Uma apaixonada pelo RH
Paula Traldi fala de sua experiência e do novo desafio como diretora de RH da Novartis, cargo que ela assumiu há pouco mais de dois meses
Por Gisèle de Oliveira
Quando cursava a faculdade de psicologia, Paula Traldi não pensava em trabalhar com Recursos Humanos. No entanto, foi fazer estágio na área e, se apaixonou pelo trabalho. “A faculdade sempre enfatizou mais o lado da clínica. Mas decidi fazer estágio na área e me apaixonei. Na clínica, você fica lá aguardando que as pessoas levem seus mundinhos até você. Por uma característica minha, prefiro eu mesma ir até o mundo das pessoas e ajudá-las”, conta a psicóloga.
Desde então, ela passou pela Autolatina, Phillip Morris, Unilever e, recentemente, assumiu a direção do RH da Novartis, fabricante de produtos farmacêuticos. Embora seja a primeira vez trabalhando numa empresa desse ramo, a paixão de Paula pelas pessoas e pelo RH a fez abraçar com todas as forças esse novo desafio. Confira na entrevista exclusiva que concedeu ao Empregos.com.br o que ela conta sobre essa nova fase cheia de novidades.
Empregos.com.br – Como foi sua chegada à Novartis?
Paula Traldi – Foi há pouco mais de dois meses e essa é a minha primeira experiência numa empresa desse ramo, e os primeiros contatos foram de muita emoção, muitas novidades. Fiquei muito bem impressionada com a estrutura já existente e com as experiências desenvolvidas aqui.
Empregos.com.br – Já começou a implementar mudanças ou ainda está na fase de estudar a companhia?
Paula – Uma mistura das duas coisas. Não dá para sair fazendo mudanças sem conhecer as pessoas, mas uma empresa desse porte também não fica esperando seis meses para que algo aconteça. A minha chegada coincidiu com o programa voltado à diversidade dentro da companhia, que visa aumentar o número de vagas para pessoas com deficiência, o número de mulheres em cargos de direção, por exemplo. Estamos preparando a empresa para isso. No dia 2 de outubro, uma moça com deficiência já começou a trabalhar no recrutamento. Para nós é um prazer tê-la conosco e nos ajudando nessa tarefa.
Empregos.com.br – Quais são seus objetivos mais imediatos?
Paula – A minha chegada coincidiu ainda com a de pessoas novas na empresa e com outras que mudaram de cargo. O time de liderança precisa se unir e determinar como liderar a equipe da Novartis. Esse é o principal, uma vez que a liderança é seguida pelo restante dos funcionários. Encontrei práticas muito boas em determinados departamentos, o objetivo é alcançar o mesmo nível de excelência em todas as áreas. Já temos uma cultura muito vencedora e a prioridade será buscar mais ajuda interfuncional, entre os departamentos. O objetivo final é alinhar o departamento de vendas com o de marketing e com o cliente. Quero ajudar a empresa a olhar mais para fora, olhar mais para seu cliente final, que são os médicos e os pacientes.
Empregos.com.br – Qual você acredita ser o seu grande desafio na Novartis?
Paula – Fazer da Novartis Brasil um celeiro de talentos para o mundo. Já participei de reuniões internacionais e todos comentam a qualidade de nossos profissionais. Eles têm histórico profissional, têm a carga técnica, mas têm também uma garra tão grande, e quero exportar esses talentos, além de consolidar o time de liderança e formar as lideranças que vêm depois.
Empregos.com.br – Apesar de bem estruturado, o que você acredita que precisa ser mudado no RH e na empresa?
Paula – Sempre o que acaba falando mais alto ao meu coração é a questão da qualidade de vida e bem estar dentro da empresa. Quero que haja equilíbrio, que nossos funcionários cuidem mais da alimentação, façam uma atividade física. Hoje, isso não é uma prioridade das pessoas. Ainda tem muita gente que acaba passando muitas horas no trabalho. Sentem-se à vontade, gostam do que fazem e acabam esquecendo esse outro lado. Minha missão é cuidar delas e procurar mudar um pouco esse quadro.
Empregos.com.br – Hoje se fala muito do papel estratégico do RH. O RH da Novartis já cumpre essa função?
Paula – O RH aqui já é estratégico. É o RH parceiro dos negócios e eu sou a pessoa que representa o lado humano do negócio. Sou responsável para que os colaboradores da Novartis tenham condição de desempenhar o seu melhor. Preciso saber tudo o que os RHs de outras companhias estão fazendo e se há algo que posso utilizar aqui para ganhar em competitividade. Preciso me informar sobre treinamentos à distância, por exemplo, pois assim poderei treinar mais pessoas com custo menor. Se uma empresa conhece muito de distribuição e esse é um fator importante para o nosso negócio, vou me informar e providenciar o treinamento necessário para nossos funcionários. São decisões muito estratégicas, mas que envolvem as pessoas. O RH tem de estar atento ao mercado externo, à competitividade, mas não pode perder o foco nas pessoas. O principal negócio do RH são as pessoas.
Empregos.com.br – Como você ingressou na área de RH, sempre quis atuar nesse setor?
Paula – Eu achava que não queria trabalhar no RH e a faculdade sempre enfatizou mais o lado da clínica. Mas decidi fazer estágio na área e me apaixonei pelo RH. Na clínica, você fica lá aguardando que as pessoas levem seus mundinhos até você. Por uma característica minha, prefiro eu mesma ir até o mundo das pessoas e ajudá-las em várias questões.
Empregos.com.br – Quais foram os grandes desafios e os grandes aprendizados que você teve ao longo de sua carreira?
Paula – Cada dia é um desafio, porque quando você trabalha com pessoas tudo tem dimensões diferentes. Algo pode ser mínimo para a empresa e máximo para o funcionário. Por exemplo, numa outra companhia que eu trabalhava um homem adotou um bebê, mas pais adotivos não têm direito à licença paternidade. Como ele era solteiro, negociei com a companhia para que ele tivesse quatro meses de licença. Talvez para a empresa tenha sido um pequeno passo, mas para esse pai foi algo extraordinário poder vivenciar essa fase tão importante da vida do filho, e o bebê também teve a oportunidade de conviver com ele, que não era seu pai biológico, e conhecê-lo, receber seu carinho.
Empregos.com.br – Qual dica você daria para quem quer trabalhar nessa área ou já está nela para efetuar um trabalho de qualidade e conseguir com isso uma carreira sólida?
Paula – Sou grande fã de pessoas de formações diferentes trabalharem no setor de RH. Já trabalhei em RH com engenheiro, com agrônomo. Eu era a única psicóloga, ou seja, com a formação mais tradicional para a área. Mas também acho importante que esses profissionais façam cursos voltados à área, conheçam os mecanismos psicológicos das pessoas, para ter uma vantagem na hora de trabalhar.