Dicas para competir com criatividade               (11.03.08)                                                           
Por Maria Inês Felippe*

A empregabilidade é hoje a maior preocupação dos profissionais, colocando à prova a competência deles no que diz respeito à melhoria de processos internos, produtos, serviços, processos operacionais. Todas essas questões exigem do profissional uma das competências mais avaliadas diariamente, que é o seu potencial criativo e inovador.

Sempre que estou em treinamentos e palestras ouço a mesma coisa: “Como faço para ser mais criativo, como faço para inovar? Preciso disso para ser mais competitivo”.

A demanda é tamanha que acabei escrevendo um livro sobre isso, com o objetivo de fornecer orientações e exercícios de auto-análise para ativar a criatividade, favorecendo o pensar e o agir criativamente, não eximindo a pessoa da responsabilidade de analisar a realidade, aplicando cuidadosamente os conteúdos em funções gerenciais, desenvolvendo equipes e criando mecanismos de desenvolvimento da organização.

Neste artigo, gostaria de tocar nos “4 Cs”, que, a meu ver, são quatro questões que precisam de observação e ajustes constantes na nossa vida.

Criatividade e inovação pessoal
Hoje, para obter sucesso é necessário, além do conhecimento técnico, ter habilidade para solucionar problemas, lidar com a diversidade, o que implica na utilização da capacidade criativa, sendo pró-ativo e quebrando paradigmas. A destruição mental de tudo que já existe é condição primordial para iniciar o processo criativo.

Criar envolve, em primeiro lugar, um rompimento dos paradigmas pessoais e, em segundo, dos sociais. Muitas vezes o criador acaba boicotando a sua própria criação, com medo de ser criticado e não reconhecido. Criar é um ato de coragem tanto no âmbito pessoal como social.

Percebo que o primeiro passo é perceber-se enquanto pessoa e o que realmente gosta de fazer, o que faz bem, o que a alma aplaude e acima de tudo o que lhe dá prazer. Esqueça o que está do lado, aqueles comportamentos padronizados ou até mesmo aquilo que as pessoas gostariam que você fizesse ou até mesmo fosse. Observe suas principais qualidades e aproprie-se delas.

Na empresa em que trabalha tente romper o comportamento mecanicista apresentando idéias de novos produtos, serviços, melhoria do que você já faz, bem como do ambiente organizacional.

Comunicação assertiva
Como já dizia o Chacrinha: “Quem não se comunica, se trumbica”. Pois é, muitas vezes deixamos de colocar em ação uma idéia ou desejo por medo de não ser aceito, como também por não saber “vender” a idéia.

O primeiro passo é vender para si próprio. Por exemplo, você deseja mudar de carreira. Cabe a pergunta: já elencou todas as vantagens da mudança? Quais as vantagens e riscos? Você se convenceu de que é uma boa saída para a sua situação atual, a decisão está amadurecida e você convencido da mudança de emprego ou de profissão?

Se sim, vá em frente. Se não, venda acima de tudo para você mesmo e depois para as pessoas que estão ao seu redor. Faça networking e comunique a algumas pessoas a sua decisão.

Prepare-se para vender para seu chefe, desenvolva um projeto detalhado, utilize-se da sua criatividade, recursos disponíveis, sempre comparando a situação real e a desejada. Mas seja sempre muito claro, expondo o que pensa, o que sente e como vê e sente esta situação.

Cooperação e comprometimento
Caso você esteja querendo mudar de empresa, isso poderá acarretar resultados tanto para você quanto para as pessoas do seu convívio, compartilhe a decisão, principalmente se ela afetar diretamente seus familiares, por exemplo. É preciso buscar ajuda. Você poderá obter apoio dos amigos também.

A mesma situação poderá ocorrer se você estiver apresentando uma idéia para seu superior. Uma idéia sem ação é pura ilusão e será preciso buscar parceiros para fazer acontecer. Cada pessoa tem uma inteligência particular e quando se junta à de outras o resultado é uma criação muito especial. Pense em quem pode lhe ajudar a criar algo realmente especial.

Coordenação
Não podemos pensar em liderar as pessoas se somos dependentes, se não lideramos a nós mesmos. Reavalie todas as situações em que você está à frente de algo, coordenando, decidindo e seja honesto consigo. Como disse no começo deste texto, analise a realidade. Em que momentos a sua liderança se sobressai? A clareza de objetivos em relação à sua própria carreira e vida faz com que atinja o que deseja. Fixe metas, prazos e a forma para conquistá-los. O mesmo poderá acontecer quando apresentar uma idéia ao seu superior e ela for aprovada. É a oportunidade para fazer acontecer juntamente com seus parceiros, aqueles já mencionados no item acima. Mas sem perder de foco que agora é a sua vez de coordenar, que você está consciente das ações necessárias para isso e que se planejou para tal.

Boa sorte na aplicação dos 4Cs!

 

*Maria Inês Felippe é colunista do Empregos.com.br, consultora e palestrante, especialista em Criatividade, Inovação e Gestão, e autora do livro 4 C's para Competir com Criatividade e Inovação (Editora Qualitymark) - www.mariainesfelippe.com.br

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