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O perigo da banalização
Por Carlos Hilsdorf*
Toda época traz sempre, inevitavelmente, suas oportunidades e ameaças. Se observarmos com atenção a História da Humanidade, verificaremos que o declínio de quase todas as civilizações se deu frente a pouca atenção dedicada às ameaças mais evidentes!
Estranho observar que estas ameaças estão evidentes por um longo período de tempo antes que suas conseqüências cruciais ocorram e, no entanto, ninguém faz nada a respeito.
A atualidade também nos apresenta a sua lista de oportunidades e ameaças. Chama-me a atenção uma das que considero mais perigosa: a banalização.
Banalizar é tornar algo "estupidamente" comum e sem importância, vulgarizar. Fazer com que algo perca a importância é uma das estratégias mais eficazes para destruir, em definitivo, o poder de um fato, uma idéia.
Observe que com a revolução sexual não obtivemos apenas as vantagens de olharmos para o sexo de maneira mais humana e menos pecaminosa, mas também, como resíduo, obtivemos uma banalização do sexo. O sexo, nestas condições, perde suas dimensões mais humanas, onde o encontro dos corpos consuma o encontro das almas, para manifestar apenas sua conotação mais primitiva e nitidamente animal: a manifestação do instinto sem a participação da razão e do sentimento.
Esta banalização, para uma imensa maioria das pessoas, resultou num distanciamento entre sexo e prazer, uma vez que tudo aquilo que se torna banal perde intensidade.
E as banalizações seguem:
No mundo corporativo as coisas não são diferentes:
E assim, estamos diante de uma época onde a banalização da religião propõe benefícios materiais de curto prazo ao invés de evolução espiritual no longo prazo.
Onde os alunos nos cursos de graduação fingem que estudam enquanto alguns professores fingem que ensinam.
Onde individualmente não podemos fazer nada e quando nos reunimos nas associações, reuniões, cooperativas, congressos, etc, acabamos por declarar que nada pode ser feito...
Como citei no início do artigo, todas as civilizações são destruídas por suas ameaças mais evidentes, porque de tão evidentes tornam-se banais, misturam-se à paisagem, incorporam-se ao cotidiano e, a sociedade adia constantemente as ações conjuntas necessárias para mudar o estado das coisas.
As Tsunamis, furacões, maremotos, degelos de calota polares, poluição dos mares, efeito estufa, desmatamentos, atos terroristas, surgimento de novas ditaduras, e centenas de outros gravíssimos crimes contra a Humanidade estão tão banalizados que é comum ouvirmos as pessoas falarem sobre eles como se fossem as coisas mais normais e, é claro, terminando sempre com a frase: "Ainda bem que isso ainda não chegou por aqui..."
Ah ignorância e ingenuidade, até quando pagaremos o teu preço?
Até quando todos nós nos responsabilizarmos por não permitir que banalizem nossa existência com nosso total "descomprometimento", concordância e apoio!
Que tal começar não permitindo que menosprezem nossa inteligência, sentimentos e valores?
Não precisamos mais de heróis, mas de pessoas comuns com a coragem necessária para dizer não e a atitude necessária para dar o exemplo!
* Carlos Hilsdorf é colunista do Empregos.com.br, economista, Conferencista, consultor, Pós-Graduado em Marketing, pesquisador do Comportamento Humano e autor do livro Atitudes Vencedoras.
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