É hora de todos verem o copo meio cheio
Se realmente a "esperança venceu o medo" e se acreditamos que a prosperidade - das empresas e do País - é uma possibilidade, então todos deveríamos nos habituar a pensar e a dizer "Vai dar certo!"

por Floriano Serra*

Imagine um copo de cerveja pela metade: para uns, ele estará "meio vazio". Para outros, estará "meio cheio". A rigor, a opinião de ambos estará certa: a questão está na interpretação do fato, na natureza da percepção de cada um, intrinsecamente ligada à filosofia de vida dos observadores. Há nitidamente um pessimista e um otimista.

Nas convenções de vendas, os consultores - inclusive eu - costumam contar a história dos dois profissionais, representantes de uma mesma fábrica de sapatos, que foram enviados a um País ainda primitivo e de baixíssimo poder aquisitivo. Um vendedor não sabia da presença do outro. A missão dos dois era de prospecção de mercado, avaliar a conveniência ou não da empresa abrir ali uma fábrica ou escritório comercial. Logo de cara, os dois representantes notaram que ali NINGUÉM usava sapatos! Diante disso, cada um deles, apressado em dar seu parecer à matriz, enviou ao chefe um e-mail definindo sua posição. Um deles escreveu: "Péssimas perspectivas: aqui todo mundo anda descalço!". O outro escreveu: "Excelentes perspectivas: aqui todo mundo anda descalço!"

Nas empresas encontramos profissionais com as duas características acima. São justamente os otimistas e os pessimistas. O que torna um fundamentalmente diferente do outro é que o pessimista tem o inoportuno hábito de achar que, até que provem em contrário, "tudo vai dar errado" ou "é impossível de ser feito". Vai ver o pessimista não passa de um sujeito que levou a sério demais as Leis de Murphy, sem entender seu senso de humor. Aliás, diga-se de passagem, pessoas pessimistas não têm senso de humor...

Esses comentários têm por objetivo convidar determinados profissionais a afastar de si a tentação do negativismo no trabalho, a habituar-se a ver o copo meio cheio e a ver como férteis e viáveis as idéias, projetos e tentativas que sua empresa venha a apresentar ou solicitar.

Certamente não estou recomendando nenhum otimismo deslumbrado e inconseqüente, como o daquele sujeito que, na manhã do seu aniversário, encontrou um pacote de esterco ao lado da sua cama e, feliz da vida com a surpresa dos amigos, concluiu que havia ganhado um cavalo de presente!

Refiro-me ao otimismo responsável, que é conseqüente e se baseia em tendências e indícios reais e reforçadores. É diferente da fé, que não exige lógica nem provas. É diferente da esperança, que se alimenta de anseios e expectativas. O otimismo nasce de uma forte convicção interior de que as tentativas de ação, se bem planejadas e fundamentadas, darão certo, terão um resultado positivo. Por isso, é o otimista quem faz as coisas acontecerem numa empresa e, não raro e justamente por isso, consegue o sucesso.

Já o pessimista, além de carecer de fé e esperança, tem suas convicções interiores muito fragilizadas pela insegurança, descrença, desconfiança e derrotismo - e por isso fazem de tudo para fugir da responsabilidade da ação. Porque acreditam que sempre haverá "culpados" e que se não se cuidarem serão eles os "acusados" pelo "inevitável fracasso"...

A glória do pessimista é exclamar triunfante: "Eu não disse que não ia dar certo?" ou então "Eu bem que avisei que isso não ia funcionar" - esquecendo-se de que ele faz parte da equipe e recebe seu salário daquela empresa. E que, portanto, se usasse do bom senso, não deveria ver tantos motivos para essa euforia diante dos desacertos e fracassos tão comuns e inevitáveis na vida de qualquer pessoa e de qualquer empresa.

O primeiro passo para alguém conseguir vencer é julgar isso possível. Os que antevêem derrotas antes do jogo começar, já entram em campo derrotados. "Se você acha que pode ou acha que não pode, de qualquer maneira você estará certo", lembram? Somos o que acreditamos que somos - e da mesma forma, conseguimos o que acreditamos ser possível conseguir com nossos recursos, competências e talentos.

O Brasil está vivendo um momento de histórico ufanismo e otimismo. No entanto, tenho ouvido pessoas dizerem, entre a descrença e a ironia:
- Ahnn, essa euforia passa logo...
- Espere só um pouco e você vai ver que tudo vai voltar a ser como era!
- Você acredita mesmo que as coisas vão mudar?

Fico pensando se essas pessoas reagem da mesma maneira quando sua empresa implanta mudanças e promove ou contrata novos gestores e dirigentes...

Toda empresa depende dos seus colaboradores para sobreviver. E o momento requer otimismo e comprometimento total de todos. Se alguns colaboradores insistirem na apologia do impossível, vai ser muito mais difícil para a empresa encontrar a prosperidade que o mercado, a economia e o próprio País esperam.

Para os que estão dispostos a dar um voto de confiança nesta nova etapa do Brasil e, por extensão, das empresas, a frase "Vai dar certo!" deve se tornar um hábito, uma mania, uma obsessão, uma ordem de comando, um grito de guerra. Vai dar certo - e não apenas POR CAUSA DE, mas também e sobretudo APESAR DE - que nada nem ninguém é perfeito.

Portanto, imprima "Vai dar Certo!" no seu computador, como um salva-tela. Escreva isso em todos os seus e-mails, logo abaixo da sua assinatura. Mande fazer uma ou mais camisetas. Divulgue. Repita à exaustão. Se a onda do "vai dar certo" pegar, não haverá apenas um vencedor. Este é um "jogo" do qual TODOS sairão VENCEDORES.

Todos não, desculpem: estarão de fora os especuladores, os aproveitadores, os fabricantes de pânicos e, lógico, os pessimistas também.

* Floriano Serra é colunista do Empregos.com.br, psicólogo, palestrante e Diretor de Recursos Humanos e Qualidade de Vida da APSEN Farmacêutica.


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