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Da clínica ao RH estratégico
Com pouco mais de um ano de casa, Alcino Therezo Júnior passou de gerente de recrutamento e seleção a diretor de desenvolvimento organizacional para América da EDS. Confira o que ele fala de sua experiência profissional e sua opinião sobre assuntos do mundo do RH



Por Clarissa Janini

Trabalhar em RH nem sempre é a primeira escolha dos profissionais da área. Ainda pouco explorado nas universidades, o exercício da função acaba sendo uma surpresa (normalmente agradável) para quem tem a oportunidade de entrar em contato com o setor. O caso de Alcino Therezo Júnior, diretor de desenvolvimento organizacional para América Latina da EDS, exemplifica perfeitamente a situação. Formado em psicologia pela PUC de Campinas, ele nunca havia pensado em trabalhar com RH - queria, ao invés, atuar em psicologia clínica ou acadêmica. Após ter contato com todas as áreas de sua formação - exceto RH, ele recebeu um convite para ser consultor interno de desenvolvimento humano em uma empresa e se surpreendeu com as possibilidades oferecidas dentro das organizações.

Hoje, mais de dez anos após sua primeira experiência com RH, ele desponta como responsável por diversas áreas estratégicas relativas ao capital humano da EDS. Com pouco mais de um ano de casa, ele passou de gerente de recrutamento e seleção a diretor de desenvolvimento organizacional para América Latina - função que abrange, desde seleção e treinamentos internos, a planejamento e gerenciamento das migrações da força de trabalho. Aqui, ele conta com detalhes sua experiência profissional e opina sobre assuntos em pauta no mundo do RH. Confira.

Empregos.com.br - Você é formado em Psicologia. Sempre pensou em atuar na área de RH?
Alcino Therezo Júnior
- Gosto muito de comentar sobre esse assunto, porque eu sempre quis trabalhar em clínica e nunca pensei em RH - estudei, simultaneamente com o curso, Psicanálise. Quando estava no quinto ano de faculdade, fiz estágio em todas as áreas da Psicologia: escolar, hospitalar, forense, clínica. Só não fiz em organização empresarial, porque não queria atuar em RH - não acreditava que as organizações pudessem trazer algo de construtivo na área. Eu queria mesmo é dar aula, fiz inclusive mestrado em Psicologia Educacional. Comecei minha carreira atuando em clínica e lecionando, mas dois anos após o mestrado tive uma desilusão com o mundo acadêmico. O aluno, assim como nas empresas, é um cliente, mas na área de ensino não dá muito para ir além do convencional. Foi aí que recebi um convite da Softec para ser consultor interno de desenvolvimento humano e me surpreendi. Descobri que existe um capital intelectual muito grande dentro das organizações, e eu achava o RH quadrado.

Empregos.com.br - No que consiste sua função de diretor de desenvolvimento organizacional? Quando surgiu o cargo?
Alcino
- É um braço do RH, subdividido em quatro áreas:

  • Recrutamento e seleção, que é a mais importante do departamento, super estratégica, porque o capital humano é o que há de mais importante para nós;
  • Treinamento e desenvolvimento, na qual priorizamos capacitar, desenvolver e reter talentos. Fazemos tudo de coração para motivar o funcionário, até porque não podemos ter um turn over muito grande devido à competitividade do mercado. Buscamos sempre ser "top of mind" como empregadores;
  • Workforce Planning, que consiste no gerenciamento da força de trabalho;
  • Gestão de projetos, que é uma área menor, voltada para o suporte de projetos maiores.

Esta estrutura é nova, criada em janeiro para aumentar a eficiência dos processos e facilitar a tomada de decisões estratégicas.

Empregos.com.br - Com tudo isso, nem é preciso perguntar se você considera o departamento de RH da EDS estratégico, não é?
Alcino
- Vou dizer uma coisa, já trabalhei em 32 projetos diferentes e nunca tinha visto um trabalho estratégico tão bom quanto na EDS. Temos problemas, claro, como excesso de trabalho, porque o time é enxuto. Temos pontos negativos como qualquer outra empresa, mas o RH daqui é extremamente eficiente e estratégico.

Empregos.com.br - Você está há cerca de um ano na empresa. A quê credita seu crescimento profissional dentro da organização?
Alcino
- Tive uma escola muito boa, a consultoria PricewaterhouseCoopers. Lá aprendi a ter, ao mesmo tempo, uma visão generalista e estratégica de RH. Estando na EDS, juntei a fome com a vontade de comer. Acredito que a área de desenvolvimento organizacional esteja tendo um rápido sucesso devido à grande escola estratégica que tive e à minha formação bastante diversificada.

Empregos.com.br - Quais foram seus maiores desafios na empresa, até agora?
Alcino
- Acredito que tenha sido realizar recrutamentos em tempo 50% menor que o do mercado e de maneira igualmente eficaz. Agora o desafio é organizar a casa e integrar as quatro áreas do desenvolvimento organizacional para atender ao grande crescimento que está por vir.

Empregos.com.br - A EDS tem uma integração muito forte dos países da América Latina. A atual crise política no continente interfere nas relações entre os países?
Alcino
- A matricialidade daqui é muito perfeita e a união dos times é bastante inteligente. Temos uma ótima interação, tanto que percebemos poucas diferenças culturais entre nós, mesmo sendo de países diferentes. Graças a Deus, temos muito trabalho a fazer e somos muito focados, por isso não percebemos crise alguma.

Empregos.com.br - Como você enxerga o futuro do RH no Brasil, do ponto de vista da atuação estratégica?
Alcino
- Essa é uma questão perigosa, não pode ser encarada como modismo. O RH é estratégico quando está próximo do negócio da empresa. Para se ter uma idéia, nos anos 90, 60% das empresas ainda tinham o Departamento Pessoal - poucos sabem que o termo RH existe mesmo há cerca de dez anos. Acredito que um RH extremamente estratégico é para os próximos anos, a partir de 2010. Temos visto muita "inteligência instalada", quando consultores de fora são contratados pela empresa e injetam inteligência no RH. As organizações estão receptivas a isso, é um bom momento, todos sabem que têm de correr atrás de novos conhecimentos. O progresso brasileiro é muito bom, aliás, nessa questão a América Latina tem despontado absurdamente.

Empregos.com.br - O que você acha de eventos específicos de RH, como congressos e palestras, muito em voga nos dias de hoje? É uma alternativa válida para os profissionais da área ou apenas modismo?
Alcino
- Freqüentar e estimular a participação nesse tipo de evento é uma das coisas mais importantes que os gerentes devem fazer. São momentos de reflexão, de discussão entre os profissionais da área. RH se aprende por osmose, trocando idéias e criando novas. Todo e qualquer simpósio é fantástico para levar a diversidade para dentro da empresa e compartilhar experiências. E o pessoal de RH é um público bem animado, são os que mais interagem com os outros nesse tipo de evento.

Empregos.com.br - Quais são suas dicas e recomendações para quem está entrando na faculdade e pensa em trabalhar em RH e para quem já está iniciando a carreira na área?
Alcino - Para quem pensa em trabalhar em RH, recomendo as faculdades de Psicologia e Administração que tenham matérias relacionadas a RH na grade. Uma dica básica: procure por universidades que estejam com a grade curricular atualizada, que saibam o que acontece no mercado. Depois recomendo que procurem por uma pós-graduação específica ou cursos simples de RH, não precisa ir direto para o MBA. É bom saber que iniciar a carreira já na área é um ótimo começo e aumenta as perspectivas de crescimento. O verdadeiro profissional de RH começa trabalhando em RH. A experiência de ter iniciado na área é vantajosa para quem deseja construir uma carreira sólida. E hoje, cada vez mais, as empresas estão abrindo vagas em Recursos Humanos. É só procurar que tem.