Inovação aplicada ao negócio                     (12.06.07)                                
Por Maria Inês Felippe*

Atualmente, e por questões de sobrevivência, percebemos a grande demanda e o interesse pelo tema criatividade e inovação. Segundo pesquisa realizada pela Price Waterhouse Coopers, os profissionais mais valorizados são os realizadores éticos e criativos. A criatividade permite observar, enxergar o que todos estão vendo, mas visualizando coisas diferentes.

Muitos problemas que percebíamos sem solução, com o auxílio da criatividade começamos a perceber novas saídas. Outro aspecto interessante é que não basta somente criar, gerar idéias, é preciso analisá-las e implementá-las. Também podemos perceber a criatividade não somente como um instrumento de soluções de problemas, mas também como alavanca de negócios e surgimento de novos serviços.

Identificamos durante os programas de criatividade que realizamos que, na grande maioria, a importância de criar vem seguida de uma necessidade: problemas, dificuldades, curiosidades ou a busca de estratégias para manter-se competitivo.

Constantemente somos chamados para trabalhos de treinamento em criatividade e inovação. As empresas alegam ter programa de inovação, citando como exemplo caixa de sugestões e percebemos que por trás deste discurso há uma frustração, insatisfação, pois nem sempre apresenta resultados, ou seja, os funcionários não apresentam idéias realmente criativas e inovadoras que agreguem valor ao negócio. Cabe ressaltar que somente este procedimento é insuficiente para gerar resultados para a organização do ponto de vista de geração de idéias, é preciso pensar em gestão de inovação e não atos isolados.

Veja que interessante, podemos observar a criatividade como habilidade indispensável, devendo ser cultivada tanto do ponto de vista pessoal como organizacional, especialmente neste momento da história que é marcada fundamentalmente por mudanças. Qual a nossa participação? Devemos preparar funcionários, gestores para essa realidade, capacitando-os e potencializando-os no pensar criativo, fortalecendo uma liderança criativa.Tais pessoas precisam estar comprometidas e envolvidas com o negócio da organização, serem autônomas, formar times de trabalho, ter visão do futuro, estar em contínuo aperfeiçoamento e abertas para um novo pensar, novas idéias. A atuação do Consultor Interno é fundamental neste contexto.

Temos que ver os programas de T&D como um processo global, devendo existir uma visão de totalidade nos vários níveis de conhecimento, tais como expressão sensorial, intuitiva, afetiva, racional e transcendental e, acima de tudo, focado em resultados. Ou seja, observar globalmente e agir localmente. O estabelecimento de objetivos claros e precisos é uma estratégia fundamental para que os treinamentos possam ser vistos como investimentos e com retorno garantido, aí sim podemos medir resultados.

Este profissional deve agir como fornecedor interno, desenvolvendo melhorias nos serviços oferecidos, além de adequá-los às necessidades de seu cliente interno, identificando necessidades e propondo soluções criativas ou até mesmo contratando consultores externos. Portanto, conhecer a empresa, seu negócio, objetivos, competências críticas e resultados esperados são fundamentais para a contratação do consultor adequado e será cada vez mais a sua prática habitual. A visão de RH deverá estar voltada para o negócio da organização, para os funcionários, assim como para o seu próprio comportamento. Portanto, temos que ser criativos. A receita da competitividade permanente está na capacidade de definir competências, estratégias, assim como uma organização voltada para o aprendizado e sua aplicação, desenvolvendo ações que possibilitem a busca de outras alternativas, saídas para antigos e novos problemas, desenvolvimento do pensamento criativo, abertura para ações criativas, uma learning organizacion .

A área de Recursos Humanos, junto com os gestores, tem uma grande parcela de responsabilidade que é gerenciar e desenvolver a criatividade como fator de competência, tendo clara a situação atual da organização, identificando necessidades futuras, estabelecendo planos de ação e corrigindo os gaps . Surge assim, a necessidade de alterações em padrões de valorização social e cultural, bem como das condições de vida, pois somente dessa forma conseguiremos integrar as expectativas dos empresários com as dos funcionários.

A requalificação dos funcionários, para atender a todas as necessidades, aberturas às novas idéias, através de uma gestão criativa, a quebra ou reformulação dos modelos mentais entre outras necessidades, é o grande desafio. Devemos entender a competência criativa como capacidade de agregar valor ao negócio, através do patrimônio pessoal, estimulando tanto o desenvolvimento pessoal quanto o grupal e empresarial.

A objetividade é um traço criativo e abrange a capacidade de:

•  Gerar idéias;
•  Resolver problemas;
•  Utilizar-se de coisas de forma não rotineira;
•  Buscar respostas prontas e perspicazes;
•  Dar forma às idéias novas;
•  Vencer obstáculos.


*Maria Inês Felippe Maria Inês Felippe é psicóloga, especialista em Administração de Recursos Humanos e Mestre em Desenvolvimento do Potencial Criativo pela Universidade de Educação de Santiago de Compostela, Espanha. Palestrante e consultora em Recursos Humanos, Desenvolvimento Gerencial e de Equipes, Avaliação de Potencial e Competências. Realiza também Treinamentos de Criatividade e Inovação nos Negócios. Palestrante em Congressos Nacionais e Internacionais de Criatividade e Inovação e Comportamento Humano nas empresas. Vice-presidente de Criatividade e Inovação da APARH. Website: www.mariainesfelippe.com.br.

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