(26.02.08)
Mulheres e empresas, quem foi conquistado?
Hoje é razoável ponderar que se abriu um leque de oportunidades
para as mulheres antes nunca visto

Por Dieter Kelber* e Elaine Mesquita Cordeiro Cataldi**

Observando as empresas e seus posicionamentos diante do mercado e a sociedade, é fato dizer que a influência feminina está presente nas tomadas de decisão, não só em cargos de chefia, como fazendo parte de equipes gerenciadas por homens.

Numa recente pesquisa realizada pelo INSADI (Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual) em diversas empresas de porte constatou-se que para cada posto de trabalho oferecido na área de Gestão de Processos, entre cada dez candidatos, oito eram mulheres. E esta relação crescia proporcionalmente conforme as posições oferecidas que se aproximavam do mundo dos processos de negócios e se afastavam do mundo dos sistemas tecnológicos de apoio.

Foi também possível observar uma mudança no perfil e nos traços vocacionais requeridos dos candidatos. Formação multicultural e multidisciplinar, competências e habilidades para saber lidar e desenvolver pessoas, promover a integração, utilizar-se de uma liderança colaborativa, formar e liderar equipes, domínio das diversas disciplinas envolvidas em um processo de negócios e visão holística apareceram de forma bastante expressiva nas requisições.

Tomando esse ambiente como referência, é razoável ponderar que se abriu um leque de oportunidades para as mulheres antes nunca visto. Hoje é percebido que elas fazem do poder de suas gestões uma forma de “poder para” e “poder com”, com uma liderança interativa, isto é, flexível, compartilhando informações, respeitando diferenças e transformadora.

Mas afinal, as mulheres estão tendo todo esse sucesso porque são mais competentes? A resposta é claramente não. O que hoje faz a grande diferença são as suas atitudes, suas motivações internas que estão mais alinhadas com as tarefas a serem executadas do que no caso dos seus pares masculinos. O cenário é bastante favorável a essas motivações. Elas têm pressa. Buscam o sucesso profissional, a independência financeira, o reconhecimento de suas competências, a realização pessoal. A combinação de saber trabalhar com o coração e a cabeça, conforme os cenários exigirem, ou seja, mais ciência (razão, raciocínio lógico, análise) ou arte (intuição, criatividade), tem contribuído de sobremaneira para as empresas alavancarem seus resultados apoiados por um capital humano de excelência.

Se por um lado as competências se desenvolvem a partir do uso do conhecimento, por outro os nossos traços e motivações são inerentes à nossa personalidade. Assim, quando juntamos as competências com nossas motivações intrínsecas, formamos o conceito de aptidão (aptidão =  competência + motivação interna). Podemos perceber que no cenário empresarial atual as mulheres tendem a estar mais aptas que os homens e, assim, mais próximas de alcançarem o sucesso profissional, provocando uma tendência de aproximação para aprendizado mútuo de habilidades e competências entre o mundo feminino e masculino.


* Dieter Kelber é diretor-executivo, consultor e pesquisador do Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual e de sua Business Processes School.

** Elaine Mesquita Cordeiro Cataldi é diretora de marketing do Business Process Day e da DGroup Comunicação.

 

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