Um economista no RH
Há 17 anos atuando na área, Luiz Fornelli comenta em entrevista seu novo desafio à frente do RH da Sandvik e diz que a carreira está em alta no mercado

Por Clarissa Janini

Não é comum encontrar profissionais de RH que atuem na área desde o início da carreira – ainda mais quando a graduação diverge do padrão no ramo. Luiz Fornelli, formado em Economia, é a nova aposta da Sanvik do Brasil para a gerência do departamento. Contratado em setembro, ele conta em entrevista que, a partir de uma experiência no começo da carreira, descobriu que sua verdadeira vocação era atuar no gerenciamento de pessoas. Com passagem por empresas como Ericsson, Edwards Lifesciences e Torrent do Brasil, ele agora busca na Sandvik consolidar sua veia estratégica. Defensor do RH atuante, ele acredita que a área está em plena ascensão e que profissionais de qualquer formação podem ser competentes RHs. “O importante é mesmo gostar e saber lidar com pessoas”.

Fornelli, formado pela PUC de São Paulo, pós-graduado em marketing pela ESPM e com MBA em Recursos Humanos pela FIA/USP, contou ao Empregos.com.br suas expectativas à frente do novo cargo e principais experiências na carreira. Confira: 

Empregos.com.br - Você é formado em Economia. Como entrou para o mundo do RH?
Luiz Fornelli -
Fazia um curso técnico e já trabalhava na Ericsson antes de entrar na faculdade. Pensava em ser engenheiro, mas acabei cursando Economia na PUC/SP. Mas sempre trabalhei com RH. Certa vez houve um concurso dentro da empresa para um cargo de gerenciamento de pessoas, e acabei conseguindo a vaga e gostando do trabalho. Daí tive uma certa desconfiança de que meu negócio era lidar com pessoas – e já estou nisso há 17 anos.

Empregos.com.br - Quais foram os maiores desafios e realizações em sua carreira?
Fornelli -
Tive muitos momentos felizes na Ericsson. Por exemplo, nosso programa de trainees em 2000 foi reconhecido como um dos melhores do Brasil. Também realizamos um ótimo programa de retenção de talentos e envio de talentos para filiais no exterior. Já na Edwards destaco o programa de participação dos funcionários, que motivou muito todos os colaboradores e possibilitou que eles enxergassem a estratégia e os impactos provocados pela empresa. Acredito que essas tenham sido minhas três principais realizações em 17 anos de RH.

Empregos.com.br – E quais são seus principais desafios na Sandvik?
Fornelli -
Nosso desafio é justamente tornar o RH cada vez mais estratégico. Com a minha experiência atuando em conjunto ao negócio da empresa, pretendo tornar o RH mais participante nos resultados da organização e focar em nossos talentos internos.

Como está estruturado o departamento de RH na empresa?
Fornelli -
Na Sandvik possuímos uma estrutura matricial e não vertical, o que já ajuda no desenvolvimento do trabalho estratégico. Há a parte tática e operacional, responsável pela folha de pagamento, benefícios etc., que é coordenada pelos “serviços compartilhados”. Paralelamente, também há consultores internos em cada área de negócio. Assim, medimos as necessidades em cada célula da empresa e identificamos o que pode ser melhorado de perto.

Empregos.com.br – Com toda sua experiência, quais mudanças você observou no RH desde o início de sua carreira até os dias de hoje?

Fornelli - Antes o RH era passivo, esperava as coisas acontecerem para tomar uma atitude. Hoje cada vez mais o RH age pró-ativamente e valoriza as conquistas através das pessoas. Focar na estratégia é uma tendência muito forte. E isso vale também para empresas de médio e pequeno porte. Não é modismo, não vai morrer. Cada vez mais os gestores estão enxergando isso e preparando os funcionários para agir de forma estratégica.

Empregos.com.br - O que você acha de encontros e congressos voltados para o público de RH, como o Conarh (leia cobertura)? Eles apresentam realmente novas idéias?
Fornelli
- Acho que congressos como o Conarh são ótimas oportunidades para se conhecer novas soluções. Sou a favor de grupos específicos e encontros para discutir assuntos de RH, pois é uma grande oportunidade de compartilhar experiências e descobrir algo que possa impactar no seu negócio. Nesses casos, o networking é fundamental, mas não pode ser apenas uma troca de cartões, e sim uma troca de conhecimentos.

Empregos.com.br - Quais são as principais dicas para quem pretende trabalhar em RH? É um mercado em ascensão?
Fornelli –
A carreira em RH está cada vez mais valorizada. Não há graduação específica na área, mas há pós e MBAs muito bons, abrem a cabeça para novas idéias. Eu, por exemplo, fiz MBA depois de 15 anos trabalhando na área. Acho importante também quebrar a visão de que RH é só para psicólogos e pedagogos, qualquer formação dá base para atuar no setor. É preciso, de qualquer modo, entender o negócio e os objetivos da empresa, independentemente do ramo da organização. E, como principal dica para quem quer atuar com RH, claro, é gostar e saber lidar com pessoas.