Deus trabalha em sua empresa?                     (13.02.07)                                          
Por Floriano Serra*

Em muitas empresas, existem indivíduos que não acreditam em Deus ou porque são ateus ou porque trabalham tanto pra ficarem ricos que não têm tempo de pensar nessas coisas... E eles mal imaginam que devem a esse Deus ignorado o privilégio do livre arbítrio - ou seja, o direito que lhes dá até a opção de descrer d'Ele.

Começo a achar que esses indivíduos tendem a se tornar exceção em muito pouco tempo. A cada dia que passa, ouço e leio entrevistas de grandes empresários de sucesso, famosos cientistas, artistas, governantes, líderes políticos, esportistas vencedores e trabalhadores simples atestando a crença n'Ele.

Para ficarmos apenas no campo corporativo, percebo que, atualmente, muitas organizações começam seu dia de trabalho reunindo seus empregados para, juntos, fazerem algum tipo de oração, pedindo sabedoria e justiça nas decisões e harmonia nas relações.

Por essas considerações, fico feliz quando tomo conhecimento de depoimentos importantes, como o do biólogo norte-americano Francis Collins, um dos cientistas mais notáveis da atualidade. Diretor do Projeto Genoma, Collins foi um dos responsáveis pelo mapeamento do DNA humano, em 2001, e não esconde de ninguém que, apesar do seu comprometimento com a ciência, não abre mão da fé religiosa, razão pela qual é muito criticado no meio cientifico.

Para reagir à ironia dos seus colegas cientistas, Collins lançou recentemente nos Estados Unidos o livro The Language of God (A Linguagem de Deus), no qual, em 300 páginas, narra como aos 27 anos deixou de ser ateu e como, ao converter-se ao cristianismo, passou a enfrentar sérias dificuldades no seio da comunidade acadêmica.

No seu livro e nas entrevistas, Collins defende aquilo que cada vez mais se torna óbvio: ciência e religião não são incompatíveis, mas sim complementares. Segundo ele, a ciência deve permanecer em silêncio nos assuntos espirituais porque estes transcendem a ela. Ele lança um questionamento: " Passo à beira de um rio, vejo uma pessoa se afogando e decido ajudá-la, mesmo pondo em risco minha própria vida. De onde vem esse impulso, nunca explicado pela teoria da evolução ?".

Lembro que em São Paulo , há poucas semanas, um rapaz se jogou no rio Tietê para salvar uma criança que ele nem conhecia. Também recentemente, em Nova York , outro homem se jogou nos trilhos do metrô para salvar um outro, que também não conhecia. De onde vem esse impulso de incrível compaixão e solidariedade senão da parte divina do ser humano, originada na crença num Deus de bondade?

Em algumas empresas, em nome de paradigmas e valores, no meu entender, equivocados e até ultrapassados, cria-se uma barreira às condutas e manifestações espirituais, transformando o ambiente de trabalho numa atividade exclusivamente física, como se os profissionais fossem constituídos apenas de matéria física. Nessas empresas, é tabu falar em Deus.

Posso estar enganado, mas essa postura insensível certamente se reflete no modelo de gestão ali adotado pelos dirigentes e certamente recomendado aos líderes. Uma pena... Que padrão de relacionamento, que critérios de decisão e de promoção, que nível de motivação, que qualidade de vida pode-se esperar de uma cultura organizacional na qual não se cultiva a bondade, a solidariedade, a fraternidade, o respeito e o amor ao próximo, sentimentos básicos da espiritualidade?

Jamais podemos esquecer que, em qualquer empresa, o mesmo poder que pode demitir é o mesmo que pode promover. O mesmo poder que pode realizar sonhos é o mesmo que pode provocar pesadelos. O mesmo que pode criar alegria e união na equipe é o mesmo que pode gerar medo, tristeza e inimizades.

Certamente, a escolha de como usar o poder que lhe é concedido é do líder, conforme a Visão, a Missão e os Valores da empresa a que serve. Basta usar o mesmo livre arbítrio já citado. Mas, atenção: a inspiração para essa escolha, se não estiver embasada e iluminada pela crença em Deus, certamente correrá o risco de apontar para o caminho da tirania, do egoísmo e da insensibilidade.

Por essas e outras, até mesmo pela sobrevivência da organização, convém que Deus trabalhe em sua empresa - como, graças a Deus (desculpem o trocadilho...), trabalha na minha.

Com certeza Ele nunca será visto nem tocado pelos "colegas". Não importa. Importante é que os "colegas" sejam tocados por Ele, em cada passo das suas atividades diárias.


* Floriano Serra é colunista do Empregos.com.br , psicólogo, palestrante, autor dos livros A Empresa Sorriso e A Terceira Inteligência (Editora Butterfly) e diretor de RH e Qualidade de Vida da APSEN Farmacêutica, eleita em 2006, pelo terceiro ano consecutivo, "uma das Melhores Empresas para Trabalhar" e "uma das Melhores Empresas  para a Mulher Trabalhar" (revistas EXAME/FIA e ÉPOCA/Great Place to Work) e a 2ª "Melhor Empresa para Estagiar" (CIEE/ABRH/IBOPE), além de ser um dos 25 autores brasileiros incluídos no livro Gigantes da Motivação (Editora Landscape).

 

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