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Fernando Cunha, superintendente de RH do Banco Santos
por Camila Micheletti

Preparar o banco do futuro. Este é o principal objetivo do Programa de Trainees recém-implantado no Banco Santos segundo Fernando Cunha, superintendente de RH. O primeiro grupo irá se formar em julho de 2004, mas já está aberto um processo para selecionar uma nova turma, que iniciará as atividades em janeiro de 2004. Este primeiro programa selecionou 28 jovens que, além da oportunidade de experimentar suas profissões na prática, estão recebendo um suporte acadêmico da Fundação Getúlio Vargas. Os escolhidos enfrentaram uma disputa acirrada pois, ao todo, o banco contabilizou 2,6 mil inscrições. Destas, foram selecionadas 600 de acordo com o critério desempenho de histórico escolar e curricular. Os que passaram na primeira triagem fizeram provas de português, inglês e conhecimentos gerais. Com isso, foram escolhidos 120 jovens que, em seguida, passaram por entrevistas com os executivos do Banco e consultores da FGV.

Fernando Cunha cursou economia na Universidade Gama Filho (RJ). Atuou no Banco Chase Manhattan, Bank of América, ING Bank N.V., Banco Bilbao Vizcaya Argentaria Brasil (BBV) e está no Banco Santos há quatros meses, tendo como desafio a revisão da estrutura funcional de toda a organização, assim como a adequação do padrão de políticas de Recursos Humanos. Recebeu várias premiações, como Prêmio TOP de RH – ADVB (dois anos seguidos), III Prêmio Capital Humano e Prêmio TOP de Qualidade, concedido pelo Instituto de Estudos e Pesquisas de Qualidade. Confira os detalhes do Programa de Trainees, que Fernando antecipou em entrevista exclusiva para o Empregos.com.br:

Empregos.com.br - Você acaba de implantar um programa de trainee no Banco Santos. Por que só agora? Qual a importância de um projeto como esse para a organização?
Fernando Cunha -
Passamos por um período de muito crescimento nos últimos anos, e a necessidade era atender a demanda de mercado. Por isso só recentemente começamos a pensar na estruturação do Programa de Trainees. O nosso objetivo é preparar o banco do futuro. Queremos começar a criar talento dentro de casa, pegar gente nova, que não traz vícios de mercado. Nesse sentido, os trainees são 'absolutamente virgens', e é isso que queremos mesmo. É a mesma relação que há no futebol: posso pegar um garoto que joga na várzea e desenvolvê-lo, mostrar como ele deve jogar; ou pegar um craque, um Ronaldinho, que com certeza vai me trazer mais resultados a curto prazo. Mas além do passe dele ser mais caro, eu corro o risco dele não se alinhar à minha organização. O primeiro emprego para os jovens recém-formados funciona como uma parceria entre a empresa e o trainee, onde todos saem ganhando.

Empregos.com.br - Mas hoje muitas empresas prefeririam acabar com o programa de trainee e ficar somente com os estagiários, que depois de um tempo de treinamento e capacitação, são selecionados novamente e tornam-se os trainees da empresa. Vocês já têm um programa de estágio. Não estão indo contra a corrente ao formar os trainees?
Fernando Cunha -
Você sabe por que as empresas acabaram com os programas de trainee? Porque o estágio é uma mão-de-obra mais barata. Você pode explorar o estagiário de forma mais profunda, mas sem haver vínculo formal, não há qualquer tipo de comprometimento entre as partes. No Banco Santos queremos justamente formar este vínculo, a intenção é que todos os trainees sigam carreira no Banco.

Empregos.com.br - Há um plano de carreira para os trainees?
Fernando Cunha -
O trainee já chega ocupando uma posição de nível superior, mas nós não fixamos um cargo, uma futura posição que ele vá ocupar. O que podemos garantir é que ele vai terminar o Programa com uma excelente formação e capacitação profissional. A velocidade para trilhar o caminho no Banco depende de cada profissional. Um dos grandes desafios de um programa como este é administrar as expectativas, tanto dos jovens quanto da empresa. Ao mesmo tempo que eles acham que já vão sair do Programa como gerentes, muitas organizações acham que terão um bando de garotos brilhantes, que vão revolucionar os processos e a gestão com atos heróicos. Isso é uma grande mentira, nenhum trainee é herói. Além disso, por ser um processo muito concorrido - dos quase 3 mil inscritos, apenas 28 foram selecionados - muitos jovens chegam ao Programa com um certo ar de soberba, que não é compatível com o nível profissional que eles têm.

Empregos.com.br - Como funciona o programa de trainee?
Fernando Cunha - O programa foi dividido em dois módulos. Os seis primeiros meses serão destinados à integração e ao conhecimento do negócio, fase denominada "Training on the Job", onde os jovens irão atuar em dois setores distintos em sistema de rodízio. As aulas na faculdade também seguem um programa rigoroso. Os alunos vão se aprofundar em temas como economia, contabilidade, controladoria bancária, matemática financeira, entre outros. O trainee vai contar com a ajuda de um tutor para orientá-lo e ajudá-lo no dia-a-dia do trabalho e também irá se reportar a um gestor. Nos seis meses finais, os trainees irão receber maiores responsabilidades e começarão a acompanhar as visitas aos clientes. Eles também irão preparar um projeto aplicativo, ou seja, um planejamento de consultoria, que deverá atender às necessidades definidas pela empresa. O projeto visa analisar melhorias operacionais no processo de gestão do banco.

Empregos.com.br - Quais são os pré-requisitos para participar do Programa?
Fernando Cunha -
Ter concluído o curso superior entre dezembro de 2001 e dezembro de 2003 nos seguintes cursos: Economia, Direito, Marketing, Relações Internacionais, Administração de Empresas e Engenharias. Também é imprescindível ter inglês fluente, domínio de informática, disponibilidade para trabalhar período integral e, claro, muita vontade de crescer.

Empregos.com.br - Como é o processo seletivo adotado pela empresa?
Fernando Cunha -
O processo inclui provas de português, inglês e conhecimentos gerais; dinâmica de grupo; entrevista individual com a consultoria e, por fim, painel e entrevista individual com executivos do Banco.

Empregos.com.br - Como são escolhidos os tutores?
Fernando Cunha - Eles devem ser, necessariamente, de uma área de atuação diferente da que o trainee trabalha, para não estar emocionalmente envolvido com as atividades. Vai atuar como um conselheiro, dando dicas sobre o trabalho, orientação sobre o que estudar, o que faz cada área. Vai ser, sobretudo, um anjo da guarda do trainee. Para se candidatar, os profissionais devem ter nível de supervisão para cima. Todos se candidatam voluntariamente. Se determinarmos os tutores, corre-se o risco de pegar alguém apenas para "cumprir tabela", o que não seria bom para ninguém.

Empregos.com.br - Quais benefícios vocês oferecem aos trainees?
Fernando Cunha - Benefícios são algo já estabelecido pelo mercado, não dá para inventar muito. Oferecemos um salário compatível com o que é oferecido pelo mercado, vale-transporte, vale-refeição, assistência médica e previdência privada. Mas o grande benefício é estar feliz com seu trabalho e sair de casa com muita vontade para trabalhar. Todos nós sabemos que o nosso lugar no mercado não é eterno e que valemos enquanto tivermos valor agregado para oferecer à empresa.

Empregos.com.br - Você enfrentou alguma dificuldade na implantação do Programa?
Fernando Cunha -
Não, nenhuma. Quando o presidente e o RH estão firmemente envolvidos, e têm o apoio total dos funcionários, não tem como dar errado.

Empregos.com.br - O setor de RH ocupa uma posição importante no planejamento estratégico do banco? O que é isso, na prática?
Fernando Cunha - Sim, com certeza. Gente sempre foi uma estratégia para nós. Capital nós temos, tecnologia está à venda, e o capital intelectual surge como principal ativo do banco. A importância é tanta que nossa assinatura é "Inteligência e Tecnologia".

Empregos.com.br - Você é economista. Essa formação ajuda em algo no trabalho com Recursos Humanos?
Fernando Cunha - Sim, ajuda a ter mais planejamento, além do conhecimento de custos e administração financeira.

Empregos.com.br - Você já trabalhou em outros bancos anteriormente. Quais as características do RH desse setor?
Fernando Cunha - O setor bancário exige, como em outras áreas, necessidade de conhecimento do negócio. Pelo tempo de maturação dos processos ser muito curto, o setor tem uma necessidade de resultados em um prazo também curtíssimo, por isso a capacidade de resposta deve ser muito rápida.