Empresabilidade                                                                      (27.03.07)
A empregabilidade da empresa

Por Werner Kugelmeier*

O conceito de empregabilidade vem sendo disseminado já faz um bom tempo, ao contrário da empresabilidade.

Entende-se por empregabilidade a busca constante do desenvolvimento de competências, para buscar ou manter um emprego atrativo. Empresabilidade é geralmente entendida como a capacidade das empresas de desenvolver e utilizar as competências intelectuais e técnicas de seus membros, para sustentar um posicionamento diferenciado no mercado.

Quero aqui sugerir que se enxergue o assunto empresabilidade sob um prisma ampliado, ou seja, a capacidade da empresa de atrair potenciais clientes, fornecedores, parceiros, investidores e comunidade, os chamados stakeholders , os grupos que lidam com a empresa no dia-a-dia. É aqui que se invertem os pólos: a pergunta não é (apenas) o que o profissional deve fazer para ser empregável, mas (também) o que a empresa precisa fazer para se tornar “empresável” perante o público acima.

Partimos da premissa de que as estratégias empresariais, além da atração e retenção de talentos e líderes, englobam também as seguintes dimensões: satisfação dos clientes que perfazem 80% da sua receita, qualificação por fornecedores parceiros e busca de investidores potentes.

Em outras palavras, a empresa pretende se tornar uma opção preferida para fazer negócio com ela, ser “empregada” pelos players acima, mas nem sempre sabe como suceder nesta missa.

Queremos aqui despertar na empresa a coragem de empreender na condução de seu negócio por meio das seguintes cadeias de valor agregado para o negócio:

1. Ousar (metas) – envolver (gente) – mover (mudanças e horizontes).

2. Propósito (clareza) – pessoa (networking) – processo (canalização de recursos).

3. Competência (saber aprender) – atitude (querer aplicar) – postura (fazer acontecer).

4. Conhecimento (multicultural) – experiência (internacional) – sabedoria (pessoal).

As cadeias evolutivas acima sugerem que o aprendizado contínuo se torne um hábito organizacional, necessário para alcançar o objetivo maior: crescer e expandir – com rentabilidade, de forma sustentável.

O grau de exigência que as empresas demonstram com relação à sua empresabilidade estimula os players do mercado a jogar no time dela, sendo assim, o s proprietários da empresabilidade, empresas “empregáveis”, estão “com a faca e o queijo na mão”.

Para ser percebida, conhecida, reconhecida e recompensada como sendo diferente e não sendo “apenas mais um” requer das empresas atitudes que as torne ou as mantenha viáveis na percepção dos seus stakeholders.

O desenvolvimento das respectivas atitudes tem sua âncora na formulação da visão de futuro por meio de um Plano de Negócios (Business Plan) , que por sua vez deve ser alimentado pela Gestão do Conhecimento (knowledge management). Pergunta: como vamos ganhar dinheiro com aquilo que conhecemos e que descentraliza a gestão com a criação de unidades de negócios (profit centers)? Com um comportamento que estimula as pessoas por meio da delegação de poderes (empowerment) e zela pela transparência com os colaboradores (endomarketing).

A empresa dos tempos atuais deve se entender como sendo a responsável por sua carreira - crescimento e expansão com rentabilidade sustentável - e gerir suas competências de tal forma que possa multiplicar seu potencial produtivo no seu negócio central (core business). Tarefa que se torna mais fácil na medida em que a alta direção identifica com qual time vai jogar, quais clientes vai servir, de quais fornecedores vai comprar e quais investidores vai atrair.

Resta lembrar que a empresabilidade engloba a dimensão - comunidade, onde a empresa está inserida. Nasce aqui a razão para combinar decisões empresariais, de cunho econômico-financeiro, com ações de responsabilidade sócio-ambiental.

Fecha-se assim o “clube” dos  stakeholders da empresa: pessoal – cliente – fornecedor – investidor – comunidade.

Para você, leitor, queria contribuir para desmistificar a empresabilidade, a empregabilidade da empresa, uma missão difícil, mas não impossível. Espero que este artigo sirva para despertar seu interesse nesta tarefa tanto desafiadora como fascinante.

* Werner Kugelmeier é diretor da WK Prisma - Educação Corporativa Modular, jurista e administrador de empresas graduado na Alemanha. Possui 25 anos de experiência em multinacionais no Brasil, sendo que 16 em gestão. Fez cursos de aperfeiçoamento profissional nos Estados Unidos, viajou a negócios a mais de 60 países e desde 2000 atua na área de educação corporativa e executiva.

 

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