Regina Stuque e Américo Garbuio Jr., gerentes de RH da Schincariol
por Clarissa Janini
Itu, São Paulo, 1939. Local e data do surgimento da Schincariol, que deu seu primeiro passo com a fabricação do refrigerante Itubaína e hoje detém 13% do mercado nacional de cerveja. Foram décadas e décadas até o grupo conseguir se firmar como uma das grandes indústrias de bebida do Brasil. O lema da empresa, aliás, é “Orgulho de ser 100% brasileiro”. Os números refletem a abrangência da marca em todo o país: hoje existem oito fábricas, cada qual em uma diferente região brasileira, cerca de sete mil funcionários, oito centros de distribuição próprios e outras 250 distribuidoras terceirizadas.
O departamento de RH também sofreu diversas mudanças e aprimoramentos que acompanharam a evolução da Schincariol. Do surgimento da marca até o início da produção de cerveja, em 1989, o setor ainda era denominado “departamento pessoal”, e tinha como objetivo simplesmente manter as obrigações trabalhistas dos funcionários.
As exigências do mercado e o crescimento do grupo, que aos poucos foi construindo fábricas em todas as partes do país e contratando cada vez mais funcionários, foram fatores determinantes para que houvesse uma intensa reestruturação no setor de RH. Essa transformação foi tema da palestra “RH Schincariol – agente de um ambiente de mudanças”, que aconteceu dia 15 de março no CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola). Regina Célia Stuque e Américo Garbuio Jr., ambos gerentes de RH da empresa, contaram um pouco da história da marca e do RH na corporação. Hoje, o mote do setor é “As pessoas fazem a diferença”.
Regina, também natural de Itu, é psicóloga com pós-graduação em psicodrama e está no grupo desde 2002. Atua nos setores de recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento e comunicação Interna. Já Garbuio, formado em ciências contábeis com foco em RH, está há seis anos na Schincariol e é o responsável pelas áreas de cargos e salários, administração de pessoal, relações industriais, segurança e medicina do trabalho e serviço social.
Confira a seguir mais informações sobre o setor de RH da empresa na entrevista concedida pelos dois profissionais ao Empregos.com.br.
Empregos.com.br – Como está estruturado o setor de RH da Schincariol? Quantos departamentos existem?
Américo Garbuio Jr. – Hoje nós dividimos a área de RH em dois grandes grupos: a área de desenvolvimento e a área de administração de recursos humanos. A área de desenvolvimento abrange os departamentos de seleção, treinamento e desenvolvimento e comunicação, que são de responsabilidade da equipe da Regina. A área de administração de recursos humanos trabalha com cargos e salários, relações industriais, administração de pessoal, segurança e medicina do trabalho e serviço social.
Empregos.com.br - Quantas pessoas vocês gerenciam em cada setor?
Américo Garbuio Jr. – Nas duas áreas juntas nós temos 44 pessoas, e em cada unidade do grupo nós temos uma equipe de RH, que são multiplicadores de nossa política. Então, somando-se as 44 pessoas focadas no corporativo com as outras que trabalham em cada unidade, temos aproximadamente 150 profissionais de RH.
Empregos.com.br – Desde o início da Schincariol até os dias de hoje o que se pode notar é um intenso crescimento. Vocês já passaram por muitos momentos de crise? Como o RH lida com essa questão?
Américo Garbuio Jr. – Estou na Schinacariol desde 1998 e nesse tempo nunca vi crise alguma. Pelo contrário, só vivenciamos crescimento, a cada ano tínhamos um negócio novo e um resultado novo. Acho que a maior crise que vivemos foi mesmo o falecimento do superintendente do grupo, o senhor Nelson Schincariol, filho do fundador da empresa, Primo Schincariol. Estávamos prestes ao lançamento de um novo produto, a cerveja Nova Schin, e ele faleceu 14 dias antes. Isso nos gerou uma certa insegurança, mas que rapidamente se desfez, pois ele era um homem extremamente visionário e já estava preparando sua saída e estruturando a empresa para isso. Por isso, acho que o primeiro sentimento foi de desespero, mas o segundo foi de união.
Empregos.com.br - A agressividade do marketing por causa da concorrência com outras marcas afeta o RH? Ele também tem essa postura?
Américo Garbuio Jr. – A campanha da Nova Schin fez com que se criasse uma “onda”, tanto internamente como em todo o mercado. Nós do RH temos trabalhado na mesma linha, de criar uma “onda”, atuando em todos os momentos e em todos os projetos. Acho que é nosso grande papel: que o RH seja um alicerce para essa gestão ou para próxima, que tenha uma linha-mestra bem definida e que a gente possa estar atuando dentro da estratégia da empresa. Já demos muitos passos e acho q isso está efetivamente acontecendo.
Empregos.com.br – Qual é a diferença entre o RH da Schincariol e o da maioria do mercado?
Américo Garbuio Jr. - Eu não diria diferença. Uma coisa que eu acredito muito é que não existem modelos de RH prontos. Cada empresa tem a sua característica, sua cultura. Você precisa entender essa cultura e criar ações que estejam alinhadas com ela. Não adianta nada você entrar em uma empresa e tentar implantar um case de sucesso sem que a corporação esteja preparada para isso.
Empregos.com.br - Qual é a taxa de turn over da
empresa?
Américo Garbuio Jr. - A taxa de rotatividade de pessoal é muito pequena. Nos centros de distribuição ela é um pouco mais alta, até pela característica do negócio. Mas, em geral, a gente não tem uma alta taxa de rotatividade. Na verdade, ultimamente a gente só tem admitido...
Empregos.com.br - O que é a Academia Schincariol? Como surgiu a idéia desse projeto?
Regina Célia Stuque – A Academia Schin, criada em 2003, promove o treinamento e desenvolvimento dos colaboradores e surgiu devido a uma demanda tanto de treinamento técnico como de desenvolvimento comportamental, de criatividade, empreendorismo, entre outros. Nós pensamos em academia no conceito grego da palavra, de estudos, e também no sentido mais físico, de treinar uma determinada questão. Seja pelo desenvolvimento do conhecimento ou de uma atividade, a academia surgiu dessa demanda.
Empregos.com.br - Vocês têm programa de retenção de talentos? Como funciona?
Regina Célia Stuque – Eu acho que a retenção de talentos é algo natural, a partir do momento em que você desenvolve políticas e ambiente de trabalho saudáveis. Se há planejamento e você faz com as pessoas sintam que realmente fazem a diferença, é muito provável que as pessoas fique, que permaneçam na empresa. Os nossos programas visam o desenvolvimento e a permanência do funcionário. Todos os nossos programas têm o intuito de reter esses talentos.
Empregos.com.br - E como vocês trabalham a motivação dos colaboradores?
Regina Célia Stuque – A motivação funciona de maneira holística em nossos programas. Na hora em que são desenvolvidos programas de qualidade de vida você está trabalhando a motivação das pessoas, com o bem-estar. Então, esta motivação está intrínseca exatamente com a retenção. Ou seja, poder criar programas que desenvolvam esse profissional como um todo. Aí então ele terá fontes para estar motivado.
Empregos.com.br - Vocês ministrarão oficinas às funcionárias em comemoração ao dia das mães, por exemplo. Como funcionam esses benefícios em datas comemorativas?
Regina Célia Stuque – Sempre que há datas comemorativas como essa ou programas de qualidade de vida realizamos esse tipo de evento. Por exemplo, se vai haver uma palestra específica sobre tabagismo, estamos desenvolvendo consciência e motivação nos colaboradores. Então, procuramos sempre desenvolver este tipo de atividade.
Empregos.com.br – Quais são os planos para o futuro da Schincariol e para o RH da empresa?
Regina Célia Stuque – Em 2005 pretendemos ampliar o número de unidades fabris, assim como a criação de novos produtos. Também pretendemos ampliar nossas fronteiras e expandir os negócios para o Mercosul. Dentro da empresa, pretendemos montar um banco de dados virtual bastante abrangente. Outro ponto em que a Schincariol é bastante preocupada são os programas sociais, mais especificamente para crianças e jovens. Internamente, iremos criar um programa para portadores de necessidades especiais, com trabalho de capacitação específico. Em 2005 iremos divulgar o primeiro relatório social da empresa.