Mentes inquietas
Márcia Fernandes, diretora de RH da Promon, conta quais são os diferencias da companhia que a fizeram ser escolhida como a melhor empresa para se trabalhar no País

Por Gisèle de Oliveira

Há 24 anos na Promon, Márcia Fernandes – diretora de RH da empresa – traz consigo a característica que marca os funcionários da companhia eleita a “Melhor Empresa Para Se Trabalhar” no País: a inquietude, que no caso dos profissionais da Promon é traduzida em questionamentos, iniciativa e participação atuante no dia-a-dia da empresa. Provavelmente, esse sentimento de fazer parte de um projeto, mais do que possuir ações da organização – a maioria dos funcionários é acionista da Promon –, seja a causa principal para o alto nível de satisfação de todos que lá trabalham.

Em entrevista especial ao Empregos.com.br , Márcia conta como é lidar com tantas mentes inquietas e o que faz a Promon ocupar o primeiro lugar da lista das melhores empresas para se trabalhar no Brasil. Confira e boa leitura!

Empregos.com.br – O que faz da Promon a melhor empresa para se trabalhar no País?
Márcia Fernandes – Não tem um motivo isolado. A consistência do nosso trabalho traduz essa satisfação. A Promon é de propriedade dos funcionários, a maioria tem ações da empresa, e se decidir deixar a companhia tem que vendê-las. Temos regras para impedir que haja um sócio majoritário, o presidente tem um mandato de três anos, criamos esse ambiente onde as pessoas são donas. Tudo é feito com transparência, tudo é comunicado, todos participam das decisões. Acredito que tudo isso reflita no resultado que conquistamos.

Empregos – Como alcançar esse nível de satisfação entre os colaboradores?
Márcia – A Promon é uma empresa que inova muito, que se reinventa a cada ciclo, a cada novo negócio. Estimulamos a novidade e a participação de todos na vida da empresa. Queremos que se instale em cada um o sentido de pertencer, de contribuir, de compartilhar conhecimentos e resultados.

Empregos – Já que a participação dos funcionários é uma prioridade da empresa, como é que vocês fazem para que todos tomem parte nas decisões que vão definir o rumo que a companhia irá tomar?
Márcia – A comunicação é a palavra-chave, a informação é irrestrita a todos. Para tratarmos de decisões sobre os rumos da empresa promovemos o que chamamos de discussão em cascata, em que os assuntos são discutidos primeiramente entre a direção geral, comitê executivo, profissionais seniores e com representantes de unidades de negócio, que discutem com as suas respectivas unidades para informá-las e para que ratifiquem a decisão a ser tomada. Enquanto isso, a direção já está sendo alimentada com informações a respeito das situações e opiniões dos funcionários de cada área. Também fazemos encontros de comunidades tantas vezes quantas forem necessárias, realizamos fóruns menores para a discussão de temas de interesses específicos, nos quais as pessoas podem se inscrever, e temos encontros técnicos relacionados a uma área específica dos negócios.

Empregos – O que a Promon procura, espera e valoriza em um profissional?
Márcia – Queremos alguém que tenha uma participação efetiva no cotidiano da empresa. Nosso funcionário sabe que ele tem que se manifestar, tem que fazer o seu próprio caminho, não tem ninguém traçando o futuro por ele. Buscamos essa identificação do profissional com esse ambiente, procuramos perceber isso nas conversas. Se existe essa identificação, queremos saber como vai se integrar ao ambiente, se vai conseguir compartilhar e contribuir com a empresa. A grande característica de nossos funcionários é que são pessoas inquietas, que questionam, que integram o dia a dia da empresa, que oferecem contribuições e soluções, mas que também participam dos resultados, pois na Promon toda riqueza que é gerada é repartida, e estão comprometidas com o interesse geral. Não adianta termos alguém inquieto, mas que não é comprometido com a empresa, com seus colegas e com nossa filosofia.

Empregos – Não deve ser uma tarefa fácil administrar pessoas tão inquietas, já que estas normalmente são mais questionadoras, mais difíceis de controlar. Como vocês lidam com essa característica tão valorizada pela empresa e que ao mesmo tempo pode causar certa instabilidade?
Márcia – Realmente, não é fácil administrar tanta inquietação (risos). Mas conseguimos resultados com muita conversa, com muito feedback. Gente e comunicação são nossas prioridades. Por isso o acesso aos nossos dirigentes é irrestrito, qualquer pessoa pode falar com o presidente. Temos programa de mentoring profissional para ajudar o funcionário a planejar sua carreira, para identificar as trajetórias possíveis dentro da empresa. Normalmente não é o chefe quem faz esse trabalho de mentor, para que o funcionário receba um feedback diferente e possa comparar com a percepção do próprio chefe. Nós sempre destacamos a importância de dar e receber feedback.

Empregos – Então, se há esse planejamento, se é possível traçar um caminho dentro da empresa, como a Promon trabalha essa mobilidade interna?
Márcia – Temos um ambiente que favorece a mobilidade interna. Quando surge uma vaga ela vai direto para nosso portal. Todos tomam conhecimento e nenhum chefe aqui dentro vai se sentir traído se o seu funcionário se candidatar à nova vaga, ele sabe que o profissional está vendo uma real oportunidade de encarar um novo desafio em sua carreira.

Empregos – O RH consegue ter um papel atuante junto à direção da empresa?
Márcia – Com certeza. Faço parte do comitê executivo da companhia e o RH é convidado a participar das decisões da empresa. Temos uma atuação destacada que busca valorizar as pessoas como o bem maior da Promon. Estamos sempre voltados para planos de capacitação técnica e comportamental.

Empregos – Qual foi o momento mais difícil enfrentado pelo RH e, conseqüentemente, com os funcionários?
Márcia – Por sermos uma comunidade tão integrada, as situações mais difíceis foram aquelas em que foi preciso fazer cortes e desligamentos. O momento mais difícil foi em junho de 2002, quando 200 pessoas foram demitidas. Além de ser um momento triste e difícil, é complicado também reconstruir o ambiente depois de um caso tão traumático assim.

Empregos – Quais são as expectativas do RH para 2006? Existe algum projeto que deve ser implementado este ano?
Márcia – Temos alguns projetos, vamos discutir o planejamento estratégico. Mas esse é um ano eleitoral e não é um momento de grandes contratos e investimentos. Nossa meta é ser reconhecida, mais uma vez, como a melhor empresa para se trabalhar, estar entre as primeiras, mas o foco é manter nosso funcionário satisfeito e o prêmio é uma conseqüência dessa satisfação. Outro objetivo é nos mantermos atuais aos negócios, oferecendo capacitação e desafios aos nossos funcionários.