Willians Pressi, Diretor do Centro de Negócios da DISOFT Solutions
por Juliana Ricci
Nem mesmo as crises e os altos e baixos da economia brasileira são capazes de abalar o desenvolvimento e os planos da DISOFT Solutions, desenvolvedora de soluções em tecnologia da informação para o mercado financeiro. Essa pequena-grande empresa com sede em São Paulo conta com 75 funcionários responsáveis pelo faturamento de R$ 6,7 milhões em 2003, e que em 2004 deve bater a marca dos R$ 7,5 milhões. A projeção para 2005 é de que o faturamento cresça mais 15%.
A fórmula mágica? De acordo com Willians Pressi, diretor do Centro de Negócios da empresa, o crescimento é resultado do modelo de gestão participativa, adotado há cerca de 2 anos. Os profissionais foram agrupados em 23 comitês, de acordo com a área de atuação, e todas as decisões da empresa são tomadas a partir do consenso dessas equipes, que se reúnem semanalmente para debater as questões relevantes aos negócios. "Esse tipo de administração adota conceitos de valorização do conhecimento, do compromisso e do envolvimento de todos os funcionários e colaboradores da empresa nas tomadas de decisões", explica.
O crescimento da Disoft também se deu por conta da movimentação no mercado que consome a tecnologia desenvolvida pela empresa. "Muitas instituições financeiras estão investindo em melhorias nos produtos já existentes para suportar o crescimento da demanda de crédito e também desengavetando projetos que estavam parados nos últimos dois anos. Isso tem estimulado a DISOFT a investir no desenvolvimento de novas soluções para atender a necessidades do segmento de crédito, com destaque para as ferramentas para operações de varejo", diz Willians.
Com 20 anos de atuação, a DISOFT consolidou-se como desenvolvedora de soluções para o gerenciamento de operações de leasing, ampliando nos últimos anos seu know how para demais operações de crédito, com o lançamento de soluções para simulação, captura, aprovação e formalização de operações financeiras. Saiba mais sobre o modelo de gestão participativa e o RH da DISOFT nesta entrevista, que teve a participação de Sueli Faria, Executiva de Relações Humanas da empresa:
Empregos.com.br - Como surgiu a idéia de adotar o modelo de gestão participativa? Como funciona?
Willians Pressi – A empresa hoje é gerida por 23 comitês de funcionários divididos por áreas de interesse – Produtos, Comunicação, Arquitetura de componentes e outros. Os comitês são compostos por pessoas dos setores ligados às áreas. Cerca de 80% do quadro de funcionários participam das decisões do negócio. Há 2 anos usamos esse sistema para todas as situações. Fazemos reuniões semanais com cada comitê para ver o que precisa ser feito e avaliar o que já foi feito. Decidimos adotar esse modelo quando percebemos que era uma forma de envolver as pessoas, valorizando o conhecimento e a criatividade, promovendo o crescimento profissional das pessoas na medida em que a hierarquia deixa de ser fundamental e as opiniões de todos têm o mesmo peso. Assim, os profissionais sentem-se livres para opinar e se comprometer com o resultado do que foi decidido.
Empregos.com.br - Qual o critério para definir os participantes dos comitês e seus representantes? Quem faz isso?
Willians Pressi - Cada comitê tem um líder que não é necessariamente o diretor da área. Às vezes acontece de ter um subordinado liderando um comitê em que seu diretor está, mas não é uma questão de hierarquia e sim de opinião, então não há conflito. A grande vantagem desse modelo é o fortalecimento do grupo. Acontece também de chamarmos pessoas de fora do comitê somente para participar de alguma decisão que a envolva.
Empregos.com.br – Vocês dizem que 80% dos colaboradores estão envolvidos nos comitês e nas decisões. Os outros 20% não se sentem excluídos?
Willians Pressi - Não envolvemos todo mundo por uma questão de logística. Algumas pessoas, principalmente das áreas de suporte da empresa, precisam dedicar seu tempo a outras coisas e muitas vezes não estão diretamente ligadas às decisões de negócios. Mas quem não tem presença fixa geralmente é chamado esporadicamente para participar. A carta de valores da empresa foi escrita com participação de 100% das pessoas.
Empregos.com.br - Esse projeto amplia competências dos profissionais? Como?
Willians Pressi – Sim, amplia. Eles aprendem a tomar decisões e participam do processo decisório, diferente de quem recebe uma ordem e tem que acreditar que aquilo é o certo. Isso faz com que as pessoas não se calem diante do que ouvem. Se há um consenso é porque todos concordaram. A gestão participativa favorece o entendimento das necessidades do cliente. Ele deixa de ser um inimigo porque é visto como a razão da existência da empresa. Assim as pessoas adquirem maior responsabilidade no que fazem.
Empregos.com.br - É fácil para o profissional de TI assumir responsabilidades como essas?
Willians Pressi – A área de TI tem que ser vista como estratégica no desenvolvimento de negócios. Por isso, esse modelo é uma oportunidade para o profissional da área ficar perto da estratégia do cliente e entender a responsabilidade dele no resultado e na ampliação de negócios do cliente. Quando a tecnologia traz um benefício ao ser humano, o processo de evolução do profissional de TI é enorme e ele se compromete com o prazo de entrega dos trabalhos, além de conseguir buscar soluções para os eventuais problemas mais rapidamente.
Empregos.com.br – Com tantas pessoas envolvidas, o processo de tomada de decisão fica lento? Como os clientes vêem isso?
Willians Pressi – Sim, pode acontecer de uma decisão demorar um pouco mais para ser tomada, mas quando isso acontece, ela surge de um consenso e a execução acaba sendo mais rápida e objetiva do que no modelo tradicional de gestão. Isso acontece porque quem participa da decisão está comprometido e já sabe como deve implantá-la. A possível demora na primeira etapa é compensada pela agilidade na segunda.
Empregos.com.br O RH é totalmente integrado ao business da empresa?
Sueli Faria - Nós dividimos a área de Relações Humanas em 2: gestão das pessoas, que é responsabilidade da Tatiana Novo e cuida de questões relacionadas a clima organizacional, relacionamento, contratação, benefícios, pagamento. Eu trabalho em parceria com ela e também dirijo a área, cuidando da execução das ações de gestão das pessoas. O comitê de Gestão da Empresa é responsável por discutir as políticas de RH, as práticas ligadas aos colaboradores e também as exceções. O RH tem que estar preocupado com a alma das pessoas e com sua opinião inclusive sobre o modelo de gestão participativa.
Empregos.com.br – Quais são as políticas de Recursos Humanos da empresa?
Sueli Faria - grande parte do pessoal é consultor, prestador de serviço. O pessoal de suporte e administrativo, é CLT. Para os funcionários contratados sob regime CLT, damos todos os benefícios de lei, com diferencial de não haver desconto no holerith. Temos um programa de auxílio educação também: 20% de bolsa para os estudantes. Para os prestadores de serviços não há política de benefícios, mas temos práticas internas das quais eles participam. Por exemplo: mantemos a remuneração para até 15 dias de licença médica e após esse período, mantemos um valor menor. Todo consultor, depois de 6 meses de prestação de serviço, tem direito a 5 dias úteis de descanso remunerado. E quando algum deles deseja receber esse período em dinheiro, nós debatemos a respeito no comitê de Gestão. A confiança, a transparência na relação e a responsabilidade permitem isso.
Empregos.com.br - Qual a taxa de turn over?
Sueli Faria - Como lidamos com prestadores de serviço, esse conceito não funciona para nós. Por exemplo, hoje estamos com 12 profissionais dedicados a um projeto e quando eles saírem, devido ao fim do projeto, não posso considerar turn over.
Empregos.com.br – A DISOFT tem algum projeto na área de Responsabilidade Social?
Sueli Faria – Sempre nos preocupamos com isso mas a área de RS só foi criada oficialmente neste ano. Nós colaboramos com os Doutores da Alegria e com o Instituto Ethos. Também implantamos o projeto Aprendiz, para ensinar e dar oportunidade de trabalho a estudantes de 2º grau de baixa renda. Fizemos uma parceria com uma ONG que seleciona os candidatos e estamos com 2 aprendizes. Pretendemos aumentar esse número em 2005.