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Atenção, vagalumes: cuidado com as serpentes!
A ação do profissional “serpente” é mais perigosa que a do invejoso porque, como diz a lenda, busca a destruição do brilho alheio. É aqui que podem entrar a falta de ética, a deslealdade, a mentira e a conspiração destrutiva.
por Floriano Serra*
Conta a lenda que uma serpente começou a perseguir um vagalume. Este fugia rápido, com medo, mas a serpente nem pensava em desistir. Essa perseguição já durava dois dias. No terceiro dia, já sem forças, o vagalume parou e dirigiu-se à serpente:
- Posso te fazer três perguntas?
- Não costumo abrir esse precedente pra ninguém, mas já que vou te devorar mesmo,
podes perguntar.
- Pertenço à tua cadeia alimentar ?
- Não.
- Te fiz algum mal?
- Não.
- Então, por que queres acabar comigo?
- Porque não suporto te ver brilhar !
Em toda empresa, em determinado momento, há pessoas que brilham. Podem não brilhar sempre, podem nunca ter brilhado, mas um dia, por qualquer razão, são inspiradas e apresentam aquela idéia salvadora, aquela performance imbatível, aquela atuação irrepreensível. E ficam na “mídia” interna da empresa por algum tempo, ouvindo elogios, sendo parabenizadas, recebendo taças ou bônus, com foto nos quadros de aviso e entrevista no jornal interno, etc..
Sempre considerei que o brilho profissional não é exclusivo nem permanente. Não é privilégio de uns poucos iluminados, nem se apresenta a toda hora. Inclusive, há talentos fantásticos que resolvem “hibernar” e ficam por algum tempo “fora do ar”., sem nenhuma brilhante “sacação” ou nenhum incrível resultado. Claro que talentos nunca chegam à mediocridade, mas também nunca se mantêm permanentemente geniais.
Conclusão: todo profissional terá seu momento e sua oportunidade de brilhar – desde que (e esta condição é absolutamente indispensável) esteja sempre atento e receptivo às oportunidades de superar dificuldades, vencer obstáculos e aceitar desafios. É assim que as pessoas podem gerar, desenvolver e mostrar brilho no trabalho, tornando-se “vagalumes”.
No entanto, como nada é perfeito, há os “serpentes”. Ou seja, há aqueles que desperdiçam sua energia procurando minar ou extinguir o brilho dos colegas “vagalumes”. Esse sentimento negativo, que leva alguns profissionais a desqualificar o mérito alheio e às vezes, mais do que isso, a dificultar ou boicotar o sucesso de outros, é algo mais danoso que a própria inveja – também destrutiva e já alvo de um artigo anterior meu. Porque a inveja nem sempre é extravasada e convertida em ação destruidora. Quase sempre a inveja fica incubada, enrustida, alimentando-se de pensamentos negativos – e, na maior parte das vezes, prejudica mais o próprio invejoso, porque mina sua auto-estima e seu estoque de energia, que poderia ser canalizada de forma mais produtiva e positiva.
A ação do “serpente” é mais perigosa que a do invejoso porque, como diz a lenda, busca a destruição do brilho alheio. É aqui que podem entrar a falta de ética, a deslealdade, a mentira e a conspiração destrutiva.
Quando uma empresa consegue criar e alimentar um verdadeiro sentimento de equipe entre seus colaboradores, o brilho de um passa a ser motivo de alegria e orgulho dos demais. É como num time de futebol entrosado: não importa quem faça o gol, todos vibram porque é o time que está vencendo. Da mesma maneira, no trabalho os profissionais “vagalumes” devem ser incentivados, e não perseguidos. Ou você, sendo um jogador de talento, gostaria de fazer parte de uma turma de “pernas-de-pau”?
É utopia supor que um dia a competitividade interna deixará de existir nas empresas. Todos os profissionais que ali estão almejam fazer parte do pico da pirâmide hierárquica, mas o espaço do seu pico é muito menor que o da sua base, onde se concentra a maioria dos colaboradores. Portanto, já que a ciência determina que dois corpos não pode ocupar o mesmo espaço, é claro que nem todos que estão na base chegarão ao topo.
Fica a questão: quem chegará lá? Para responder a essa dúvida existem os programas de desenvolvimento pessoal e profissional, os programas de avaliação de desempenho, os planos de carreira, a busca e retenção de talentos, o estímulo ao auto-desenvolvimento das competências e tantos outros instrumentos de gerenciamento de pessoas e processos.
O brilho da competência é democrático: está ao alcance de todos aqueles que vêem no trabalho um meio de realização e satisfação. Lugar de serpente faminta e rancorosa é na selva – onde poderá curtir, sem machucar ninguém, a frustração de não ter seu próprio brilho.
* Floriano Serra é colunista do Empregos.com.br, psicólogo, palestrante e Diretor de Recursos Humanos e Qualidade de Vida da APSEN Farmacêutica.
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