(16.09.08)

Excelência em RH

Luiz Edmundo Rosa, diretor de RH da Accor na América Latina, conta como mantém a empresa como uma das melhores para se trabalhar no país

Por Renata Silva

Considerada pela 11ª vez consecutiva uma das melhores empresas para se trabalhar no País, o grupo Accor de hotéis ocupa a quarta posição no ranking elaborado pelo Great Place to Work Institute Brasil e divulgado no guia “As 100 Melhores Empresas para Trabalhar 2008-2009”, da revista Época, sendo a única do ramo de hotelaria e serviços entre as 25 primeiras colocadas.

O investimento expressivo em seus colaboradores foi um dos  fatores que possibilitaram o crescimento do grupo. Luiz Edmundo Rosa, diretor de RH do grupo Accor na América Latina, explica, em entrevista exclusiva ao Empregos.com.br, como ações bem planejadas e inovadoras e a melhoria da qualidade de vida de seus funcionários fizeram com que os colaboradores aperfeiçoassem suas atividades e atendessem melhor seus clientes.

Rosa, que já atuou no Banco Nacional, no Unibanco, na Odebrecht e no SENAC, traça também um panorama sobre o mercado hoteleiro no Brasil e quais as principais exigências para o setor, considerado por ele em grande ascensão.

Empregos.com.br - Explique como e quando ocorreu sua entrada na Accor.
Luiz Edmundo Rosa
- Eu entrei na Accor no momento em que foi criada a função, que até então não existia, de um profissional de Recursos Humanos para o grupo, isso aconteceu há 12 anos. A Accor contratou esse profissional para preparar o crescimento do Grupo no Brasil e o meu trabalho foi atuar junto à equipe de Recursos Humanos naquele momento e, a partir de um trabalho de equipe, a gente passou a organizar o que faltava para o Grupo.

Empregos.com.br - Quais mudanças você adaptou à rotina de RH do grupo?
Rosa
- Nós criamos uma política de remuneração moderna que até então não tínhamos e introduzimos um sistema de remuneração nos resultados para todos os funcionários da empresa. A Accor também não tinha departamento de pesquisa, então criamos uma pesquisa chamada de “clima e gestão”, mostrando como os funcionários estão vendo o seu gestor direto, quais são as dificuldades, as oportunidades, as sugestões em relação ao próprio dia-a-dia dele, para que cada equipe e cada líder possam ter seu plano de melhoria. Com isso, nós melhoramos o que as pessoas precisam, o que elas querem e o que nós podemos fazer. Em relação aos planos de saúde, tínhamos antigamente um seguro, porque atualmente os planos de saúde não promovem a saúde, ele funciona mais como um plano de emergência. Então, passamos a fazer plano de prevenção, em que oferecemos check-up, tanto para o funcionário quanto para o cônjuge, porém o check-up é apenas uma foto. O que deve haver é uma educação alimentar, física e mental, uma prevenção, nós orientamos para a saúde. Nesse âmbito, pregamos o conceito de responsabilidade. Cada funcionário é gestor de si e possui responsabilidade para com a sua saúde, carreira e estudos. A empresa tem que ser solidária, tem que contribuir com o funcionário, mas ele tem que ter em mente que é o principal responsável por tudo o que acontece com ele.

Empregos.com.br - E em relação aos funcionários?
Rosa
- Nós criamos, com os líderes da empresa, o projeto que nós chamamos de “projeto de empresa”. É a idéia que nós, seres humanos, temos que ter um plano de vida, então preparamos isso para o crescimento. Entendíamos que o sucesso de cada plano se dá quando ele é virtuoso, ou seja, que beneficie a todos que estão envolvidos. Esse plano foi construído para dar atenção para o próprio colaborador Accor, que virou o ponto de partida para o crescimento do grupo. Se a gente cuidar do colaborador, oferecendo uma remuneração adequada, uma formação para que ele melhore suas competências, uma situação desafiadora, que melhore sua produtividade, ele vai servir o cliente melhor, porque estará motivado. Com o cliente mais bem servido pelo colaborador, ele será mais fiel ao grupo, vai comprar mais e gerar mais resultados. E quando o cliente está feliz e realizado ele é considerado um cliente sustentável.

Empregos.com.br - Relate um momento da Accor que você considera importante e que resultou em ações diferenciadas?
Rosa - Um grande momento na vida de um ser humano é quando ela ou ele vai ser mãe ou pai. Se esse é um momento nobre, porque as empresas não o tratam com a nobreza que ele merece. Então, na Accor nós temos um projeto para que essas pessoas sejam valorizadas. Quando alguém da área de serviços engravida, seja homem ou mulher, porque o homem também participa ativamente da gravidez da mulher, eles recebem um kit que possui todas as orientações necessárias para o casal sobre a nova vida que terão com a chegada do bebê. Primeiramente, o chefe recebe uma carta dizendo que determinado funcionário vai ser pai ou mãe, pedindo para que os outros funcionários comemorem e compartilhem esse momento tão importante para a vida desse profissional, que facilite a flexibilidade de horário para que ele possa acompanhar sua esposa no pré-natal. Quando a mãe tem o bebê, ela também recebe um kit no hospital, com cuidados com a criança e com a mãe no período da amamentação.

Empregos.com.br - Ao o que você atribui o crescimento do grupo Accor?
Rosa - Ao sistema de diálogo com o colaborador, que auxilia na melhoria das nossas ações no departamento de Recursos Humanos. Além disso, nós tivemos um grande apoio das equipes de RH em apoio às equipes da operação no momento de fazer inovações.

Empregos.com.br - Como está o RH no ramo hoteleiro? E quais as principais exigências desse mercado?
Rosa - A indústria de turismo é a que mais cresce no mundo, porque a grande aspiração das pessoas atualmente é viajar. No mundo da globalização, estima-se que as pessoas queiram viajar ainda mais. Nesse sentido, o setor deve continuar crescendo. O sucesso do profissional desse setor é o compromisso de gostar de cuidar de gente. Normalmente, o mercado procura profissionais que já possuam o perfil adequado, para depois as empresas investirem fortemente em treinamento. Hoje, uma pessoa precisa estar bem capacitada, pois a faculdade só não basta. Outro fator de extrema importância é o idioma, não só na área hoteleira, mas em diversas profissões. Nós investimos na criação de uma universidade de serviço, que foi criada em 1992, que prepara as pessoas para trabalhar nos nossos hotéis e com os nossos serviços. Esse projeto é fundamental para o sucesso da marca hoje, e o fato de a gente estar sempre com a mente aberta faz com que nós tenhamos profissionais com uma boa carreira dentro da empresa. Hoje, há nas empresas um processo de reciclagem de profissionais que estão no primeiro emprego. Nesse contexto, as empresas cumprem um papel importante na preparação das pessoas não só na carreira, mas sim para a vida, pois muita gente molda o seu caráter na empresa e não na escola.

Empregos.com.br - A Accor foi escolhida pela 11ª vez como uma das melhores empresas para se trabalhar do País, conte-nos um pouco sobre as premiações.
Rosa - Os prêmios são uma conseqüência de um trabalho feito com determinação e preocupação de melhoria constante. Toda vez que nós ganhamos um prêmio aumenta nossa responsabilidade para ser melhor da próxima vez. Além do reconhecimento, os prêmios são um estímulo para continuar melhorando e atendendo aos clientes da melhor forma possível.

Empregos.com.br - Como avalia a qualidade dos profissionais de RH no Brasil? E o que precisa melhorar?
Rosa - Houve uma evolução enorme desses profissionais no Brasil. O Brasil está cada vez mais sendo percebido lá fora como um país que tem muitos predicados, principalmente porque o brasileiro tem a mente aberta, diferentemente das pessoas de outros países. O brasileiro é capaz de aprender uma idéia do japonês, do americano e de um europeu rapidamente e adaptá-la à nossa realidade aqui no Brasil. O brasileiro é uma pessoa otimista, disponível e de uma alegria típica. Muitos brasileiros estão ocupando posições importantes lá fora, nós estamos preparando profissionais de muita qualidade, e isso nós temos que reconhecer como uma contribuição muito importante na área de Recursos Humanos. O nosso maior problema é a questão da baixa auto-estima. Passamos horas falando dos nossos defeitos, mas temos uma dificuldade enorme de reconhecer nossas virtudes. Para percebermos o verdadeiro valor que o nosso país tem, precisamos sair do Brasil e comparar que possuímos muitas pessoas criativas e inovadoras. Entramos num dos melhores momentos da nossa história e o país está fadado a dar um salto. Porque por uma conjunção de fatores, dessa vez favoráveis, o Brasil é capaz de abastecer o mundo com uma nova economia, especialmente na área do agronegócio, do petróleo e do etanol.

Empregos.com.br - Que dica daria para os profissionais que estão iniciando no ramo hoteleiro?
Rosa – Para quem quer atuar na área de serviço, eu acho que existem alguns laboratórios fantásticos. Inicialmente ele deve ter em mente que deve iniciar sua carreira bem mais cedo, e eu aconselho o trabalho voluntário. Acho que o trabalho voluntário é, na maioria das vezes, mais completo. Um exemplo: se começo a trabalhar numa empresa como estagiário, às vezes a função que começo a aprender é muito específica e demora um certo tempo para assimilar coisas novas. Já o voluntário, no projeto social, consegue rapidamente por força da necessidade. Aprendem muito mais rápido do que aprenderiam numa empresa. As pessoas devem dar uma maior atenção a essas atividades que estão muito próximas da casa delas. Já presenciei casos em que nesses trabalhos nascem verdadeiros líderes, antes mesmo do estágio. Nós temos na Accor mais de dois mil voluntários, que trabalham com crianças, idosos e adolescentes, procurando sempre melhorar a vida das pessoas. As empresas atuais dão muito valor para esses profissionais.