo Branco - A educação a distância pode ser utilizada sempre que haja a necessidade de um trabalho educacional, de treinamento ou de aperfeiçoamento, passível de ser feito sem uma interação direta entre professor e aluno. Neste caso, há sempre a necessidade de utilização de uma interface tecnológica que será mais ou menos complexa, dependendo do projeto que se pretenda desenvolver.

Em Educação a Distância (EAD), a questão do planejamento do curso é muito importante e precisa ser muito mais sistemática do que em cursos presenciais, pois é através desse planejamento bem feito que é possível determinar os fatores que precisam ser pensados e resolvidos para possibilitar uma real aprendizagem. Hoje em dia, tem-se falado muito em "criação de comunidades virtuais de conhecimento", a partir da idéia do e-learning.

O conceito de comunidade virtual de conhecimento vai além da idéia de cursos a distância, e atinge o escopo de uma educação permanente, envolvendo todos os atores do processo. Para determinado tipo de empresas, essa idéia, bem aplicada, é bastante interessante, pois possibilita um envolvimento, um crescimento e uma atualização constante de funcionários de todos os níveis, prestadores de serviços, clientes, enfim, todos os que estão diretamente ligados ao serviço prestado pela empresa.

T&D - O ensino a distância substitui o ensino presencial?
Adylles Castelo Branco - Não, e nem pretende isso. A EAD é uma nova forma de fazer educação. Quando se fala em desenvolvimento de pessoas, fala-se em educação, que pode ser, dependendo da necessidade ou da opção, presencial ou a distância. A sala de aula nunca vai acabar. O que se pode, em alguns casos, é criar uma outra sala de aula, digamos, virtual. A EAD é um novo paradigma educacional, que necessita ser pensado como tal, mas que não tem nenhuma pretensão de substituir ou corrigir as falhas do ensino presencial.

T&D - O modelo de e-learning adotado nos Estados Unidos serve para o Brasil, sem restrições?
Adylles Castelo Branco - Sem restrições, não. Cursos feitos fora da comunidade onde serão aplicados precisam ser adaptados à realidade da comunidade receptora. Isto já acontece dentro do Brasil, com a mesma língua, mesma cultura geral, etc. Quando se traz um curso de um outro país, há a necessidade de uma adaptação, tanto no que diz respeito à tradução e à adequação do conteúdo como, também, à maneira de se apresentar esse conteúdo ao aluno. Esses cuidados são complexos, mas possíveis de serem realizados. Projetos de e-learning vindos de outros países são passíveis de serem usados confortavelmente no Brasil, desde que a adequação seja muito bem feita.

T&D - Como a ABED pode ajudar as empresas?
Adylles Castelo Branco - A ABED é uma interlocutora para todos aqueles que queiram discutir EAD. Temos boa penetração em universidades, instituições educacionais, regulares ou profissionalizantes (como o Senac e Senai), mas somos pouco conhecidos nas empresas e em suas áreas corporativas. Esse segmento precisa ser atraído para dentro da entidade, pois tem uma visão muito própria sobre a questão de desenvolvimento e treinamento de profissionais. As corporações têm muito a oferecer e a receber, ao usufruir de todas as informações que a ABED, por meio do trabalho de seus associados, já possui.

T&D - Quais as novidades na atuação da ABED para 2002?
Adylles Castelo Branco - Hoje em dia, por ser uma associação estabelecida e reconhecida, a ABED tem condições de voar mais alto, com a implementação do Portal ABED e com a inauguração da sede própria, -perto do Metrô Vergueiro, em São Paulo (SP)-, mais adequada no propósito de ampliar os serviços junto às comunidades acadêmicas e empresariais. A ABED pretende abrir-se para uma série de novas atividades: palestras, reuniões de trabalho, pequenos cursos pontuais, etc. Com o inicio dos trabalhos de três novas diretorias -de Qualidade e Ética, de Relações Nacionais e de Relações com o Setor Produtivo-, três novos profissionais de alto gabarito passam a se empenhar em novas formas de atendimento, diversificando cada vez mais o corpo de associados da entidade.

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