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E onde fica a globalização pessoal?
por Floriano Serra*

Globalização é um tema que está com alta freqüência na mídia. Para alguns é o futuro irreversível da economia mundial. Para outros é uma ameaça. Os que a defendem fazem palestras e seminários para demonstrar o que julgam vantagem; os que a combatem, fazem as mesmas coisas no sentido oposto e vão mais longe através de passeatas, greves e movimentos nem sempre pacíficos.

É inegável que o mundo vem passando por inúmeras mudanças em todos os campos da atividade humana - por que não mudaria também no campo econômico? A questão não é a mudança em si, mas o respeito que deve ser mantido com relação aos direitos, à justiça, à ética e à igualdade. Como isso será conseguido pacificamente, confesso que não sei - não é a minha praia. Sou um observador atento, mas antes de mais nada sou um aprendiz nesse assunto.

Como meu campo de trabalho é a área comportamental, minha abordagem sobre esse tema tem outro enfoque. Tudo na vida segue (ou deveria seguir) uma evolução gradual. Dentre as inúmeras lições que oferece para os atentos, a Natureza nos mostra isso diariamente. Não é possível a uma árvore dar frutos antes de passar pelo plantio e pela colheita. O cavalo campeão foi primeiro um inseguro potro e teve que aprender a caminhar e a trotar sozinho para só muito tempo depois adquirir a velocidade mostrada nas corridas. O ser humano não é exceção, também deveria submeter-se a essas etapas de evolução. Todo expert, o mais brilhante executivo, músico, ator, cientista, político - qualquer vencedor, teve que sofrer e ultrapassar os tropeções naturais de todo processo de aprendizagem e desenvolvimento.

O poeta americano Walt Whitman nos legou uma frase maravilhosa a respeito da maturidade do Homem: "Eu sou contraditório, eu sou imenso. Há multidões dentro de mim". Ao lado de suas qualidades e virtudes, todo indivíduo é um poço de questionamentos, dúvidas, incertezas, temores e angústias - e não apenas na adolescência quanto tais sentimentos são mais fortes. Globalizar as multidões interiores às quais se refere Whitman, conciliar e administrar as inúmeras faces da personalidade deveria ser a meta inicial das pessoas. A tal "idade da razão", a chamada maturidade, só vem com o tempo, com a vivência e com o que fazemos com a experiência adquirida. Leva tempo para qualquer pessoa aprender a gerenciar suas emoções e sentimentos até conseguir adequar seu comportamento aos apelos do que "devo fazer", do que "convém fazer" e do que "gosto de fazer" - trinômio que responde pela maioria dos conflitos humanos. Integrar essa multidão que há dentro de cada um de nós, atingir esse ponto e passar a agir com efetiva paz e harmonia interior é o que eu chamo de globalização pessoal.

E aqui voltamos à questão da evolução gradual. Supondo que alguém já tenha atingido aquele ponto de amadurecimento - o que certamente não é tarefa fácil -, estaria, só a partir daí, qualificado para seguir os próximos passos: globalizar-se com seu parceiro afetivo (a propósito: pensando em seus amigos e parentes, de quantos desencontros afetivos você tem conhecimento neste momento?), com seus filhos (ah, não tenho tempo para eles...), com seus pais (ora, eles são ultrapassados...) e os com os demais parentes.

Saindo do núcleo familiar, vêm os vizinhos. Com quantos vizinhos você está globalizado, isto é, com quantos você interage de forma razoável, além dos encontros ocasionais no elevador do prédio (onde você mora há anos) ou nas reuniões de condomínio? E a globalização com a comunidade? Qual é seu papel no bairro? Você participa de encontros, campanhas, movimentos sociais de aproximação e melhoria de convivência? E no seu trabalho, onde a necessidade de globalização com colegas, pares e chefias é absolutamente indispensável para que se obtenha uma qualidade de vida e de trabalho digna e saudável? Como está a sua globalização com eles?

Certamente esse processo de harmonização pessoal e coletiva deveria continuar num crescendo geográfico: depois do bairro viria o município, depois a cidade, o país, o mundo. Aqui chegaríamos finalmente à globalização econômica mundial que está na mídia. Por que só então, de bem conosco mesmos, de bem com a vida, de bem com a sociedade - portanto sem egoísmos, sem protecionismos, sem "espertezas" de querer levar vantagens - , só aí estaríamos prontos para negociar com o mundo, no saudável modelo "ganha-ganha" , através do qual se obtém satisfação geral.

Utopia? Sonho? Coisa de psicólogo? Toda pessoa tem o direito de discordar das minhas premissas, da mesma maneira que eu tenho o direito de me ater a elas, com firmeza: definitivamente não consigo deixar de acreditar que a violência, a corrupção, os desencontros afetivos, a injustiça, a guerra, enfim - nascem de uma árvore mal plantada e seguramente mal tratada. Se conseguir crescer, dará frutos deformados. Da mesma forma, a deformidade das relações ganha/perde ou perde/ganha - ou, pior ainda, perde/perde) nasce da distorção ou insuficiência de valores, bases culturais, emocionais e espirituais dos envolvidos. Toda família, sociedade, empresa ou país são compostos por indivíduos, sem os quais nem existiriam. Logo, a paz familiar, social, profissional ou mundial só será possível a partir da paz individual, obtida através da globalização pessoal. Pelo menos neste caso, seguramente a soma das partes compõe o todo.

* Floriano Serra é colunista do Empregos.com.br, psicólogo, palestrante e Diretor de Recursos Humanos e Qualidade de Vida da APSEN Farmacêutica.


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